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WEG sai do esconderijo da indústria, entra forte na casa do brasileiro, conecta energia e carro elétrico, compra empresa de recarga e aposta em smart home para mandar no futuro da tomada até a garagem

Publicado em 28/12/2025 às 12:00
WEG aposta em energia, carro elétrico, smart home e recarga para sair dos bastidores e entrar na casa do brasileiro com soluções conectadas e inovadoras.
WEG aposta em energia, carro elétrico, smart home e recarga para sair dos bastidores e entrar na casa do brasileiro com soluções conectadas e inovadoras.
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A WEG, gigante catarinense da B3, usa casas conectadas, integradores e mobilidade elétrica para sair do anonimato industrial, vender soluções completas ao consumidor final, ligar carro à tomada, testar tecnologias com aquisições e preparar um ecossistema de energia da sala à garagem para o novo futuro elétrico do Brasil inteiro.

Nos últimos três anos, a WEG acelerou uma virada estratégica: depois de investir cerca de 500 milhões de dólares em motores elétricos em 2024 e alcançar a liderança global no segmento em 2025, a empresa decidiu aproximar sua marca diretamente da rotina das famílias brasileiras.

Agora, a WEG mira nas casas conectadas, na mobilidade elétrica e em aquisições focadas no usuário final, apostando em soluções que integram residência, rede de energia e veículos elétricos em um mesmo ecossistema de controle, da tomada da sala até a garagem.

De gigante industrial aos holofotes da casa do brasileiro

Entre as maiores empresas listadas na B3, com valor de mercado superior a 200 bilhões de reais, a WEG passou décadas concentrada em fornecer motores, equipamentos e sistemas para outras companhias.

A atuação era quase totalmente B2B, longe da prateleira do varejo e da lembrança direta do consumidor comum.

O CEO Alberto Kuba explica que a WEG sempre esteve nos bastidores, mas quase todo mundo tem algo feito por ela em casa sem saber.

A mudança de foco não abandona o DNA industrial, e sim amplia o alcance das soluções que a empresa já domina para que a marca passe a ser reconhecida também dentro das residências.

Smart home transforma a residência em peça do sistema elétrico

A virada ocorre em um momento de crescimento do mercado de casas conectadas, em que sistemas elétricos, telecomunicações, automação e gestão de energia começam a operar de forma integrada.

Nesse modelo de smart home, a residência deixa de ser consumidora passiva e passa a interagir com a rede elétrica, com aplicativos e com dispositivos inteligentes espalhados pelos cômodos.

A WEG quer ocupar exatamente esse miolo tecnológico oferecendo um portfólio que inclui sistemas de controle de acesso com reconhecimento facial, soluções de monitoramento, câmeras, interruptores inteligentes e outros dispositivos de gestão integrada da casa.

A estratégia é fazer o consumidor enxergar a WEG como um ecossistema completo, e não apenas como fabricante de motores ou quadros elétricos.

Mobilidade elétrica e inversão de fluxo ligam carro, tomada e rede

Além do ambiente interno da casa, a WEG avança na mobilidade elétrica com soluções que permitem tanto carregar veículos elétricos a partir da rede quanto usar a energia armazenada nas baterias dos carros para alimentar a residência em horários de tarifa mais alta ou em faltas de energia.

Essa lógica de inversão de fluxo já é realidade em países como a China, onde veículos conectados ajudam a suprir a demanda da rede em horários de pico.

Para Alberto Kuba, o carro elétrico deixa de ser apenas transporte e passa a funcionar como uma extensão do sistema energético doméstico e urbano, conectando garagem, tomada e rede pública de forma inteligente.

Aquisições menores testam tecnologias perto do consumidor

Historicamente, o crescimento da WEG foi impulsionado por fusões e aquisições em negócios industriais maduros, especialmente em motores elétricos.

Só em 2024, a companhia destinou cerca de 500 milhões de dólares a esse segmento, consolidando sua posição de liderança global.

Agora, a abordagem passa a incluir ativos mais próximos do usuário final, mas com cautela.

Segundo Kuba, a WEG não pretende ser agressiva em grandes apostas de uma vez, e sim fazer pequenas aquisições para testar tecnologias e modelos de negócio, escalando apenas o que funcionar bem junto ao público.

Tupi Mob dá à WEG acesso direto a 400 mil usuários

Um dos exemplos dessa estratégia é a compra do controle da Tupi Mob, também conhecida como Tupinambá Energia, por 38 milhões de reais.

Com a operação, a WEG passou a ter acesso direto a cerca de 400 mil usuários conectados à plataforma de recarga, uma base com a qual não tinha contato direto até então.

Mais do que o número de clientes, esse movimento entrega um campo de testes em tempo real para novas soluções de recarga, tarifas, integração entre carro elétrico, residência e rede pública.

A Tupi Mob funciona como porta de entrada para a WEG aprender rapidamente com o comportamento do usuário final e ajustar seu portfólio.

Integradores viram ponte entre a WEG e o morador

Para sustentar a expansão no mercado residencial, a WEG apoia sua estratégia em integradores, que projetam e instalam sistemas elétricos, passam cabos, configuram dispositivos conectados e, em alguns casos, administram a cobrança de energia.

Eles são o elo físico entre o que a engenharia da empresa desenvolve e aquilo que o morador enxerga funcionando no dia a dia.

Em vez de se relacionar individualmente com milhões de consumidores, a WEG fortalece essa rede de parceiros especializados que entrega a solução pronta na casa do cliente.

Na prática, o integrador vira a face visível do projeto, enquanto a WEG se consolida como o cérebro que coordena energia, automação e conectividade.

Motores seguem líderes, mas diversificação guia o futuro da WEG

Apesar da aproximação com o consumidor final, os motores elétricos continuam sendo a principal linha de negócios da WEG.

O próprio CEO reconhece, porém, que essa participação relativa tende a diminuir, justamente porque a companhia alcançou a primeira posição mundial nesse mercado em 2025 e o espaço para crescer só por aí fica mais limitado.

Por isso, a diversificação é tratada como plano permanente.

Ao combinar liderança em motores com soluções de smart home, mobilidade elétrica e serviços digitais, a WEG tenta garantir novas avenidas de crescimento e presença diária na vida do brasileiro, da tomada da sala ao carregador do carro na garagem.

Na sua opinião, a WEG consegue sair do papel de gigante invisível da indústria para disputar espaço com as marcas de tecnologia que já dominam a sua casa?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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