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A Usiminas fechou contrato para fornecer 5.200 toneladas de aço especial para as quatro fragatas mais avançadas que a Marinha do Brasil já construiu — cada navio leva 1.300 toneladas de chapas que precisam resistir ao mar e a explosões

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 21/04/2026 às 11:30
Fragata Classe Tamandaré em construção no estaleiro de Itajaí com guindastes
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A Usiminas se tornou a única siderúrgica brasileira selecionada para fornecer todo o aço das quatro fragatas Classe Tamandaré — o maior projeto naval militar do Brasil em décadas, que exige 5.200 toneladas de chapas especiais capazes de resistir ao mar e a impactos de combate

Cada uma das quatro fragatas Classe Tamandaré consome cerca de 1.300 toneladas de aço plano especial.

Somadas, as quatro embarcações vão usar 5.200 toneladas de chapas grossas e bobinas laminadas a quente — todo o material vindo exclusivamente de duas fábricas da Usiminas.

As chapas grossas são produzidas em Ipatinga (MG) e as bobinas em Cubatão (SP).

O aço precisa atender padrões internacionais de resistência mecânica, qualidade de solda e suporte a condições severas do ambiente marítimo.

Testes no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Usiminas incluíram ensaios mecânicos, análises macro e microestruturais, de dureza, impacto e juntas soldadas.

A Marinha do Brasil homologou o material após processo rigoroso de certificação.

Chapas grossas de aço sendo processadas na siderúrgica da Usiminas em Ipatinga
As chapas grossas de aço da Usiminas passam por ensaios de impacto, dureza e soldabilidade antes de serem enviadas ao estaleiro.

As fragatas mais avançadas já construídas no Brasil

O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) é um dos projetos mais estratégicos da Marinha do Brasil.

São quatro navios de guerra projetados para modernizar a frota naval com alta complexidade tecnológica.

A construção acontece no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, Santa Catarina.

O projeto é gerenciado pela EMGEPRON (Empresa Gerencial de Projetos Navais) e executado pela Águas Azuis.

A Águas Azuis é uma sociedade formada por três gigantes: thyssenkrupp Marine Systems (TKMS) da Alemanha, Embraer e Atech.

A primeira fragata — batizada Tamandaré — foi lançada ao mar em 2024 e entregue à Marinha em março de 2025.

As outras três estão em diferentes estágios de construção no estaleiro catarinense.

O aço que precisa aguentar o mar e a guerra

Não é qualquer aço que serve para um navio de guerra.

As chapas precisam resistir à corrosão marinha, a variações extremas de temperatura e a impactos.

A Usiminas desenvolveu um processo específico de fabricação para atender às exigências da Marinha.

As chapas grossas são o esqueleto da fragata — são elas que formam o casco, as anteparas e as estruturas de proteção.

As bobinas laminadas a quente complementam em áreas que exigem conformação mais flexível.

O material passou por certificação de entidades internacionais de classificação naval.

Fragata militar navegando em mar aberto com ondas e céu dramático
As fragatas Classe Tamandaré são projetadas para operações de defesa em águas brasileiras com tecnologia de ponta.

Soberania: o aço é 100% brasileiro

Um dos aspectos mais relevantes do contrato é que todo o aço é produzido em território nacional.

Em projetos anteriores, o Brasil importava parte do material para construção naval militar.

Com a Usiminas como fornecedora exclusiva, o país demonstra capacidade de produzir localmente um insumo crítico de defesa.

A Usiminas movimenta R$ 7,8 bilhões com fornecedores mineiros, impulsionando a cadeia produtiva em Minas Gerais.

O fornecimento para as fragatas reforça a posição da empresa como pilar da indústria de defesa nacional.

A parceria com a Alemanha e a transferência de tecnologia

A TKMS, dona do projeto original das fragatas, é uma das maiores construtoras navais militares do mundo.

O programa inclui transferência de tecnologia para a indústria brasileira.

Isso significa que, além de construir os navios, o Brasil absorve conhecimento para futuros projetos.

A presença da Embraer e da Atech no consórcio garante participação de tecnologia nacional em sistemas eletrônicos e de combate.

O objetivo é que o Brasil consiga projetar e construir navios desse porte de forma cada vez mais independente.

Soldador trabalhando em chapas de aço grosso em estaleiro naval brasileiro
A soldagem naval exige aço com qualidade certificada internacionalmente — cada junta precisa aguentar décadas de operação em alto-mar.

Por que o Brasil precisa dessas fragatas

O Brasil tem a maior costa atlântica do hemisfério sul.

São mais de 7.400 km de litoral e uma Zona Econômica Exclusiva que se estende por 3,5 milhões de km².

Nessa área estão as reservas do pré-sal, rotas comerciais vitais e recursos pesqueiros.

As fragatas Classe Tamandaré foram projetadas para patrulhar e defender essas águas.

Sem navios modernos, o Brasil não consegue proteger sua maior riqueza mineral: o petróleo submarino.

As fragatas anteriores da Marinha têm décadas de uso e já ultrapassaram a vida útil projetada.

O que falta saber

O valor exato do contrato entre a Usiminas e o consórcio Águas Azuis não foi divulgado publicamente.

Os prazos de entrega das três fragatas restantes também não têm datas confirmadas.

A parceria com a TKMS alemã, embora traga tecnologia, também levanta questões sobre dependência de componentes estrangeiros em outros sistemas dos navios.

Ainda assim, o fato de o aço ser 100% nacional é um marco.

É a primeira vez que o Brasil constrói fragatas desse nível usando exclusivamente material siderúrgico produzido no próprio país.

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Bruno
Bruno
28/04/2026 17:49

Aço CLC ,caro. Só quero ver qual vai ser a desculpa pra pagar mal a PL desse ano.

Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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