Após 27 anos de caminhada ininterrupta e superação de barreiras globais como o Estreito de Bering, o aventureiro britânico Karl Bushby prepara-se para o desafio final no Túnel da Mancha, visando concluir sua jornada histórica de 58.000 quilômetros até setembro de 2026.
Britânico caminha 58.000 quilômetros desde 1998 na Expedição Golias e planeja cruzar túnel de serviço de 4,8 metros no Canal da Mancha até setembro de 2026
Karl Bushby, de 56 anos, percorre 36.000 milhas ao redor do globo desde novembro de 1998, superando barreiras geográficas e burocráticas na “Expedição Golias”. A jornada de 27 anos deve ser concluída até setembro de 2026 com a travessia a pé do Canal da Mancha.
A escala da Expedição Golias e cronograma
Karl Bushby, natural de Hull, Inglaterra, iniciou sua jornada em Punta Arenas, no Chile. Ele caminha “sem parar” há 27 anos, o que o qualifica, segundo relatos, como o homem mais em forma da Terra. A previsão original de 12 anos foi amplamente superada.
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Em entrevista à BBC Radio Humberside, Bushby recordou o início em 1º de novembro de 1998. Ele descreveu a sensação de encarar uma estrada de 58.000 quilômetros — equivalente a 36.000 milhas — sem ter ideia exata de como percorrê-la integralmente.
O encerramento do desafio está previsto para ocorrer até setembro de 2026. Bushby mencionou que, devido ao longo período afastado, poderá levar algum tempo para que ele e sua família consigam “se reconhecer novamente” após o reencontro.
Desafios logísticos e geográficos enfrentados
A expedição enfrentou três grandes “déficits” ou lacunas geográficas entre países. A primeira lacuna vencida foi o Estreito de Darién, localizado entre a Colômbia e o Panamá. A segunda barreira transposta foi o Estreito de Bering, que separa os Estados Unidos da Rússia.
Bushby não pode utilizar nenhum meio de transporte para manter a validade do desafio. Isso gerou situações complexas, como sua prisão no Panamá por cruzar uma zona de fontreira fechada. Apesar disso, ele conseguiu atravessar as duas primeiras “brechas” com sucesso.
Além das barreiras físicas, houve inúmeras complicações externas. O britânico citou problemas de visto, crises financeiras e a pandemia global como obstáculos que precisaram ser superados. Houve momentos em que as dificulades o levaram a temer pela própria vida.
O trajeto recente pela Europa e Ásia
No ano passado, Bushby nadou durante 31 dias pelo Mar Cáspio. Na sequência, a viagem seguiu pelo território do Azerbaijão e, posteriormente, pela Turquia. Ele continuou a jornada em solo turco durante o mês de agosto.
A entrada na Europa ocorreu pelo Estreito de Bósforo, em Istambul, no dia 2 de maio. Antes dessa etapa europeia, ele esteve no México aguardando a aprovação de seu visto para poder dar continuidade ao tão esperado desafio de retornar para casa.
A barreira final do Canal da Mancha
O obstáculo remanescente é o Túnel da Mancha, entre a França e o Reino Unido. Eliminar essa lacuna exige uma travessia a pé pelo Eurotúnel, evitando os comboios ferroviários que circulam 24 horas por dia, 7 dias por semana.
A estratégia envolve utilizar um túnel de serviço adicional. Segundo o Grupo Getlink, esta estrutura possui 4,8 metros de diâmetro e situa-se entre os dois túneis ferroviários, mantendo uma distância de 15 metros de cada um deles.
O maior problema atual é garantir a autorização correta, visto que a passagem de pedestres é proibida. Bushby afirmou à BBC que voltar será “muito estranho”, pois seu propósito de vida chegará a um fim abrupto, exigindo uma transição rápida para novas atividades.

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