A Usiminas se tornou a única siderúrgica brasileira selecionada para fornecer todo o aço das quatro fragatas Classe Tamandaré — o maior projeto naval militar do Brasil em décadas, que exige 5.200 toneladas de chapas especiais capazes de resistir ao mar e a impactos de combate
Cada uma das quatro fragatas Classe Tamandaré consome cerca de 1.300 toneladas de aço plano especial.
Somadas, as quatro embarcações vão usar 5.200 toneladas de chapas grossas e bobinas laminadas a quente — todo o material vindo exclusivamente de duas fábricas da Usiminas.
As chapas grossas são produzidas em Ipatinga (MG) e as bobinas em Cubatão (SP).
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O aço precisa atender padrões internacionais de resistência mecânica, qualidade de solda e suporte a condições severas do ambiente marítimo.
Testes no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Usiminas incluíram ensaios mecânicos, análises macro e microestruturais, de dureza, impacto e juntas soldadas.
A Marinha do Brasil homologou o material após processo rigoroso de certificação.

As fragatas mais avançadas já construídas no Brasil
O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) é um dos projetos mais estratégicos da Marinha do Brasil.
São quatro navios de guerra projetados para modernizar a frota naval com alta complexidade tecnológica.
A construção acontece no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, Santa Catarina.
O projeto é gerenciado pela EMGEPRON (Empresa Gerencial de Projetos Navais) e executado pela Águas Azuis.
A Águas Azuis é uma sociedade formada por três gigantes: thyssenkrupp Marine Systems (TKMS) da Alemanha, Embraer e Atech.
A primeira fragata — batizada Tamandaré — foi lançada ao mar em 2024 e entregue à Marinha em março de 2025.
As outras três estão em diferentes estágios de construção no estaleiro catarinense.
O aço que precisa aguentar o mar e a guerra
Não é qualquer aço que serve para um navio de guerra.
As chapas precisam resistir à corrosão marinha, a variações extremas de temperatura e a impactos.
A Usiminas desenvolveu um processo específico de fabricação para atender às exigências da Marinha.
As chapas grossas são o esqueleto da fragata — são elas que formam o casco, as anteparas e as estruturas de proteção.
As bobinas laminadas a quente complementam em áreas que exigem conformação mais flexível.
O material passou por certificação de entidades internacionais de classificação naval.

Soberania: o aço é 100% brasileiro
Um dos aspectos mais relevantes do contrato é que todo o aço é produzido em território nacional.
Em projetos anteriores, o Brasil importava parte do material para construção naval militar.
Com a Usiminas como fornecedora exclusiva, o país demonstra capacidade de produzir localmente um insumo crítico de defesa.
A Usiminas movimenta R$ 7,8 bilhões com fornecedores mineiros, impulsionando a cadeia produtiva em Minas Gerais.
O fornecimento para as fragatas reforça a posição da empresa como pilar da indústria de defesa nacional.
A parceria com a Alemanha e a transferência de tecnologia
A TKMS, dona do projeto original das fragatas, é uma das maiores construtoras navais militares do mundo.
O programa inclui transferência de tecnologia para a indústria brasileira.
Isso significa que, além de construir os navios, o Brasil absorve conhecimento para futuros projetos.
A presença da Embraer e da Atech no consórcio garante participação de tecnologia nacional em sistemas eletrônicos e de combate.
O objetivo é que o Brasil consiga projetar e construir navios desse porte de forma cada vez mais independente.

Por que o Brasil precisa dessas fragatas
O Brasil tem a maior costa atlântica do hemisfério sul.
São mais de 7.400 km de litoral e uma Zona Econômica Exclusiva que se estende por 3,5 milhões de km².
Nessa área estão as reservas do pré-sal, rotas comerciais vitais e recursos pesqueiros.
As fragatas Classe Tamandaré foram projetadas para patrulhar e defender essas águas.
Sem navios modernos, o Brasil não consegue proteger sua maior riqueza mineral: o petróleo submarino.
As fragatas anteriores da Marinha têm décadas de uso e já ultrapassaram a vida útil projetada.
O que falta saber
O valor exato do contrato entre a Usiminas e o consórcio Águas Azuis não foi divulgado publicamente.
Os prazos de entrega das três fragatas restantes também não têm datas confirmadas.
A parceria com a TKMS alemã, embora traga tecnologia, também levanta questões sobre dependência de componentes estrangeiros em outros sistemas dos navios.
Ainda assim, o fato de o aço ser 100% nacional é um marco.
É a primeira vez que o Brasil constrói fragatas desse nível usando exclusivamente material siderúrgico produzido no próprio país.

Aço CLC ,caro. Só quero ver qual vai ser a desculpa pra pagar mal a PL desse ano.
Comentário direto ao ponto, Bruno. Aço de alta resistência tratado para uso naval é mais caro mesmo, e os contratos navais têm margens diferenciadas em relação ao aço comercial. Sobre a PL, vai depender do balanço consolidado do ano — o contrato de 5.200 toneladas para as fragatas Tamandaré pesa nas receitas mas não move o resultado de forma decisiva. Vamos ver o fechamento.