Sindicatos venezuelanos denunciam desaparecimento forçado de 160 trabalhadores e 20 dirigentes sindicais, com detenções ilegais e acusações arbitrárias. Com 889 presos políticos segundo o Foro Penal e alerta da ONU em setembro, 33 organizações correm à OIT e convocam protesto em 15 de janeiro por liberdade e proteção aos trabalhadores.
Representantes de 33 sindicatos venezuelanos denunciaram o desaparecimento forçado de 160 trabalhadores e 20 dirigentes sindicais, resultado de detenções consideradas ilegais nos últimos anos. Entre os casos mais graves, apontam o do secretário-geral da Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV), José Elías Torres, detido em 29 de novembro em sua casa em Caracas pela Polícia Nacional Bolivariana e mantido desde então sem local de detenção oficialmente conhecido, segundo os sindicalistas.
Segundo defensores de direitos humanos, o país vive um padrão contínuo de detenções arbitrárias e crescente perseguição política. A ONG Foro Penal contabiliza 889 presos políticos, enquanto uma missão de especialistas da ONU alertou, em setembro, para o aumento dessa perseguição. Em meio a esse quadro, os sindicatos recorreram à Organização Internacional do Trabalho e convocaram um protesto em 15 de janeiro para exigir liberdade, proteção aos trabalhadores e respeito à atuação sindical.
Desaparecimento de trabalhadores e líderes sindicais vira caso nacional
Em entrevista coletiva, os representantes de 33 sindicatos detalharam como, nos últimos anos, trabalhadores e dirigentes sindicais têm sido levados por forças de segurança sem transparência.
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De acordo com eles, ao menos 160 trabalhadores e 20 líderes foram detidos em operações nas quais as famílias não recebem informação clara sobre a situação jurídica nem sobre o local onde os detidos se encontram.
Os sindicatos afirmam que essa prática configura “detenção ilegal” e “desaparecimento forçado” de trabalhadores, já que não há comunicação imediata com defensores, advogados ou organizações de direitos humanos.
Segundo as entidades, a repetição dos casos mostra um método para punir a participação em greves, protestos e mobilizações por salários e direitos trabalhistas, atingindo tanto dirigentes quanto trabalhadores de base.
Encarceramento de José Elías Torres expõe ofensiva contra movimento de trabalhadores
O caso de José Elías Torres, secretário-geral da maior central operária do país, é apontado como símbolo dessa ofensiva.
Torres, líder da Confederação de Trabalhadores da Venezuela, foi detido em 29 de novembro em sua casa, em Caracas, e desde então seu paradeiro é oficialmente desconhecido, relatam os sindicalistas. Para as organizações, manter um dirigente de alto nível sem informação pública sobre o local de custódia envia um recado direto ao movimento sindical.
O dirigente Pedro Eusse afirma que “o encarceramento de José Elías Torres não é um fato isolado, é parte de uma ofensiva que mantém dirigentes sindicais e trabalhadores atrás das grades sob processos judiciais”.
Segundo ele, a estratégia é enfraquecer a representação dos trabalhadores por meio de acusações penais e processos considerados arbitrários, criando um ambiente de medo que desestimula greves, assembleias e reivindicações coletivas em todo o país.
Dados de Foro Penal e alerta da ONU reforçam denúncia de presos políticos
As denúncias dos sindicatos se somam a números apresentados por organizações de direitos humanos. A ONG Foro Penal contabiliza 889 presos políticos na Venezuela, entre opositores, ativistas, estudantes e também trabalhadores ligados a movimentos sindicais.
Para as entidades, uma parcela desses casos está diretamente relacionada à participação em protestos trabalhistas, paralisações e organizações de base.
Em relatório apresentado por uma missão de especialistas, a ONU advertiu, em setembro, que a perseguição por motivos políticos se intensificou nos últimos meses, com novas detenções, processos e restrições a críticos do governo.
Os sindicatos avaliam que essa intensificação atinge em cheio os trabalhadores, já que lideranças sindicais que questionam salários, condições de trabalho ou políticas públicas vêm sendo tratadas como ameaça à estabilidade política.
Sindicatos correm à OIT e retomam relatório de 2019 sobre liberdade sindical
Diante da escalada, os representantes de 33 sindicatos anunciaram que recorrerão formalmente à Organização Internacional do Trabalho para solicitar proteção.
Eles lembram que a OIT publicou, em 2019, um relatório apontando violações de convenções assinadas pela Venezuela, incluindo restrições à liberdade sindical e interferência na atuação independente dos trabalhadores. Agora, as novas detenções e desaparecimentos são apresentadas como evidência de que o cenário piorou desde então.
As organizações sindicais afirmam que vão lutar “pela defesa da autonomia sindical e pela liberdade plena para todos os presos do movimento sindical”.
Como parte dessa estratégia, convocaram um protesto em 15 de janeiro, com foco na libertação de dirigentes e trabalhadores detidos, no fim da perseguição e no respeito aos acordos internacionais.
Diante desse quadro de desaparecimentos, presos políticos e denúncias de perseguição a trabalhadores e dirigentes sindicais, você acredita que a atuação da OIT e de outros organismos internacionais pode realmente pressionar o governo venezuelano a libertar os trabalhadores detidos e recuar na repressão?

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