O pedido entrou na 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, sob análise da juíza Claudia Helena Batista, e abrange seis controladas do grupo dentro e fora do Brasil, com motivação declarada na paralisação de 47% das obras em andamento e no travamento de dois megaprojetos internacionais.
A Andrade Gutierrez entrou com pedido de recuperação extrajudicial na 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, na noite de 19 de maio. É a segunda vez em quatro anos e meio. A construtora, fundada em 1948 e responsável por obras como Itaipu, parte de Brasília e a Linha 4 do Metrô do Rio, quer renegociar R$ 3,4 bilhões em dívidas.

A imprensa especializada em economia divulgou o protocolo nesta sexta-feira, 23 de maio. O Poder360 noticiou primeiro, seguido por Capital Aberto, ADVFN, Agora RN e Megamoveleiros.
A construtora dividiu o plano em dois grupos. O primeiro reúne a Andrade Gutierrez Engenharia (AGE), a AGCS e a AGIE. O segundo cobre a AGINT, a Zagope SGPS e a Inzag Germany. São seis controladas dentro e fora do Brasil afetadas pelo mesmo aperto de caixa.
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Em comunicado oficial enviado ao Poder360, a Andrade Gutierrez disse que a operação faz parte de uma estratégia de reestruturação e desalavancagem dos passivos. Mais de 70% dos credores já teriam consentido com o novo plano antes do protocolo na Justiça.
A construtora elencou três motivos para a crise atual. A paralisação ou adiamento de 47% das obras em andamento. A alta da taxa de juros no período recente. E a disparada do dólar, que encareceu financiamentos e contratos em moeda estrangeira.
Os três fatores se combinaram em torno da segunda metade de 2025 e da primeira de 2026, drenando a liquidez disponível para honrar parcelas vencidas.
Megaprojetos travados em Gana e na República Dominicana
Os dois principais choques de carteira vieram de fora. Em Gana, no Oeste africano, uma rodovia que representava cerca de 15% da carteira da construtora travou, com valor estimado em R$ 1,4 bilhão.
Na República Dominicana, no Caribe, uma usina hidrelétrica que respondia por 32% da carteira parou, somando R$ 3,2 bilhões em projeto que estava em fase avançada de execução.
Os dois contratos juntos chegavam a quase metade do que a Andrade Gutierrez tinha em obras em andamento fora do Brasil.

A 1ª Vara de Belo Horizonte já havia homologado a primeira recuperação extrajudicial da Andrade Gutierrez em novembro de 2022, com o mesmo formato de plano consensual com credores.
O processo anterior fechou um capítulo aberto pela Operação Lava Jato, em que a Andrade Gutierrez também havia firmado acordo de leniência por R$ 214 milhões com o Ministério Público Federal.
Agora a empresa atribui o novo aperto a fatores menos políticos e mais financeiros, mas o mecanismo escolhido para encarar a dívida é o mesmo de pouco mais de três anos atrás.
Fico imaginando o que significa, para o operário de canteiro, ver a marca que ergueu Itaipu pedir socorro a credores pela segunda vez no mesmo decênio. Para o Brasil, é a fila das grandes empreiteiras nacionais que segue diminuindo.
O cenário lá fora, com hidrelétrica travada em Santo Domingo e rodovia parada em Acra, sugere que o problema da Andrade Gutierrez não é só de dentro de casa. Mas, somado ao tempo perdido em projetos públicos brasileiros, fica difícil isolar uma única causa.
Mais de 70% dos credores apoiarem o plano antes do protocolo é sinal de que a renegociação foi conduzida nos bastidores. A homologação, contudo, depende da juíza Claudia Helena Batista validar a estrutura dos dois grupos.
Enquanto isso, as obras nacionais que dependiam da Andrade Gutierrez seguem em ritmo lento, em paralelo a outras mega-obras brasileiras que arrastam o cronograma, como a ferrovia Ferrogrão, destravada pelo Supremo depois de cinco anos, e contratos privados que dependem de inovação construtiva, como o concreto bacteriano holandês que ainda não chegou a nenhuma obra-piloto nacional.
Falta saber se essa recuperação salva a engrenagem ou só adia o desfecho. E se os 70% de credores que assinaram antes vão manter o apoio quando a juíza colocar os dois planos lado a lado.
Fontes: Poder360, Capital Aberto, ADVFN, Agora RN, Megamoveleiros.
Você acredita que a Andrade Gutierrez consegue sair dessa segunda recuperação extrajudicial sem precisar de uma terceira nos próximos cinco anos?

Olá boa tarde tudo bem se possível um retorno fico muito grato pois preciso muito fazer um contato com o setor de RH da empresa referente a uma atualização no código da função de montador de andaime que consta como carpinteiro na minha carteira digital se possível o retorno para que eu possa dar mais explicações.
Contratos celebrados com a Copel, no Brasil, para ampliação de 02 Usinas Hidrelétricas em operação, Segredo e Foz do Areia, ajudarão no Caixa dessa grande empresa. Contratos assinados e obras em fase de mobilização vão ajudar nesse cenário de recuperação.