Apesar do recorde em reais, a bolsa brasileira vale hoje quase a metade do pico de 2011 em dólares, segundo Rob Correa, o que pode indicar que o verdadeiro potencial ainda não começou.
A narrativa de que a bolsa brasileira vive o melhor momento da história porque o Ibovespa ultrapassou 142 mil pontos em reais não mostra a realidade completa. Em dólares, o índice vale pouco mais de 26 mil pontos, contra 45 mil em 2011, o que significa que, no cenário global, ainda está descontado. Para o analista Rob Correa, esse descompasso abre uma oportunidade rara para investidores atentos.
Esse fenômeno não é novo. Sempre que o Brasil adota disciplina fiscal e reformas estruturais, o capital estrangeiro retorna em peso, desencadeando ciclos de forte valorização. A questão, segundo Correa, é se o ambiente interno e externo será capaz de repetir esse movimento nos próximos anos.
Super ciclos que marcaram a história
Dois períodos mostram como a bolsa brasileira reage fortemente a ajustes econômicos.
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Um ciclo vicioso que pode afetar, tanto a produção, quanto a demanda. Este é o cenário que está sendo construído pela política monetária empreendida pelo Banco Central (BC), que se obriga a manter um aperto monetário (vide Selic hoje no patamar de 14,25% ao ano), para conter uma inflação resiliente (projetada em 5,33% para 2026 pelo boletim Focus), como reflexo do desajuste fiscal (despesas superam receitas) patrocinado pelo governo federal, ‘de olho’ no pleito de outubro próximo.
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Entre 2002 e 2007, após a eleição de Lula e com o boom das commodities puxadas pela China, o Ibovespa multiplicou de forma histórica.
Depois, entre 2016 e 2020, com medidas como o teto de gastos e a reforma da Previdência, o índice saltou de 39 mil para 120 mil pontos, uma valorização de 200%.
Rob Correa destaca que esses movimentos sempre dependem de confiança fiscal e política, sem os quais o ciclo pode se perder.
Para ele, as eleições de 2026 serão decisivas: se o próximo governo sinalizar responsabilidade fiscal, a bolsa brasileira pode viver um novo boom comparável aos grandes ciclos anteriores.
O papel do cenário internacional
Além das decisões internas, o ambiente global é crucial.
O Federal Reserve (Fed) mantém os juros dos EUA em torno de 5,5%, mas já indicou cortes que podem levar as taxas a 4% ou até 2% em 2025.
Com juros mais baixos nos EUA, investidores tendem a migrar para países emergentes, em busca de rentabilidade maior, o que favorece diretamente o Brasil.
Esse fluxo de capitais externos pode impulsionar ainda mais a bolsa brasileira em dólares, elevando o valor das ações nacionais em escala global.
Selic em queda abre espaço para valorização
Dentro do país, o ambiente também se mostra favorável.
A Selic está em 15%, mas a inflação projetada para 2025 é de apenas 4,8%. Isso significa que o juro real gira em torno de 10%, um dos maiores do mundo.
Para Rob Correa, esse nível é insustentável e cria espaço para cortes mais profundos na taxa básica de juros.
Historicamente, cada ciclo de queda da Selic favoreceu a bolsa.
Dados do Banco Central mostram que o Ibovespa avançou em média 20% nos seis meses seguintes ao início de cortes de juros, reforçando a expectativa positiva atual.
Três fatores para um novo ciclo
Na visão de Rob Correa, o Brasil hoje reúne três elementos decisivos: uma bolsa brasileira barata em dólares, a Selic em trajetória de queda e o Fed prestes a afrouxar a política monetária.
Essa combinação cria um cenário semelhante ao de grandes super ciclos do passado.
O alerta, no entanto, é claro: esses períodos de euforia também trazem armadilhas. Investidores sem disciplina e gestão de risco podem perder dinheiro mesmo em um ambiente aparentemente favorável.
Na sua opinião, a bolsa brasileira realmente está barata em dólares e pronta para um novo super ciclo de valorização ou o risco político pode impedir esse movimento? Acha que o cenário de juros globais vai favorecer o Brasil? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir quem acompanha esse mercado na prática.

