Laos ainda convive com cerca de 80 milhões de bombas não detonadas que contaminam o solo, ameaçam lavouras e mantêm um dos maiores legados de guerra ativos do mundo.
Em 2026, a República Democrática Popular do Laos continua entre os países mais afetados por explosivos remanescentes de guerra no mundo. Em estudo divulgado pelo UNDP em 29 de janeiro de 2026, a organização afirma que o país ainda convive com cerca de 80 milhões de submunições não detonadas, espalhadas pelo território desde os bombardeios realizados entre 1964 e 1973 durante o conflito no Sudeste Asiático.
Esses artefatos, classificados como UXO pela iniciativa nacional UXO Lao, não são apenas vestígios históricos. Eles continuam ativos, instáveis e potencialmente letais, afetando sobretudo comunidades rurais e agricultores que dependem da terra para plantar, circular e sobreviver. Em comunicado publicado pelo UNDP em 11 de julho de 2025, o setor de desminagem do país informou que a contaminação ainda restringe o uso seguro do solo e continua exigindo grandes operações de limpeza para liberar áreas para agricultura, infraestrutura e meios de vida.
Bombardeios massivos deixaram um dos maiores campos de explosivos não detonados do planeta
Durante a guerra, o Laos foi alvo de uma das campanhas de bombardeio mais intensas da história. Estima-se que mais de 2 milhões de toneladas de explosivos foram lançadas sobre o país, com destaque para bombas de fragmentação que liberavam centenas de pequenas submunições.
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Uma parcela significativa dessas submunições não explodiu no momento do impacto, permanecendo enterrada ou parcialmente exposta no solo.
Décadas depois, esses dispositivos continuam presentes em campos agrícolas, florestas e áreas habitadas, criando um cenário onde o passado bélico permanece fisicamente ativo no cotidiano da população.
A densidade de UXOs em algumas regiões é tão alta que atividades básicas, como arar a terra, construir casas ou abrir estradas, se tornam operações de risco.
Degradação de explosivos levanta preocupação sobre liberação de metais pesados no solo
Com o passar do tempo, os invólucros metálicos e componentes químicos das munições enterradas começam a se deteriorar.
Esse processo pode liberar substâncias potencialmente tóxicas no ambiente, incluindo metais pesados presentes na composição de alguns explosivos e seus revestimentos. Entre os elementos associados a esse tipo de contaminação estão:
- Chumbo
- Cádmio
- Arsênio
A presença desses metais no solo é motivo de preocupação, pois eles podem se acumular em ambientes agrícolas e representar riscos à saúde humana quando entram na cadeia alimentar.
No entanto, é importante destacar que não há consenso científico robusto que comprove de forma direta e generalizada que essa contaminação proveniente de UXOs esteja sendo absorvida por culturas como o arroz em larga escala no Laos.
Estudos ambientais indicam que a contaminação por metais pesados pode ocorrer em áreas específicas, mas a extensão e o impacto direto sobre alimentos ainda são objeto de pesquisa.
Agricultura sob risco constante transforma produção de alimentos em atividade perigosa
A agricultura no Laos, especialmente a produção de arroz, depende fortemente do uso de terras que, em muitos casos, estão contaminadas por UXOs.
Isso cria uma situação única no mundo: campos agrícolas que funcionam simultaneamente como áreas produtivas e zonas de risco explosivo.

Agricultores frequentemente relatam a presença de artefatos durante atividades rotineiras, como:
- Preparação do solo
- Plantio
- Colheita
Além do risco imediato de explosões, essa realidade limita o uso pleno da terra, reduzindo a produtividade e restringindo o desenvolvimento rural.
Milhares de hectares permanecem inutilizados ou subutilizados devido à presença de explosivos, mesmo décadas após o fim do conflito.
Programas de desminagem avançam, mas ritmo ainda é insuficiente
Desde o fim da guerra, esforços internacionais e nacionais vêm sendo realizados para limpar o território. Organizações como:
- UXO Lao
- UNDP
- MAG (Mines Advisory Group)
trabalham na identificação e remoção de explosivos.
Apesar dos avanços, o ritmo de desminagem enfrenta desafios significativos, incluindo:
- Alto custo das operações
- Complexidade técnica
- Extensão territorial do problema
Estimativas indicam que, no ritmo atual, pode levar décadas para que o país esteja completamente livre desses artefatos. Esse cenário prolonga o impacto do conflito muito além do seu término oficial.
Impacto humano continua sendo um dos mais graves do mundo
O Laos registra, há décadas, acidentes relacionados a UXOs, muitos deles envolvendo civis. Crianças e agricultores estão entre os grupos mais vulneráveis, frequentemente expostos ao risco durante atividades cotidianas.
Os efeitos desses acidentes incluem:
- Mortes
- Amputações
- Lesões permanentes
O legado das bombas não detonadas não é apenas ambiental ou econômico, mas profundamente humano, afetando gerações que nasceram muito depois do fim da guerra.
Contaminação ambiental ainda é tema de estudo e debate científico
Embora a presença de metais pesados em solos contaminados por atividades militares seja reconhecida em diversos contextos globais, no caso específico do Laos, a relação direta entre UXOs e contaminação alimentar em larga escala ainda não é completamente estabelecida.
Pesquisas indicam que:
- A degradação de materiais explosivos pode liberar contaminantes
- A mobilidade desses elementos no solo depende de fatores como pH, umidade e composição do terreno
- A absorção por plantas varia conforme a espécie e as condições ambientais
Isso significa que o risco existe, mas não pode ser generalizado sem evidência científica específica para cada região. A transparência sobre esse ponto é essencial para evitar interpretações exageradas ou não comprovadas.
Laos se torna símbolo global dos efeitos de longo prazo da guerra
A situação do Laos é frequentemente citada como um exemplo extremo de como conflitos armados podem deixar impactos duradouros.
Mesmo após mais de 50 anos, o país ainda enfrenta consequências diretas de decisões militares do passado.
A presença de milhões de explosivos ativos transforma o território em um dos maiores exemplos de guerra que nunca terminou completamente.
Esse cenário também levanta debates sobre responsabilidade internacional, reparação e financiamento de programas de limpeza e assistência às vítimas.
O que está em jogo para o futuro do país
A remoção dos UXOs é considerada fundamental para o desenvolvimento do Laos. Sem a limpeza completa do território, o país enfrenta limitações em áreas como:
- Agricultura
- Infraestrutura
- Expansão urbana
- Investimentos estrangeiros
Cada bomba removida representa não apenas a eliminação de um risco, mas a liberação de uma área para uso produtivo.

O avanço nesse processo pode determinar o ritmo de crescimento econômico do país nas próximas décadas.

