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Construtora que ergueu Itaipu, Brasília e a Linha 4 do Metrô do Rio, a Andrade Gutierrez protocola em Belo Horizonte sua segunda recuperação extrajudicial em quatro anos e meio com R$ 3,4 bilhões em dívidas e 47% das obras paralisadas

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 23/05/2026 às 17:17 Atualizado em 23/05/2026 às 17:19
Foto histórica da construção da hidrelétrica de Itaipu Binacional, obra emblemática da Andrade Gutierrez nos anos 1970
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O pedido entrou na 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, sob análise da juíza Claudia Helena Batista, e abrange seis controladas do grupo dentro e fora do Brasil, com motivação declarada na paralisação de 47% das obras em andamento e no travamento de dois megaprojetos internacionais.

A Andrade Gutierrez entrou com pedido de recuperação extrajudicial na 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, na noite de 19 de maio. É a segunda vez em quatro anos e meio. A construtora, fundada em 1948 e responsável por obras como Itaipu, parte de Brasília e a Linha 4 do Metrô do Rio, quer renegociar R$ 3,4 bilhões em dívidas.

Logotipo da Andrade Gutierrez em fachada de obra ativa com canteiro de construção ao fundo, em paisagem urbana brasileira

A imprensa especializada em economia divulgou o protocolo nesta sexta-feira, 23 de maio. O Poder360 noticiou primeiro, seguido por Capital Aberto, ADVFN, Agora RN e Megamoveleiros.

A construtora dividiu o plano em dois grupos. O primeiro reúne a Andrade Gutierrez Engenharia (AGE), a AGCS e a AGIE. O segundo cobre a AGINT, a Zagope SGPS e a Inzag Germany. São seis controladas dentro e fora do Brasil afetadas pelo mesmo aperto de caixa.

Em comunicado oficial enviado ao Poder360, a Andrade Gutierrez disse que a operação faz parte de uma estratégia de reestruturação e desalavancagem dos passivos. Mais de 70% dos credores já teriam consentido com o novo plano antes do protocolo na Justiça.

A construtora elencou três motivos para a crise atual. A paralisação ou adiamento de 47% das obras em andamento. A alta da taxa de juros no período recente. E a disparada do dólar, que encareceu financiamentos e contratos em moeda estrangeira.

Os três fatores se combinaram em torno da segunda metade de 2025 e da primeira de 2026, drenando a liquidez disponível para honrar parcelas vencidas.

Megaprojetos travados em Gana e na República Dominicana

Os dois principais choques de carteira vieram de fora. Em Gana, no Oeste africano, uma rodovia que representava cerca de 15% da carteira da construtora travou, com valor estimado em R$ 1,4 bilhão.

Na República Dominicana, no Caribe, uma usina hidrelétrica que respondia por 32% da carteira parou, somando R$ 3,2 bilhões em projeto que estava em fase avançada de execução.

Os dois contratos juntos chegavam a quase metade do que a Andrade Gutierrez tinha em obras em andamento fora do Brasil.

Edifício Graal em Belo Horizonte, onde funcionam os escritórios da Andrade Gutierrez, fachada moderna com vidro e concreto sob céu azul

A 1ª Vara de Belo Horizonte já havia homologado a primeira recuperação extrajudicial da Andrade Gutierrez em novembro de 2022, com o mesmo formato de plano consensual com credores.

O processo anterior fechou um capítulo aberto pela Operação Lava Jato, em que a Andrade Gutierrez também havia firmado acordo de leniência por R$ 214 milhões com o Ministério Público Federal.

Agora a empresa atribui o novo aperto a fatores menos políticos e mais financeiros, mas o mecanismo escolhido para encarar a dívida é o mesmo de pouco mais de três anos atrás.

Fico imaginando o que significa, para o operário de canteiro, ver a marca que ergueu Itaipu pedir socorro a credores pela segunda vez no mesmo decênio. Para o Brasil, é a fila das grandes empreiteiras nacionais que segue diminuindo.

O cenário lá fora, com hidrelétrica travada em Santo Domingo e rodovia parada em Acra, sugere que o problema da Andrade Gutierrez não é só de dentro de casa. Mas, somado ao tempo perdido em projetos públicos brasileiros, fica difícil isolar uma única causa.

Mais de 70% dos credores apoiarem o plano antes do protocolo é sinal de que a renegociação foi conduzida nos bastidores. A homologação, contudo, depende da juíza Claudia Helena Batista validar a estrutura dos dois grupos.

Enquanto isso, as obras nacionais que dependiam da Andrade Gutierrez seguem em ritmo lento, em paralelo a outras mega-obras brasileiras que arrastam o cronograma, como a ferrovia Ferrogrão, destravada pelo Supremo depois de cinco anos, e contratos privados que dependem de inovação construtiva, como o concreto bacteriano holandês que ainda não chegou a nenhuma obra-piloto nacional.

Falta saber se essa recuperação salva a engrenagem ou só adia o desfecho. E se os 70% de credores que assinaram antes vão manter o apoio quando a juíza colocar os dois planos lado a lado.

Fontes: Poder360, Capital Aberto, ADVFN, Agora RN, Megamoveleiros.

Você acredita que a Andrade Gutierrez consegue sair dessa segunda recuperação extrajudicial sem precisar de uma terceira nos próximos cinco anos?

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Daniel Rodrigues Moreira
Daniel Rodrigues Moreira
27/05/2026 14:54

Olá boa tarde tudo bem se possível um retorno fico muito grato pois preciso muito fazer um contato com o setor de RH da empresa referente a uma atualização no código da função de montador de andaime que consta como carpinteiro na minha carteira digital se possível o retorno para que eu possa dar mais explicações.

Marcello Parreira Bittencourt
Marcello Parreira Bittencourt
27/05/2026 11:02

Contratos celebrados com a Copel, no Brasil, para ampliação de 02 Usinas Hidrelétricas em operação, Segredo e Foz do Areia, ajudarão no Caixa dessa grande empresa. Contratos assinados e obras em fase de mobilização vão ajudar nesse cenário de recuperação.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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