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Antes da escrita moderna existir, primeiros humanos já usavam símbolos e escrita visual há mais de 40.000 anos, aponta estudo com 260 artefatos e 3.000 sinais analisados

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 25/02/2026 às 23:45
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Estudo publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências analisou 260 artefatos do Aurignaciano, datados entre 43.000 e 34.000 anos, e identificou mais de 3.000 símbolos gravados em marfim, osso e chifre, indicando um sistema estruturado anterior à escrita formal

Um estudo publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências analisou 260 artefatos do Aurignaciano, datados entre 43.000 e 34.000 anos, e identificou um sistema convencional de símbolos, escrita visual e sinais geométricos repetíveis usados por humanos na Europa.

A pesquisa indica que os primeiros humanos modernos que viveram na Europa há cerca de 40.000 anos desenvolveram símbolos e escrita visual estruturada, composta por marcas deliberadas que iam além da decoração. O trabalho foi conduzido pelo Dr. Christian Bentz, da Universidade do Sarre e da Universidade de Passau, e pela Dra. Ewa Dutkiewicz, dos Museus Estatais de Berlim.

Segundo os autores, por volta de 45.000 anos atrás, humanos modernos chegaram à Europa Oriental e Central, onde encontraram neandertais. Nesse período de migrações e mudanças populacionais, passaram a produzir objetos móveis, como ferramentas e estatuetas feitas de marfim, osso e chifre.

Esses objetos pertencem ao tecnocomplexo Aurignaciano, fase mais antiga do Paleolítico Superior. Regiões como a Dordonha, no sudoeste da França, o Jura Suábio, no sudoeste da Alemanha, e sítios na Bélgica revelaram centenas de peças adornadas com sequências de sinais geométricos.

Sistema de símbolos e escrita visual no Aurignaciano analisado em 260 artefatos

No estudo, os pesquisadores examinaram 260 artefatos móveis provenientes de cavernas do Jura Suábio. As peças foram esculpidas entre 43.000 e 34.000 anos atrás em marfim de mamute, osso e chifre, incluindo ferramentas, contas, instrumentos musicais e estatuetas de animais e humanos.

Muitas dessas peças apresentam sequências de pontos, linhas, cruzes e outras formas geométricas. Os povos que habitaram as cavernas nesse período produziram ferramentas especializadas para cortar carne, trabalhar peles e confeccionar roupas e cordas, além das primeiras flautas feitas de ossos e marfim.

Para avaliar os símbolos e escrita visual gravados, os autores aplicaram ferramentas da teoria da informação e da linguística quantitativa. Mais de 3.000 sinais geométricos foram analisados quanto à repetição, diversidade e densidade de informação nas sequências registradas.

O Dr. Bentz afirmou que existiam muitas teorias, mas pouco trabalho empírico sobre as características mensuráveis dos sinais. As análises estatísticas mostraram que os sinais paleolíticos não se assemelhavam à escrita moderna, que tende a evitar repetições e condensar informação de forma densa.

Comparação entre símbolos paleolíticos, escrita moderna e protocuneiforme

Os resultados indicaram que os sinais aurignacianos diferem da escrita moderna, que codifica linguagem falada. A escrita, em sentido estrito, representa línguas faladas, enquanto os sinais analisados não cumprem essa função.

Apesar disso, as sequências apresentaram forte semelhança com os primeiros sinais de contabilidade conhecidos, os protocuneiformes, usados na Mesopotâmia há cerca de 5.500 anos. As sequências protocuneiformes também eram repetitivas, com sinais individuais repetidos em frequência semelhante.

Essa comparação não significa que os europeus da Era do Gelo praticavam escrita formal. As gravuras representam um sistema estável e convencional de signos, capaz de armazenar e transmitir informações visualmente, mas sem codificar linguagem falada.

Os pesquisadores observaram que as sequências repetitivas, como cruz, cruz, cruz, linha, linha, linha, não correspondem a características da linguagem falada. Ainda assim, em termos de complexidade e densidade de informação, são comparáveis às primeiras tabuletas protocuneiformes.

Regras compartilhadas e estabilidade dos símbolos e escrita ao longo de 10.000 anos

O local de aplicação dos símbolos e escrita visual também foi considerado relevante. Estatuetas esculpidas em marfim apresentavam sequências mais densas e complexas do que ferramentas de uso cotidiano.

Determinados símbolos eram associados a temas específicos. Pontos eram frequentemente gravados em figuras humanas e felinas, enquanto cruzes apareciam em mamutes e cavalos, mas nunca em figuras humanas. Essas padronizações indicam regras compartilhadas transmitidas entre gerações.

Ao longo de aproximadamente 10.000 anos, a estrutura do sistema de sinais permaneceu notavelmente estável. Diferentemente da protocuneiforme, que evoluiu rapidamente para sistemas completos de escrita à medida que economias antigas se tornaram mais complexas, os sinais aurignacianos mantiveram padrões constantes.

As descobertas reforçam a visão de que a comunicação simbólica não surgiu de forma repentina com a escrita, mas emergiu gradualmente por meio de sistemas destinados a registrar números, eventos ou conhecimento social.

Algumas marcas podem ter registrado ciclos sazonais, informações sobre caça ou conceitos rituais, embora seus significados exatos permaneçam desconhecidos. Mesmo sem decifração completa, os símbolos e escrita visual indicam capacidade estruturada de registro.

Capacidade cognitiva e produção portátil de símbolos e escrita visual

A Dra. Dutkiewicz afirmou que, anatomicamente, os humanos da Idade da Pedra já haviam atingido estágio de desenvolvimento semelhante ao dos humanos modernos. Isso sugere habilidades cognitivas comparáveis às atuais.

A capacidade de registrar e transmitir informações era considerada extremamente importante para os humanos do Paleolítico. Esse recurso pode ter permitido coordenar grupos ou contribuir para a sobrevivência em contextos de migração e mudança populacional.

Os objetos analisados demonstram alto nível de habilidade artesanal. Muitos cabem na palma da mão e eram carregados pelos seus produtores, característica que também se observa nas tabuletas protocuneiformes.

Assim, o conjunto de 260 artefatos e mais de 3.000 sinais revela que os primeiros humanos europeus desenvolveram um sistema convencional de símbolos e escrita visual repetível e estruturada, mantendo estabilidade ao longo de milênios e demonstrando organização informacional no Paleolítico Superior, ainda que não se trate de escrita no sentido estrito da palavra.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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