Cerca de 60 trabalhadores ficaram sem salário após o fechamento repentino da agência e o empresário responsável admitiu por e-mail que a gestão saiu do controle enquanto ex-funcionários descobriram que situações semelhantes já teriam acontecido antes com o mesmo gestor e o prejuízo total ultrapassa R$ 1 milhão.
Uma agência de marketing digital localizada em Santos, no litoral de São Paulo, encerrou as atividades de forma abrupta e deixou cerca de 60 trabalhadores sem receber seus salários. O prejuízo total estimado, incluindo dívidas com fornecedores e prestadores de serviço, já ultrapassa R$ 1 milhão. Diante do calote, os trabalhadores registraram boletins de ocorrência e iniciaram ações na Justiça para tentar recuperar os valores devidos.
O fechamento pegou todos de surpresa. O empresário responsável pela agência, Marcus Calixto, comunicou o encerramento por meio de um e-mail enviado a um dos colaboradores. Segundo informações do portal ndmais, na mensagem, ele admitiu que a gestão da empresa saiu do controle e definiu o cenário interno como “uma grande bagunça”. Para os trabalhadores que dependiam desses salários para pagar contas, aluguel e alimentação, a mensagem foi o início de um pesadelo que ainda está longe de acabar.
O que os trabalhadores descobriram após o fechamento da agência
Depois que as portas foram fechadas, os ex-funcionários fizeram algo que nenhum departamento de RH fez por eles: investigaram o histórico do gestor por conta própria.
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O levantamento interno revelou que situações semelhantes já teriam ocorrido anteriormente com o mesmo empresário o que significa que os trabalhadores da agência de Santos podem não ser as primeiras vítimas desse padrão.
O valor acumulado de débito cresce à medida que novos trabalhadores relatam a falta de pagamentos. Além dos cerca de 60 trabalhadores diretamente afetados, fornecedores e prestadores de serviço também foram prejudicados pelo fechamento repentino, elevando o montante total para além do R$ 1 milhão inicialmente estimado.
O caso expõe uma vulnerabilidade que atinge especialmente profissionais de marketing digital, um setor onde contratos informais e trabalho remoto frequentemente deixam os trabalhadores sem as garantias que a legislação trabalhista prevê.
O que o empresário disse sobre o calote nos trabalhadores
Marcus Calixto, responsável pela agência, declarou que houve falha na captação de recursos estrangeiros que culminou na quebra da operação.
Segundo ele, a empresa dependia de investimentos externos que não se concretizaram, e sem esse aporte a operação se tornou insustentável. O empresário afirmou ainda que possui a intenção de resolver as pendências financeiras com os trabalhadores.
A declaração de intenção, porém, não acompanha nenhum plano concreto de pagamento e os trabalhadores não estão dispostos a esperar.
O e-mail em que Calixto admitiu que a gestão “saiu do controle” está sendo usado como parte das evidências nos processos trabalhistas, já que a confissão de má gestão pode fortalecer os pedidos de rescisão indireta e pagamento integral das verbas devidas. Enquanto o empresário fala em intenção, os trabalhadores falam em Justiça.
O que os trabalhadores podem fazer quando a empresa fecha e não paga
O caso da agência de Santos serve como alerta para todos os trabalhadores em situação semelhante. A primeira recomendação é monitorar regularmente o depósito do FGTS pelo aplicativo e acompanhar a situação do CNPJ da empresa na Receita Federal.
Se o empregador parar de depositar FGTS ou se o CNPJ apresentar irregularidades, esses são sinais de que algo está errado e quanto antes o trabalhador agir, maiores as chances de recuperar valores.
Quando a empresa fecha sem pagar, os trabalhadores podem entrar com uma ação de rescisão indireta na Justiça do Trabalho.
Esse mecanismo funciona como uma espécie de “justa causa” aplicada pelo empregado contra o patrão permite romper o vínculo com direito a todas as verbas rescisórias: saldo de salário, férias proporcionais, 13º, multa de 40% sobre o FGTS e seguro-desemprego. É o instrumento legal que protege os trabalhadores quando o empregador descumpre suas obrigações de forma grave.
O padrão que se repete e o que os trabalhadores precisam vigiar
O fato de que os ex-funcionários encontraram indícios de que o mesmo gestor já teria agido de forma semelhante antes levanta uma questão mais ampla.
No mercado de marketing digital, onde agências abrem e fecham com velocidade e muitos trabalhadores atuam como PJ ou em contratos informais, o risco de calote é estruturalmente mais alto do que em setores tradicionais.
Os trabalhadores ficam expostos porque frequentemente não têm acesso às informações financeiras da empresa até que seja tarde demais.
Para os cerca de 60 trabalhadores da agência de Santos, a luta agora é jurídica. Os boletins de ocorrência foram registrados, as ações trabalhistas estão em andamento e o caso ganha visibilidade na mídia.
O desfecho dependerá de a Justiça conseguir localizar bens e recursos do empresário para ressarcir os trabalhadores algo que nem sempre é simples quando a empresa já fechou as portas e o responsável alega que não tem como pagar. O R$ 1 milhão em dívidas é real. O sofrimento dos trabalhadores que ficaram sem salário também.
Você já passou por uma situação parecida em que a empresa fechou sem pagar? O que acha que deveria ser feito para proteger trabalhadores desse tipo de calote?
