Estudo da Universidade de York publicado na revista Antiquity analisou o tamanho das moradias de Mohenjo-daro e concluiu que a desigualdade diminuiu enquanto a cidade crescia, ampliava sua produtividade e mantinha infraestrutura urbana sofisticada, sem palácios, tumbas monumentais ou sinais evidentes de riqueza concentrada em uma elite governante.
A cidade de 4.000 anos de Mohenjo-daro, maior cidade do Vale do Indo, pode ter seguido uma trajetória diferente daquela observada em outras sociedades antigas. Um estudo indica que, enquanto crescia e prosperava, a desigualdade entre seus moradores diminuía.
A pesquisa, conduzida por especialistas da Universidade de York, analisou o tamanho das casas construídas ao longo da história da cidade. Os resultados mostram que a diferença entre as maiores e as menores residências foi ficando menos acentuada conforme Mohenjo-daro amadurecia.
Cidade de 4.000 anos contraria modelo histórico
Durante muito tempo, historiadores associaram o crescimento das primeiras cidades ao aumento da desigualdade. Em centros do Egito, da Mesopotâmia e da Grécia, governantes, sacerdotes e outras elites concentraram riqueza, autoridade e construções monumentais.
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Mohenjo-daro apresentou um cenário distinto. Nos períodos finais de sua ocupação, a disparidade medida pelo tamanho das moradias teria recuado para níveis semelhantes aos encontrados nas primeiras aldeias agrícolas, mesmo com a cidade mantendo grande escala urbana e atividade produtiva.
O estudo também aponta que Mohenjo-daro era mais igualitária do que sociedades comparáveis da Mesopotâmia e da Grécia.
A conclusão desafia a ideia de que cidades maiores, mais produtivas e tecnologicamente avançadas precisariam concentrar riqueza e decisões nas mãos de poucos.

Infraestrutura substituía monumentos de elites
A cidade não deixou palácios grandiosos, tumbas cheias de ouro, pirâmides ou estátuas dedicadas a governantes. Em vez dessas demonstrações de poder, seus habitantes investiram em drenagem revestida de tijolos, manutenção das ruas e planejamento urbano organizado.
Essas estruturas práticas eram distribuídas pela cidade e atendiam famílias comuns. Para os pesquisadores, isso sugere uma forma de organização baseada na cooperação coletiva e na manutenção de condições cotidianas compartilhadas, em vez da criação de privilégios exclusivos para uma pequena elite.
Outro indício aparece nos selos utilizados no comércio e nos negócios. Eles foram encontrados principalmente dentro de residências comuns, e não concentrados em edifícios públicos ou palácios, estruturas que não existiam em Mohenjo-daro nos moldes vistos em outras civilizações.
Comércio e recursos com acesso amplo
A cidade também utilizava um sistema padronizado de pesos e medidas em toda a região. Essa padronização ajudava a organizar as trocas comerciais e é apresentada pelo estudo como parte de uma estrutura que ampliava o acesso aos instrumentos econômicos usados diariamente.
As evidências não apontam para um governante único controlando recursos e decisões. Os moradores parecem ter participado coletivamente da manutenção da cidade, garantindo acesso amplo às comodidades urbanas e a uma qualidade de vida considerada elevada para aquele contexto histórico.
Publicada na revista Antiquity, a pesquisa é assinada por Adam S. Green, Iqtedar Alam e Cameron Petrie. O trabalho, divulgado em 18 de maio de 2026, sustenta que a desigualdade caiu justamente quando a produtividade de Mohenjo-daro parece ter aumentado.
Para Green, o caso demonstra que prosperidade e inovação não dependem necessariamente da concentração do poder. A experiência do Vale do Indo indica que recursos, infraestrutura e instrumentos comerciais podiam ser compartilhados enquanto um grande centro urbano permanecia produtivo durante séculos.
A descoberta transforma Mohenjo-daro em um exemplo importante para o debate sobre as origens das cidades. Em vez de confirmar que riqueza produz inevitavelmente desigualdade, a cidade de 4.000 anos revela que crescimento urbano, tecnologia e distribuição mais equilibrada podem ter coexistido.
O que mais chama sua atenção nessa organização urbana: a ausência de palácios, a redução das diferenças entre as casas ou o investimento coletivo em drenagem, ruas e comércio? Deixe sua opinião nos comentários e conte se esse modelo antigo muda sua visão sobre prosperidade, poder e desigualdade.
Fonte: “Inequality declined in the Bronze Age city of Mohenjo-daro”, por Adam S. Green, Iqtedar Alam e Cameron Petrie, publicado em 18 de maio de 2026
