Death Valley, nos EUA, detém o recorde mundial de 56,7°C. Entenda como o relevo do vale aprisiona o calor e cria um dos ambientes mais extremos da Terra.
Quando se fala em calor extremo, muitas pessoas pensam automaticamente em desertos como o Saara ou regiões do Oriente Médio. Mas o recorde oficial de temperatura do ar mais alta já registrada na Terra pertence a um lugar nos Estados Unidos: o Death Valley, na Califórnia.
De acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e a World Meteorological Organization (WMO), a maior temperatura já registrada foi de 56,7°C, medida em 10 de julho de 1913 na região de Furnace Creek. Esse número permanece imbatível mais de um século depois, consolidando o local como o ponto mais quente já registrado com medições oficiais.
Um vale abaixo do nível do mar que aprisiona calor
Um dos fatores mais importantes para explicar esse calor extremo é a geografia única da região. O ponto mais baixo do vale, conhecido como Badwater Basin, está a cerca de 86 metros abaixo do nível do mar, tornando-o o ponto mais baixo da América do Norte.
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Segundo o National Park Service, essa característica cria um ambiente onde o ar quente tende a se acumular. O vale é cercado por cadeias montanhosas altas e íngremes, que funcionam como barreiras naturais.
Essas montanhas dificultam a circulação do ar, impedindo que o calor escape com facilidade. Como resultado, o ar quente fica preso, se intensifica e cria condições extremas.
O efeito “forno natural” do deserto
O Death Valley funciona quase como um forno natural. Durante o dia, a radiação solar aquece intensamente o solo e as rochas do deserto. À noite, em vez de dissipar rapidamente, esse calor é irradiado de volta para o ar, mantendo as temperaturas elevadas mesmo após o pôr do sol.
O relevo profundo e fechado amplifica esse efeito. O ar quente, mais denso em determinadas condições, desce para o fundo do vale e fica acumulado. Ao mesmo tempo, a ausência de umidade significativa reduz a capacidade do ambiente de dissipar calor.
Esse conjunto de fatores — baixa altitude, relevo fechado, solo quente e ar seco — cria uma combinação perfeita para temperaturas extremas.
Um recorde confirmado por ciência e monitoramento global
O registro de 56,7°C não é apenas um dado histórico isolado. Ele foi analisado, revisado e mantido por instituições científicas ao longo do tempo.
A World Meteorological Organization mantém o arquivo oficial de extremos climáticos do planeta e confirma que o Death Valley continua sendo o detentor do recorde mundial.
Além disso, o Comitê Nacional de Extremos Climáticos dos Estados Unidos, ligado à NOAA, também valida esse registro como o mais alto já medido com precisão.
Muito além de um número: um ambiente extremo
O Death Valley não é apenas o lugar com o maior recorde de temperatura. Ele também é um dos ambientes mais extremos do planeta em termos de condições climáticas.
Durante o verão, temperaturas acima de 45°C são comuns, e o solo pode atingir valores ainda mais elevados. A combinação de calor intenso, ar seco e radiação solar direta cria um cenário hostil, onde a sobrevivência exige adaptação extrema.
Mesmo assim, o local abriga formas de vida adaptadas e atrai visitantes do mundo inteiro, curiosos para conhecer de perto o lugar onde a Terra atinge seus limites térmicos.
O que torna esse fenômeno único no planeta
Embora outras regiões do mundo também registrem temperaturas muito altas, nenhuma conseguiu superar oficialmente o valor registrado no Death Valley.
Isso ocorre porque poucos lugares combinam tantos fatores favoráveis ao calor extremo ao mesmo tempo: altitude negativa, relevo fechado, céu limpo, baixa umidade e intensa radiação solar.
No fim das contas, o Death Valley não é apenas um deserto quente. É um exemplo claro de como a geografia pode moldar o clima de forma extrema, transformando um vale isolado em um dos pontos mais inóspitos da Terra — e, até hoje, o mais quente já registrado.


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