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Natura acende alerta no mercado ao prever queda de até 10% na receita após escassez de produtos, consumo fraco no Brasil e ajustes que mexeram até nas franquias

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 08/07/2026 às 15:56 Atualizado em 08/07/2026 às 15:58
Exposição de cosméticos em tons terrosos em loja, representando produtos da Natura em meio a ajustes comerciais e vendas.
Display de cosméticos ilustra o mercado de beleza citado na estimativa de queda da receita da Natura.
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Receita líquida da Natura deve ficar entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões, pressionada por vendas mais fracas no Brasil.

A Natura informou, nesta quarta-feira, 8 de julho de 2026, que espera uma queda relevante na receita líquida do segundo trimestre.

Segundo a companhia, o faturamento consolidado deve ficar entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões.

Esse resultado representa uma retração entre 9% e 10% na comparação com o mesmo período de 2025.

A estimativa foi divulgada pela empresa em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários.

De acordo com a Natura, os números ainda são preliminares e serão detalhados no balanço completo de 10 de agosto de 2026.

Consumo fraco no Brasil pressionou a receita

O principal fator apontado pela Natura foi o consumo desaquecido no Brasil.

Além disso, a empresa citou desafios internos e ajustes operacionais que afetaram diretamente o desempenho no país.

Conforme a companhia, a receita líquida brasileira foi pressionada em uma magnitude maior do que a prevista inicialmente.

Esse cenário, portanto, teve impacto direto no resultado consolidado do segundo trimestre.

Escassez de produtos afetou o canal de venda por relações

Entre os problemas operacionais, a Natura destacou uma severa escassez de produtos.

Essa falta ocorreu durante a estabilização do novo sistema de Planejamento Integrado.

Além disso, a empresa passou por atualização do sistema SAP.

Ao mesmo tempo, houve relocação de volumes da fábrica de Interlagos, na zona sul de São Paulo, recentemente fechada.

Como consequência, a escassez de produtos reduziu o volume no canal de venda por relações.

Esse impacto foi ampliado pelo cenário macroeconômico mais difícil.

Canal online e franquias também desaceleraram

A Natura também informou que novas políticas de preços afetaram o canal online.

Além disso, regras comerciais entre canais provocaram uma desaceleração de curto prazo nas vendas digitais.

Outro ponto destacado foi a transição de 100% dos contratos de franquia para um novo modelo.

Com isso, houve uma redução momentânea dos estoques nas lojas franqueadas.

Consequentemente, as vendas para franquias, conhecidas como sell-in, também perderam ritmo no período.

Mudanças tributárias tiveram efeito temporário

A companhia ainda apontou um descasamento temporário de tributos.

Segundo a Natura, esse efeito ficou concentrado no segundo trimestre de 2026.

A causa foi relacionada a mudanças no imposto sobre consumo no Estado de São Paulo, o ICMS-ST.

Portanto, esse fator também contribuiu para pressionar a receita no intervalo analisado.

Região Hispânica avançou, mas não compensou o Brasil

Apesar da queda no Brasil, a Natura registrou crescimento anual positivo em moeda constante na região Hispânica.

Segundo a empresa, todos os mercados dessa região tiveram mais um trimestre de avanço consistente.

Ainda assim, esse crescimento não foi suficiente para compensar a pressão sobre a receita líquida brasileira.

Margem Ebitda deve crescer no trimestre

Por outro lado, a Natura estima expansão trimestral da margem Ebitda reportada.

Esse avanço ocorre, principalmente, por menores despesas sequenciais com rescisões.

Além disso, a empresa citou ganhos de eficiência com o novo modelo operacional.

Esses fatores, portanto, compensam parcialmente o impacto negativo da menor alavancagem operacional.

Resultado completo será divulgado em agosto

As informações completas do segundo trimestre de 2026 serão apresentadas em 10 de agosto de 2026.

Até lá, a Natura trata os dados como preliminares.

Mesmo assim, o comunicado já mostra que o Brasil teve peso central na queda estimada da receita.

A combinação entre consumo fraco, falta de produtos, ajustes internos, mudanças comerciais e efeitos tributários explica a revisão do desempenho no período.

Na sua opinião, a Natura conseguirá recuperar o ritmo de vendas nos próximos trimestres com os ajustes operacionais em andamento? Deixe seu comentário!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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