Com 1.954 cervejarias registradas, 44.212 produtos, exportações de US$ 218,4 milhões e produção acima de 15 bilhões de litros, o setor cervejeiro brasileiro chega ao maior tamanho histórico, mas revela avanço interno menor, concentração regional e mudanças no comércio exterior.
Com 1.954 cervejarias registradas em 2025, o Brasil atingiu o maior número da série histórica no Anuário da Cerveja 2026, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, apesar de crescer apenas 0,3% no ano.
O dado importa porque mostra um setor amplo, presente em centenas de cidades, com impacto em emprego, indústria, comércio exterior e oferta ao consumidor, mas indica perda de ritmo após anos de expansão.
Anuário da Cerveja 2026 mostra recorde com freio no crescimento
A série histórica revela o tamanho da mudança. Em 2000, o país tinha 40 cervejarias registradas. Em 2025, chegou a 1.954, alta acumulada de 4.785% no período analisado pelo Mapa.
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O avanço mais recente, porém, foi mínimo. O acréscimo líquido foi de apenas cinco estabelecimentos em relação a 2024, o terceiro menor aumento absoluto da série, empatado com 2002.
A comparação ajuda a dimensionar a desaceleração. Em 2016, o setor havia registrado o maior salto relativo, com alta de 48,5%. Em 2019, houve o maior aumento absoluto, com 320 cervejarias a mais.
Esse contraste indica que o mercado continua numeroso, mas entrou em fase de maturidade ou ajuste, com abertura de novos registros convivendo com cancelamentos, vencimentos e reduções em parte dos estados.
Sudeste concentra quase metade das cervejarias do país
São Paulo segue como principal polo, com 452 cervejarias registradas e crescimento de 5,9% em 2025. O estado acrescentou 25 estabelecimentos, o maior avanço absoluto entre as unidades da federação.
O Sudeste concentra 923 cervejarias, o equivalente a 47,2% do total nacional. Foi também a única região com variação positiva, ao avançar 3,8% em relação ao ano anterior.
O Sul aparece em seguida, com 759 estabelecimentos, ou 38,8% do país. Apesar da força histórica, a região perdeu 15 cervejarias no ano, a maior redução absoluta entre as regiões.
O Rio Grande do Sul teve o maior recuo em números absolutos entre os estados, com 24 cervejarias a menos. O total caiu de 349 para 325, redução de 6,9%.
O anuário também registrou 158 cancelamentos ou vencimentos de registros de cervejarias em 2025, alta de 42,3% sobre as 111 ocorrências de 2024. Rio Grande do Sul e São Paulo lideraram esses encerramentos.
Cervejarias chegam a 794 municípios brasileiros
A atividade cervejeira está presente em 794 municípios, 14,3% das cidades brasileiras. Em 2024, eram 790 municípios, o que mostra expansão territorial pequena, mas positiva.
A cidade de São Paulo lidera o ranking municipal, com 61 cervejarias. Porto Alegre aparece com 35, Curitiba com 25, Belo Horizonte com 24 e Caxias do Sul com 21.
As cinco cidades com mais cervejarias, porém, tiveram redução no número de estabelecimentos. Ao mesmo tempo, a lista de municípios com dez ou mais cervejarias subiu para 25, dois a mais que em 2024.
Na densidade cervejeira, Santa Catarina lidera entre os estados, com uma cervejaria para cada 32.625 habitantes. A média nacional é de uma cervejaria para cada 108.794 habitantes.
O município com maior densidade segue sendo Linha Nova, no Rio Grande do Sul, com uma cervejaria para cada 860 habitantes. A cidade tem duas cervejarias para 1.720 moradores.
Produtos, marcas e produção reforçam diversidade da cerveja brasileira
O número de cervejas registradas voltou a crescer em 2025. O Brasil contabilizou 44.212 produtos, aumento de 2,4% sobre o ano anterior, com acréscimo de 1.036 registros.
São Paulo também lidera nesse indicador, com 13.240 produtos registrados e alta de 3,4%. Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro aparecem entre os maiores volumes de registros de produto.
O país alcançou ainda 56.170 marcas de cerveja registradas. Esse dado reforça a diversidade da cadeia, mesmo em um ano de avanço moderado no número de estabelecimentos.
Na produção, a Declaração Anual de Produção e Estoques apontou volume superior a 15 bilhões de litros em 2025. Desse total, 29,2% correspondeu a cervejas puro malte.
Outro movimento relevante foi o crescimento das cervejas sem glúten, com aumento superior a 400% no volume produzido. O dado indica diversificação da oferta para diferentes perfis de consumo.
Exportações batem recorde em valor, mesmo com menor volume
A cerveja brasileira exportada somou 315,5 milhões de litros em 2025, queda de 5,1% em volume. Mesmo assim, o valor exportado chegou a US$ 218,4 milhões, maior marca da série histórica.
O resultado mostra que o setor vendeu menos litros ao exterior, mas obteve receita maior. A cerveja brasileira chegou a 77 países, com forte concentração na América do Sul.
O mercado sul-americano respondeu por 98,5% do volume exportado. O Paraguai foi o principal destino, com 62,3% das vendas externas, seguido por Bolívia, Uruguai, Argentina e Chile.
As importações seguiram caminho diferente. O volume importado cresceu 251,4%, passando de cerca de 7,5 milhões para 26,3 milhões de litros. O valor subiu apenas 1,7%, para aproximadamente US$ 9,4 milhões.
Os Estados Unidos lideraram as vendas ao Brasil, com 19,5 milhões de litros, 74,2% do total importado. Alemanha, Argentina, Uruguai e Espanha completaram a lista de principais fornecedores.
Emprego direto passa de 41 mil postos na cadeia cervejeira
O setor de bebidas superou 143 mil empregos diretos em 2025. Dentro desse universo, fabricação de malte, cerveja e chope somou 41.976 postos, apesar de queda de 2,67%.
A fabricação de cerveja e chope respondeu por 41.305 empregos, enquanto malte e malte de uísque somaram 671. O segmento segue responsável por 70,24% dos empregos diretos das bebidas alcoólicas.
O diretor Hugo Caruso destacou o avanço no valor exportado e o superávit histórico da balança comercial. Márcio Maciel, do Sindicerv, associou os números à capacidade de adaptação do setor.
O Anuário da Cerveja 2026 reúne registros, produção, comércio exterior e emprego em um retrato de setor grande, mais internacionalizado e mais diverso, mas com sinais claros de desaceleração doméstica em 2025.
Este artigo foi elaborado com base em informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e Anuário da Cerveja. O conteúdo contou com apoio de ferramentas de IA na organização editorial e passou por revisão humana antes da publicação.

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