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Vista do espaço, um “alvo” geológico de 5,5 km cravado entre os cânions vermelhos de Utah desafia cientistas há décadas e pode esconder a marca de um impacto colossal que nunca foi totalmente explicado

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 18/04/2026 às 09:38
Atualizado em 18/04/2026 às 09:42
Assista o vídeoVista do espaço, uma imagem da NASA revela em Utah um “alvo” de 5,5 km cravado entre cânions vermelhos que parece um impacto gigante, mas intriga cientistas há décadas por sua origem ainda debatida
Formação circular de 5,5 km em Utah intriga cientistas há décadas e aparece do espaço como um “alvo” perfeito em meio a cânions.
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Formação circular de 5,5 km em Utah intriga cientistas há décadas e aparece do espaço como um “alvo” perfeito em meio a cânions.

Em texto publicado pela NASA Earth Observatory em 23 de julho de 2007, o Upheaval Dome, localizado no Parque Nacional Canyonlands, no estado de Utah, aparece como uma das formações geológicas mais incomuns dos Estados Unidos. Com cerca de 5,5 quilômetros de diâmetro, a estrutura forma um desenho circular que lembra um “alvo” no meio dos cânions avermelhados do deserto, chamando atenção não apenas pelo formato raro, mas também pela incerteza em torno de sua origem.

A própria NASA Earth Observatory descreve o local como uma feição circular marcada por camadas rochosas deformadas e dispostas em anéis, um padrão visual que há décadas alimenta o debate científico. Em painel interpretativo atualizado pelo National Park Service em 11 de novembro de 2024, o parque afirma que o local continua sendo um mistério geológico: os pesquisadores ainda discutem se a formação foi causada por um impacto de meteorito ou por um domo de sal subterrâneo, embora evidências mais recentes deem força à hipótese de impacto.

Esse conflito de interpretações transformou o Upheaval Dome em um dos exemplos mais interessantes de como a geologia pode apresentar respostas ainda em aberto mesmo em locais amplamente estudados.

O que torna o Upheaval Dome tão diferente de outras formações

A singularidade do Upheaval Dome está na sua geometria e na forma como as camadas de rocha estão organizadas. Ao contrário do relevo típico dos cânions da região, que segue padrões de erosão linear, o local apresenta uma estrutura circular altamente definida.

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No centro da formação, há um núcleo elevado composto por rochas que parecem ter sido empurradas para cima, enquanto ao redor se formam anéis concêntricos que descem em direção às bordas. Esse arranjo cria um contraste visual marcante quando observado de cima, especialmente em imagens orbitais.

Esse padrão radial e simétrico é incomum em formações puramente erosivas, o que levou pesquisadores a considerarem inicialmente a hipótese de impacto de meteorito como explicação principal.

Além disso, a escala da estrutura reforça o interesse científico. Com seus 5,5 km de diâmetro, o Upheaval Dome é grande o suficiente para ser claramente visível do espaço, mas pequeno o bastante para permitir estudos detalhados em campo.

Hipótese de impacto meteorítico ganhou força nas primeiras análises

Durante anos, a principal explicação para a origem do Upheaval Dome foi a de um impacto de meteorito. Essa hipótese se baseia em características comuns a crateras de impacto, como:

  • Estrutura circular bem definida
  • Presença de um núcleo central elevado
  • Deformação intensa das camadas rochosas

Em crateras formadas por impacto, é comum que a energia liberada pelo choque faça com que o material do subsolo seja projetado para cima, criando uma espécie de “pico central”, enquanto as bordas formam anéis ao redor.

O Upheaval Dome apresenta vários desses elementos, o que fez com que essa teoria dominasse as discussões científicas por um longo período.

No entanto, ao longo das décadas, novos estudos começaram a levantar dúvidas sobre essa interpretação.

Explicação alternativa aponta para movimentação subterrânea de sal

Uma segunda hipótese, que ganhou força com o avanço das pesquisas geológicas, sugere que o Upheaval Dome pode ter sido formado por um processo conhecido como diapirismo salino.

Nesse tipo de fenômeno, camadas de sal presentes no subsolo — mais leves e plásticas do que as rochas ao redor — podem se mover lentamente para cima ao longo de milhões de anos. Esse movimento pode deformar as camadas superiores, criando estruturas elevadas e circulares.

