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Kim Jong-un manda tropas para lutar ao lado da Rússia na Ucrânia mas recusa enviar armas ao Irã: a estratégia arriscada da Coreia do Norte para agradar os Estados Unidos sem romper com seus velhos aliados

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 07/04/2026 às 13:30 Atualizado em 07/04/2026 às 13:34
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Kim Jong-un manda tropas à Rússia mas recusa armas ao Irã. Coreia do Norte quer agradar Trump sem romper aliados. Entenda a estratégia arriscada de Pyongyang.
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Kim Jong-un está jogando em vários tabuleiros ao mesmo tempo mandando soldados para a Rússia enquanto se distancia do Irã e evita criticar Trump porque a Coreia do Norte quer preservar a possibilidade de um novo relacionamento com os Estados Unidos após a guerra sem abrir mão de suas alianças históricas

Segundo informações do Canal Record News, Kim Jong-un está fazendo um jogo diplomático que poucos líderes ousariam tentar. De um lado, a Coreia do Norte envia tropas terrestres para lutar ao lado da Rússia na Ucrânia soldados norte-coreanos já foram presos e mortos pelos ucranianos. De outro, Kim Jong-un recusa enviar armas ou suprimentos ao Irã, um parceiro histórico de longa data, e evita qualquer crítica pública ao presidente norte-americano Donald Trump. A estratégia parece contraditória, mas tem uma lógica clara: manter os velhos aliados enquanto deixa a porta aberta para os Estados Unidos.

Segundo o Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul, o governo de Kim Jong-un não enviou armas ao Irã desde o início do conflito e nem sequer emitiu condolências públicas pela morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei. O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte emitiu apenas duas declarações amenas sobre o tema e segue uma tendência de evitar críticas diretas a Trump tudo isso enquanto mantém soldados de infantaria combatendo na Ucrânia ao lado das forças russas. Kim Jong-un está tentando agradar a todos ao mesmo tempo.

Por que Kim Jong-un se afastou do Irã sem romper com a Rússia

A decisão de Kim Jong-un de não enviar armas ao Irã enquanto mantém apoio militar ativo à Rússia revela uma hierarquia de prioridades.

A Rússia é o principal fornecedor de tecnologia e suporte estratégico para a Coreia do Norte uma relação que Kim Jong-un não pode perder. O Irã, embora parceiro histórico, não oferece o mesmo nível de retorno estratégico e, mais importante, manter vínculos militares ativos com Teerã prejudicaria qualquer tentativa de aproximação com Washington.

Kim Jong-un sabe que os Estados Unidos estão em guerra declarada com o Irã e que qualquer apoio militar a Teerã seria interpretado como hostilidade direta.

Ao se distanciar do Irã, a Coreia do Norte envia um sinal calculado: não somos aliados de todos os seus inimigos. É uma concessão diplomática que custa relativamente pouco a Coreia do Norte nunca dependeu do Irã como depende da Rússia ou da China mas que pode render muito se Trump decidir retomar o diálogo direto com Pyongyang.

O paradoxo de Kim Jong-un: tropas na Ucrânia e acenos a Trump

O elemento mais contraditório da estratégia de Kim Jong-un é manter soldados norte-coreanos lutando na Ucrânia ao lado da Rússia enquanto tenta preservar uma relação com os Estados Unidos.

Soldados da Coreia do Norte já participaram diretamente de combates, vários foram capturados pelos ucranianos e outros foram mortos não há ambiguidade sobre o envolvimento militar de Kim Jong-un no conflito.

Mesmo assim, Kim Jong-un aposta que isso não inviabiliza uma reaproximação futura com Trump. A lógica, segundo analistas, é que os Estados Unidos tratam a Ucrânia e a questão nuclear da Coreia do Norte como dossiês separados.

Trump já disse publicamente que gostava de Kim Jong-un, que conversou com ele e que pretendia organizar novos encontros declarações que Pyongyang interpretou como abertura real.

Para Kim Jong-un, manter tropas na Ucrânia satisfaz a Rússia sem necessariamente fechar a porta com Washington, desde que a Coreia do Norte não cruze a linha de armar diretamente os inimigos americanos.

O papel da China na estratégia de equilíbrio de Kim Jong-un

Kim Jong-un não joga apenas com Rússia, Irã e Estados Unidos a China está sempre na equação. Pequim é o maior parceiro comercial e o principal fiador econômico da Coreia do Norte, e qualquer movimento diplomático de Kim Jong-un precisa levar em conta a reação chinesa.

A China está preservando suas próprias cautelas no cenário global, e espera que a Coreia do Norte faça o mesmo nada de movimentos bruscos que desestabilizem o delicado equilíbrio da região.

Para Kim Jong-un, agradar a China significa não se aproximar demais dos Estados Unidos a ponto de parecer uma traição, mas também não provocar Washington a ponto de gerar nova escalada de tensões na península coreana.

É um jogo de equilíbrio onde Kim Jong-un tenta manter relações minimamente funcionais com todas as grandes potências simultaneamente algo que exige cálculo constante e tolerância ao risco. Manter tropas na Ucrânia agrada Moscou e Pequim; distanciar-se do Irã sinaliza boa vontade a Washington; e evitar críticas a Trump mantém viva a possibilidade de diplomacia direta.

O que Kim Jong-un realmente quer com essa estratégia

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O objetivo final de Kim Jong-un é claro: preservar o programa nuclear da Coreia do Norte sem enfrentar pressão militar ou sanções adicionais devastadoras.

Toda a manobra diplomática tropas na Rússia, distância do Irã, silêncio sobre Trump serve a esse propósito central. Se a Coreia do Norte conseguir manter canais abertos com os Estados Unidos, a probabilidade de uma escalada militar na península diminui e o regime ganha tempo para consolidar seu arsenal.

A questão é se Kim Jong-un consegue sustentar esse jogo a longo prazo. Agradar a todos ao mesmo tempo é uma estratégia que funciona até o momento em que dois aliados exigem lealdade exclusiva e com a guerra no Irã e o conflito na Ucrânia se arrastando, esse momento pode chegar mais rápido do que Pyongyang gostaria.

Para Kim Jong-un, o risco calculado é que o benefício de manter portas abertas supere o custo de não fechar nenhuma. Mas em geopolítica, quem tenta agradar a todos frequentemente acaba sem aliados quando mais precisa deles.

O que você acha da estratégia de Kim Jong-un? Ele consegue manter esse equilíbrio ou vai ser forçado a escolher um lado?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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