Sandra Nalli já formou mais de 120 mil profissionais, treina equipes de gigantes como Scania e Toyota e acaba de incorporar a NEO Automotive, especializada em diagnóstico de veículos híbridos e elétricos, para preparar o mecânico brasileiro para a maior transformação do setor em décadas
Em julho de 2026, enquanto o Brasil discute a chegada dos carros elétricos, uma empresária de oficina resolveu atacar o problema por onde ninguém olha: quem vai consertar esses carros. Sandra Nalli entrou numa oficina mecânica aos 14 anos e passou duas décadas aprendendo o ofício num setor quase exclusivamente masculino, antes de transformar essa vivência num negócio de educação.
Segundo a Exame, a Escola do Mecânico, fundada por Sandra, soma 48 unidades em 12 estados, já formou mais de 120 mil profissionais e projeta faturar R$ 80 milhões em 2026, agora turbinada pela compra da NEO Automotive, especializada em diagnóstico de veículos híbridos e elétricos. A aposta é simples e ousada: o país vai precisar de um exército de mecânicos de carro elétrico, e ela quer ser quem forma esse exército.
Da oficina aos 14 anos ao balcão de comando
A autoridade de Sandra no assunto não veio de escritório. Ela começou aos 14 anos dentro de uma oficina mecânica e passou vinte anos com a mão na graxa, num ambiente onde mulher era exceção absoluta, até entender que o gargalo do setor não era falta de carro para consertar, era falta de gente qualificada para consertar. Dessa constatação nasceu a Escola do Mecânico.
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Segundo o Times Brasil, a fundadora construiu a operação enfrentando a desconfiança de um mercado que não esperava uma mulher no comando de uma escola de mecânica, e chegou a um faturamento de R$ 70 milhões antes da meta atual. A trajetória dela virou referência de empreendedorismo no setor automotivo.
48 unidades, 120 mil formados e emprego na saída

O tamanho da operação explica por que a marca virou sinônimo de formação de mecânico no país. São 48 unidades espalhadas por 12 estados e mais de 120 mil profissionais formados, numa rede que começou como projeto social para capacitar jovens e virou franquia nacional, com braços como a Escola do Funileiro, segundo a Exame. O aluno sai do curso com ofício na mão, num mercado que paga bem e vive com vaga aberta.
E a escola não solta o aluno na porta. A empresa criou as plataformas Emprega Mecânico e Emprega+, que conectam formados a oficinas contratantes, cerca de 30% dos alunos conseguem colocação por esses aplicativos, de acordo com a Exame. O negócio também treina equipes de gigantes como Scania, Toyota, Mobil, Tirreno, Norton Saint-Gobain e MTE-Thomson, um selo de confiança da própria indústria.
A tacada dos elétricos: comprar quem já domina o diagnóstico
O movimento mais recente é o que coloca a empresa em outra prateleira. A Escola do Mecânico incorporou a NEO Automotive, fundada pelo engenheiro Nelson Fernando e especializada em diagnóstico de veículos híbridos e elétricos, numa aquisição em que os dois passam a dividir a gestão da nova operação, segundo a Exame. Em vez de montar do zero um curso de elétricos, Sandra comprou quem já domina a tecnologia.
O timing é cirúrgico. A frota eletrificada brasileira cresce ano após ano, e o carro elétrico não quebra como o carro a combustão: é software, bateria e alta tensão. O mecânico tradicional que não se atualizar vai ficar olhando o carro sem saber por onde começar, e a oficina que dominar o diagnóstico eletrônico vai cobrar caro pela escassez.
R$ 80 milhões e a meta de liderar a América Latina

A conta da holding é agressiva. A projeção é faturar R$ 80 milhões em 2026, combinando franquias, novas verticais de educação, treinamentos corporativos e a formação em eletrificação, e a meta declarada é virar, em dois anos, a principal referência em formação técnica do setor de reparação da América Latina, segundo a Exame. O foco: tecnologia embarcada, eletrificação, diagnóstico avançado e formação de instrutores.
A própria Sandra resume a ambição numa frase: “Mais do que acompanhar essa transformação, queremos liderá-la por meio da educação”, afirmou à Exame. É a diferença entre vender curso e vender o futuro de uma profissão inteira.
Por que formar mecânico virou negócio de milhões
O Brasil tem uma das maiores frotas do mundo e uma eterna carência de mão de obra qualificada na reparação. Enquanto faculdade tradicional forma gente para fila de emprego, o curso técnico de mecânica entrega ofício com demanda garantida: carro quebra todo dia, em todo lugar, e a eletrificação só aumenta o valor de quem sabe consertar o que poucos entendem. É esse descompasso que sustenta uma escola faturando dezenas de milhões.
Para o leitor que pensa em mudar de carreira, o recado embutido na história é direto: a reparação automotiva está passando pela maior virada em décadas, e quem se qualificar agora em híbridos e elétricos pega a onda no começo. A escassez de especialistas é exatamente o que transforma um curso técnico em salário alto.
A lição da mecânica que virou empresária da educação
Sandra Nalli não inventou a escola técnica, ela aplicou nela a lógica de quem conhece o chão da oficina. Começou aos 14 anos no ofício, identificou o gargalo de qualificação, montou uma rede nacional de ensino e, quando o setor inteiro começou a mudar de tecnologia, comprou a empresa certa para chegar primeiro. Cada passo veio da vivência prática, não de tese de escritório.
Num mercado automotivo que se transforma em velocidade recorde, ela aposta que educação é o único ativo que não desvaloriza.
Conta pra gente nos comentários: você confiaria seu carro elétrico a um mecânico tradicional, ou acha que essa nova geração de especialistas vai dominar as oficinas?
