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O mundo se prepara para uma corrida armamentista com o fim de um importante pacto nuclear previsto para daqui a algumas semanas

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 10/01/2026 às 19:17
Atualizado em 10/01/2026 às 19:18
Fim de tratado nuclear entre EUA e Rússia eleva riscos globais, reduz controle sobre arsenais e reacende temor de nova corrida armamentista.
Fim de tratado nuclear entre EUA e Rússia eleva riscos globais, reduz controle sobre arsenais e reacende temor de nova corrida armamentista.
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Com a expiração iminente do último tratado nuclear que impunha limites formais aos arsenais estratégicos de Estados Unidos e Rússia, especialistas alertam para aumento de riscos globais, perda de transparência, ausência de mecanismos de controle e possibilidade concreta de uma nova corrida armamentista entre as maiores potências nucleares

O último tratado nuclear em vigor entre Estados Unidos e Rússia, o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, assinado em 2010, expira em 6 de fevereiro, encerrando quase cinco décadas de limites formais e ampliando temores globais sobre uma nova corrida armamentista nuclear.

Expiração do Novo START e o fim das restrições formais

O Novo START é o oitavo acordo firmado entre Estados Unidos e Rússia desde 1963, quando um tratado proibiu testes nucleares na atmosfera, no espaço sideral e debaixo d’água. Ele é a terceira versão do pacto START e limita cada país a 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas.

Com o vencimento do acordo, será a primeira vez em quase 50 anos que as duas maiores potências nucleares do mundo operarão sem restrições formais sobre seus arsenais estratégicos. Juntos, Estados Unidos e Rússia concentram aproximadamente 87% das ogivas nucleares existentes no planeta.

Especialistas em controle de armas alertam que a expiração do tratado pode levar ambos os países a implantar ogivas acima dos limites anteriores, acelerando o enfraquecimento da estrutura global de controle nuclear construída ao longo de décadas.

Stephen Herzog, do Instituto Middlebury de Estudos Internacionais, na Califórnia, afirmou que o fim do acordo eleva o risco global ao reduzir a transparência e permitir uma competição sem freios entre lideranças dispostas a depender de armas nucleares.

“Numa situação em que a Rússia se torna cada vez mais imprevisível, e numa situação em que a administração dos EUA, infelizmente, se torna cada vez mais imprevisível, não ter um apoio vital é crucial”, disse Herzog à revista New Scientist.

Renovação bloqueada e posições divergentes em Washington e Moscou

O texto do Novo START não permite nova prorrogação automática. Em 2021, o presidente russo Vladimir Putin e o então presidente dos Estados Unidos Joe Biden concordaram em estender o tratado por cinco anos, prazo que se encerra agora.

O presidente Donald Trump indicou que deixaria o acordo expirar sem aceitar uma proposta de Moscou para estender voluntariamente os limites de implantação das armas nucleares mais poderosas do mundo. Em entrevista ao The New York Times, Trump afirmou que não vê problema no fim do pacto.

“Se expirar, expira”, declarou Trump ao jornal, acrescentando que prefere negociar um acordo diferente. Segundo ele, um novo tratado deveria ser “melhor” e incluir outros países além de Estados Unidos e Rússia.

Trump também afirmou que a China, que possui a força nuclear estratégica de crescimento mais rápido do mundo, deveria fazer parte de qualquer tratado que substitua o Novo START, embora não tenha detalhado como isso ocorreria.

Em setembro, Putin sugeriu prorrogar os limites do tratado por mais 12 meses. Ele também propôs incluir os arsenais nucleares da Grã-Bretanha e da França em futuras negociações, proposta que ambos os países rejeitaram formalmente.

Histórico dos tratados START e o colapso progressivo

O primeiro tratado START foi assinado em 1991 e reduziu o número de ogivas nucleares estratégicas implantadas pelos dois países. Em 1993, o START II buscou cortes ainda mais profundos e proibiu o uso de ogivas múltiplas, conhecidas como MIRVs, em mísseis balísticos intercontinentais.

O START II também previa a eliminação dos mísseis russos SS-18, mas nunca entrou plenamente em vigor. A implementação foi comprometida por atrasos russos ligados à retirada dos Estados Unidos do Tratado de Mísseis Antibalísticos, o ABM.

Em 2002, a Rússia repudiou formalmente o START II, que acabou sendo substituído por acordos posteriores, culminando no Novo START. Entre todos esses pactos, o Novo START foi o único que efetivamente responsabilizou Washington e Moscou pela redução concreta de seus arsenais.

Com a ausência de negociações formais sobre um sucessor, o vencimento do tratado representa um marco no desmonte gradual do sistema de controle nuclear entre as duas potências, num contexto geopolítico marcado pela guerra na Ucrânia.

Dimensão atual dos arsenais e riscos globais

A Rússia possui atualmente o maior número de armas nucleares confirmadas do mundo, com mais de 5.500 ogivas. Uma arma nuclear lançada da Rússia por um míssil balístico intercontinental levaria cerca de 30 minutos para atingir o território continental dos Estados Unidos.

Os Estados Unidos aparecem em seguida, com 5.044 armas nucleares. Parte desse arsenal está armazenada em território americano e em outras cinco nações: Turquia, Itália, Bélgica, Alemanha e Holanda.

O total de ogivas nucleares detidas apenas por Estados Unidos e Rússia representa quase 90% de todo o arsenal nuclear mundial, segundo estimativas citadas no material base. Já os números de Coreia do Norte e Israel não são oficialmente confirmados.

Estima-se que a Coreia do Norte possua material físsil suficiente para desenvolver entre 40 e 50 armas nucleares. Israel, por sua vez, teria material para até 200 ogivas, com cerca de 90 já existentes.

Alguns acordos internacionais sobre armas nucleares continuam em vigor, embora com impacto limitado. O Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares busca a eliminação total desses armamentos, mas não conta com a adesão de nenhum país nuclear.

O Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, o TNP, possui a assinatura de várias potências nucleares, mas exerce influência restrita sobre o número total de ogivas existentes. Nesse cenário, o Novo START permaneceu como o principal mecanismo efetivo de controle.

Com Moscou e Washington concentrados no conflito na Ucrânia e sem negociações formais em andamento, o vencimnto do tratado aprofunda incertezas e reforça alertas sobre o risco de uma nova corrida armamentista nuclear em escala global.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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