A Argentina caiu para a pior categoria do Índice Global dos Direitos, da Confederação Sindical Internacional, e passou a figurar entre os dez piores países para trabalhar. O relatório aponta repressão crescente a sindicatos sob Javier Milei e descreve a América Latina como a região mais hostil aos direitos dos trabalhadores.
A Argentina entrou pela primeira vez na lista dos dez piores países do mundo para trabalhar, segundo o Índice Global dos Direitos divulgado nesta segunda-feira (1º, data local) pela Confederação Sindical Internacional (CSI). O país caiu para a categoria 5, o pior nível da classificação, no segundo ano consecutivo de piora sob o governo de Javier Milei.
Para a entidade, as condições para trabalhadores e sindicatos se tornaram cada vez mais repressivas e hostis no país. O relatório cita, por exemplo, um protocolo antibloqueio que autoriza o uso indiscriminado da força policial em protestos, e classifica a queda da Argentina, que saiu da categoria 3 para a 5 em apenas dois anos, como brusca e sem precedentes.
Por que a Argentina entrou na lista dos piores

A categoria 5 reúne os países considerados os piores do mundo para trabalhar, aqueles em que, mesmo que a lei até preveja certos direitos, na prática os trabalhadores não conseguem acessá-los. Foi para esse grupo que a Argentina despencou, no que a Confederação Sindical Internacional descreve como uma deterioração inédita. Em apenas dois anos, o país passou da categoria 3 para a 5, registrando a segunda piora seguida na avaliação.
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Segundo o estudo, o ambiente para trabalhadores e sindicatos ficou mais hostil sob a gestão de Javier Milei. Um dos pontos citados é o protocolo antibloqueio, criado para manter a ordem pública em casos de bloqueios de estradas, mas que, na avaliação da entidade, abre espaço para o uso indiscriminado da força policial. O governo defende esse tipo de medida como forma de garantir a circulação e a ordem, mas a CSI a enxerga como parte de um quadro de repressão. Com a mudança, a Argentina passou a dividir o grupo dos dez piores com Belarus, Egito, Essuatíni, Mianmar, Nigéria, Tunísia e Turquia.
Panamá e Equador também entram no grupo
A Argentina não foi o único país latino-americano a entrar na lista mais crítica. Panamá e Equador também passaram a integrar o grupo dos dez piores, ampliando a presença da América Latina no pior nível do índice. No caso panamenho, a entidade afirma que trabalhadores e sindicatos carecem de garantias para seus direitos básicos e enfrentam pressão constante de empregadores e do Estado.
Já sobre o Equador, o relatório destaca a aprovação, em 2025, de uma lei que permite vigilância sem ordem judicial, além da interceptação de comunicações e da coleta de dados privados. São medidas que, segundo a CSI, ajudam a explicar por que esses países foram rebaixados e reforçam a preocupação com os direitos dos trabalhadores na região.
Como o Brasil e os vizinhos aparecem no índice
Segundo informações divulgadas pela Revista Fórum, o índice distribui os 151 países avaliados em cinco categorias. O Brasil aparece no grupo 4, de violações sistemáticas de direitos, ao lado de Costa Rica, El Salvador, Peru e Trinidad e Tobago. Um degrau acima, no grupo 3, de violações regulares, estão Bahamas, Bolívia, Chile, Jamaica, México e Paraguai.
No grupo 2, de violações repetidas, figuram Espanha, Portugal e República Dominicana. Já o grupo 1, reservado aos países com violações apenas esporádicas, reúne nações como Alemanha, Áustria, Dinamarca, Islândia, Irlanda, Noruega e Suécia. Essa fotografia mostra como a Argentina e boa parte da América Latina ficaram distantes dos países mais bem avaliados em direitos dos trabalhadores.
Uruguai, a exceção na América Latina
Em meio a esse cenário, um país da região se destaca na ponta positiva: o Uruguai é o único latino-americano no grupo 1, ao lado das democracias do norte da Europa. A Confederação Sindical Internacional trata o caso como uma exceção em uma América Latina amplamente marcada, segundo o relatório, pela repressão sindical e pela exploração.
O contraste é forte. De modo geral, a região é descrita como a mais letal do mundo para trabalhadores e seus representantes, com registros de execuções extrajudiciais na Colômbia e no México. O estudo aponta ainda que, em cerca de 9 a cada 10 países, o direito de greve foi violado e o registro de sindicatos foi impedido, e que, em torno da metade dos 25 países analisados na região, houve trabalhadores detidos ou presos.
Um alerta sobre os direitos dos trabalhadores nas democracias
Para o secretário-geral da CSI, Luc Triangle, o retrato de 2026 mostra que a crise dos direitos dos trabalhadores deixou de ser problema de poucos países e passou a atingir o coração das democracias. Na leitura dele, os governos não apenas deixaram de proteger os trabalhadores como, em alguns casos, têm contribuído para enfraquecer essas garantias.
Elaborado pela entidade desde 2014, o Índice Global dos Direitos classifica 151 países com base em 97 indicadores fundamentados nas convenções e na jurisprudência da Organização Internacional do Trabalho (OIT). É essa metodologia que dá peso ao recado do relatório e que coloca a entrada da Argentina entre os piores como um sinal de alerta para a região.
A entrada da Argentina no grupo dos dez piores países para trabalhar reacende uma discussão que divide opiniões: medidas duras contra bloqueios e protestos são defesa da ordem ou ataque aos direitos dos trabalhadores?
Conte nos comentários se você acha que o índice da Confederação Sindical Internacional retrata bem a realidade ou se vê exagero na avaliação sobre Javier Milei e a América Latina. Sua opinião pode esquentar o debate.

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