Vista do espaço, uma imagem da NASA revela em Utah um “alvo” de 5,5 km cravado entre cânions vermelhos que parece um impacto gigante, mas intriga cientistas há décadas por sua origem ainda debatida
Foto: Upheaval Dome, Utah/NASA

No caso de Utah, sabe-se que a região possui depósitos significativos de sal subterrâneo, o que torna essa explicação plausível do ponto de vista geológico.

Segundo essa teoria, o “alvo” visível hoje seria resultado do colapso posterior dessa estrutura elevada, após o sal ter se dissolvido ou deslocado ao longo do tempo.

Essa hipótese explica algumas características que não se encaixam perfeitamente no modelo de impacto, como a ausência clara de certos minerais típicos de colisões meteoríticas.

Evidências ainda não são conclusivas e mantêm o debate aberto

Apesar de décadas de estudo, nenhuma das duas hipóteses foi capaz de explicar completamente todas as características do Upheaval Dome.

Pesquisas já identificaram indícios que favorecem cada uma das interpretações, mas também revelaram lacunas importantes:

  • Alguns sinais de deformação sugerem impacto
  • Outros indicam movimentação interna de material
  • Não há consenso definitivo sobre a presença de materiais típicos de impacto

Esse conjunto de evidências contraditórias é o que mantém o debate científico aberto até hoje. A própria NASA reconhece que o local continua sendo objeto de estudo e discussão, demonstrando que, mesmo em um planeta amplamente mapeado, ainda existem estruturas cuja origem não é completamente compreendida.

Visão do espaço reforça o impacto visual da formação

Quando observado a partir de satélites, o Upheaval Dome se destaca de forma impressionante no meio da paisagem árida de Utah.

Enquanto os cânions ao redor apresentam linhas irregulares e erosão típica de rios e ventos, a estrutura circular surge como uma anomalia visual clara, quase geométrica.

Esse contraste é o que faz com que a formação seja frequentemente comparada a um “alvo” desenhado no meio do deserto, especialmente em imagens captadas por sensores orbitais da NASA.

Além disso, a coloração avermelhada das rochas ao redor, típica da região, intensifica ainda mais o destaque da estrutura, criando um efeito visual que reforça a percepção de algo “fora do padrão natural”.

Local virou referência para estudos geológicos e turismo científico

Além do interesse acadêmico, o Upheaval Dome também se tornou um ponto importante para turismo científico e educacional dentro do Parque Nacional Canyonlands.

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O local conta com trilhas e mirantes que permitem observar a estrutura de diferentes ângulos, facilitando a compreensão da sua forma e escala.

Para geólogos, a região funciona como um verdadeiro laboratório natural, onde é possível estudar processos como:

  • Deformação de rochas sedimentares
  • Erosão ao longo de milhões de anos
  • Dinâmica de estruturas subterrâneas

Essa combinação de acessibilidade e complexidade científica torna o local único dentro do cenário geológico norte-americano.

Estruturas como essa mostram que ainda há mistérios na Terra

O caso do Upheaval Dome reforça uma ideia fundamental: mesmo com tecnologia avançada e décadas de pesquisa, ainda existem formações naturais cuja origem não é completamente compreendida.

Isso acontece porque processos geológicos podem envolver múltiplos fatores ao longo de milhões de anos, dificultando a reconstrução precisa dos eventos. O Upheaval Dome é um exemplo claro de como a Terra ainda guarda estruturas que desafiam explicações definitivas, mesmo quando estão expostas e acessíveis.

Você acredita que o “alvo” de Utah nasceu de um impacto ou de forças subterrâneas?

A existência de duas hipóteses fortes e conflitantes torna o Upheaval Dome um caso raro dentro da geologia.

De um lado, a ideia de um impacto cósmico que teria moldado a região de forma instantânea.
Do outro, a hipótese de um processo lento e subterrâneo que deformou a paisagem ao longo de milhões de anos.

Diante disso, fica a reflexão: essa estrutura nasceu de um evento violento vindo do espaço ou de um processo invisível que ocorreu sob nossos pés por milhões de anos?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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