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Cidade de 4.000 anos cresceu, ficou mais rica e reduziu a desigualdade entre moradores, revela estudo que encontrou casas cada vez mais parecidas, ausência de palácios e investimentos coletivos em drenagem, ruas organizadas e comércio

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 23/06/2026 às 18:21 Atualizado em 23/06/2026 às 18:23
Estudo revela que Mohenjo-daro ficou mais igualitária enquanto crescia, prosperava e investia em infraestrutura compartilhada há cerca de 4.000 anos.
Estudo revela que Mohenjo-daro ficou mais igualitária enquanto crescia, prosperava e investia em infraestrutura compartilhada há cerca de 4.000 anos.
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Estudo da Universidade de York publicado na revista Antiquity analisou o tamanho das moradias de Mohenjo-daro e concluiu que a desigualdade diminuiu enquanto a cidade crescia, ampliava sua produtividade e mantinha infraestrutura urbana sofisticada, sem palácios, tumbas monumentais ou sinais evidentes de riqueza concentrada em uma elite governante.

A cidade de 4.000 anos de Mohenjo-daro, maior cidade do Vale do Indo, pode ter seguido uma trajetória diferente daquela observada em outras sociedades antigas. Um estudo indica que, enquanto crescia e prosperava, a desigualdade entre seus moradores diminuía.

A pesquisa, conduzida por especialistas da Universidade de York, analisou o tamanho das casas construídas ao longo da história da cidade. Os resultados mostram que a diferença entre as maiores e as menores residências foi ficando menos acentuada conforme Mohenjo-daro amadurecia.

Cidade de 4.000 anos contraria modelo histórico

Durante muito tempo, historiadores associaram o crescimento das primeiras cidades ao aumento da desigualdade. Em centros do Egito, da Mesopotâmia e da Grécia, governantes, sacerdotes e outras elites concentraram riqueza, autoridade e construções monumentais.

Mohenjo-daro apresentou um cenário distinto. Nos períodos finais de sua ocupação, a disparidade medida pelo tamanho das moradias teria recuado para níveis semelhantes aos encontrados nas primeiras aldeias agrícolas, mesmo com a cidade mantendo grande escala urbana e atividade produtiva.

O estudo também aponta que Mohenjo-daro era mais igualitária do que sociedades comparáveis da Mesopotâmia e da Grécia.

A conclusão desafia a ideia de que cidades maiores, mais produtivas e tecnologicamente avançadas precisariam concentrar riqueza e decisões nas mãos de poucos.

Mohenjo-daro foi a maior cidade da civilização do Vale do Indo. Crédito: Universidade de York
Mohenjo-daro foi a maior cidade da civilização do Vale do Indo. Crédito: Universidade de York

Infraestrutura substituía monumentos de elites

A cidade não deixou palácios grandiosos, tumbas cheias de ouro, pirâmides ou estátuas dedicadas a governantes. Em vez dessas demonstrações de poder, seus habitantes investiram em drenagem revestida de tijolos, manutenção das ruas e planejamento urbano organizado.

Essas estruturas práticas eram distribuídas pela cidade e atendiam famílias comuns. Para os pesquisadores, isso sugere uma forma de organização baseada na cooperação coletiva e na manutenção de condições cotidianas compartilhadas, em vez da criação de privilégios exclusivos para uma pequena elite.

Outro indício aparece nos selos utilizados no comércio e nos negócios. Eles foram encontrados principalmente dentro de residências comuns, e não concentrados em edifícios públicos ou palácios, estruturas que não existiam em Mohenjo-daro nos moldes vistos em outras civilizações.

Comércio e recursos com acesso amplo

A cidade também utilizava um sistema padronizado de pesos e medidas em toda a região. Essa padronização ajudava a organizar as trocas comerciais e é apresentada pelo estudo como parte de uma estrutura que ampliava o acesso aos instrumentos econômicos usados diariamente.

As evidências não apontam para um governante único controlando recursos e decisões. Os moradores parecem ter participado coletivamente da manutenção da cidade, garantindo acesso amplo às comodidades urbanas e a uma qualidade de vida considerada elevada para aquele contexto histórico.

Publicada na revista Antiquity, a pesquisa é assinada por Adam S. Green, Iqtedar Alam e Cameron Petrie. O trabalho, divulgado em 18 de maio de 2026, sustenta que a desigualdade caiu justamente quando a produtividade de Mohenjo-daro parece ter aumentado.

Para Green, o caso demonstra que prosperidade e inovação não dependem necessariamente da concentração do poder. A experiência do Vale do Indo indica que recursos, infraestrutura e instrumentos comerciais podiam ser compartilhados enquanto um grande centro urbano permanecia produtivo durante séculos.

A descoberta transforma Mohenjo-daro em um exemplo importante para o debate sobre as origens das cidades. Em vez de confirmar que riqueza produz inevitavelmente desigualdade, a cidade de 4.000 anos revela que crescimento urbano, tecnologia e distribuição mais equilibrada podem ter coexistido.

O que mais chama sua atenção nessa organização urbana: a ausência de palácios, a redução das diferenças entre as casas ou o investimento coletivo em drenagem, ruas e comércio? Deixe sua opinião nos comentários e conte se esse modelo antigo muda sua visão sobre prosperidade, poder e desigualdade.

Fonte:Inequality declined in the Bronze Age city of Mohenjo-daro”, por Adam S. Green, Iqtedar Alam e Cameron Petrie, publicado em 18 de maio de 2026

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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