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Na Holanda, moradores compram terrenos em cidade perto de Amsterdã, descobrem que além de planejar suas casas, precisam também construir ruas, drenagem, cuidar dos resíduos e ainda plantar comida em metade do próprio lote

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 22/06/2026 às 19:42
Atualizado em 22/06/2026 às 19:45
Moradores compram terrenos na Holanda e descobrem que precisam construir ruas e mais fatores ao redor de suas casas.
Imagem ilustrativa: Moradores compram terrenos na Holanda e descobrem que precisam construir ruas e mais fatores ao redor de suas casas.
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Oosterwold, em Almere, mostra uma forma incomum de pensar casa própria, porque junta moradia alternativa, agricultura urbana, ruas feitas pelos moradores e responsabilidade coletiva em uma área planejada perto de Amsterdã

Na Holanda, moradores compram terrenos em Oosterwold, cidade perto de Amsterdã, e encontram uma regra bem diferente da compra comum de um lote: além de planejar a própria casa, também precisam lidar com ruas, drenagem, resíduos e produção de comida.

As informações foram divulgadas por MVRDV, escritório de arquitetura e urbanismo dos Países Baixos. A estratégia de Almere Oosterwold envolve uma área de 43 km² e aparece ligada ao ano 2011, com implantação em Oosterwold, em Almere.

A ideia chama atenção porque muda o sentido de casa própria. O morador ganha liberdade para construir, mas essa liberdade vem junto com responsabilidade coletiva sobre o bairro onde vai viver.

Um bairro onde comprar terreno não significa receber tudo pronto

Em muitos loteamentos, a pessoa compra o terreno e espera encontrar ruas, redes básicas, drenagem e regras já organizadas. Em Oosterwold, a lógica é diferente.

O morador pode desenhar a própria casa, mas também participa da formação do entorno. Isso inclui caminhos, áreas verdes, armazenamento de água, coleta de resíduos, energia e agricultura urbana.

Um bairro onde comprar terreno para construir casa própria não significa receber tudo pronto
Um bairro onde comprar terreno para construir casa própria não significa receber tudo pronto

Para entender de forma simples, Oosterwold funciona como um bairro em que a casa não fica separada do restante da estrutura. Quem escolhe morar ali precisa pensar também no que faz a vizinhança funcionar.

Moradia alternativa com liberdade para construir e obrigação de cuidar da infraestrutura

A proposta de Oosterwold dá liberdade para cada morador criar a própria moradia. Isso permite casas diferentes, terrenos com usos variados e um desenho menos padronizado do que o visto em muitos bairros comuns.

Mas essa liberdade não elimina responsabilidades. A pessoa pode desenvolver o próprio lote, mas também precisa viabilizar partes necessárias do bairro, como um trecho de rua, energia, saneamento, coleta de resíduos, área verde pública e agricultura urbana.

Saneamento é o conjunto de cuidados com água, esgoto e higiene do lugar. Já drenagem é o jeito de conduzir a água da chuva para evitar acúmulo, lama e problemas nos acessos.

A regra que mais chama atenção obriga o morador a plantar comida no próprio lote

The Guardian, jornal britânico com editoria de meio ambiente, registrou a regra de Oosterwold que exige produção de alimentos em pelo menos 50% da propriedade. Esse ponto transforma o bairro em um caso curioso para quem pensa em cidade, moradia e sustentabilidade.

A agricultura urbana é o plantio de alimentos dentro da cidade ou em áreas próximas à vida urbana. Em Oosterwold, ela não aparece apenas como jardim bonito ou detalhe verde.

A regra faz o lote ter outra função. Além de abrigar a casa própria, uma parte importante do terreno precisa produzir comida. Por isso, a moradia fica ligada ao uso do solo de uma maneira mais direta.

O desenho geral separa construção, ruas, verde, água e agricultura urbana

A estratégia de Almere Oosterwold trabalha com uma divisão clara da área para manter o caráter rural do lugar. A organização prevê 18% para construção, 8% para vias, 13% para verde público, 2% para água e 59% para agricultura urbana.

Esses percentuais mostram por que o bairro foge do modelo tradicional. A maior parte da área não fica voltada para casas ou ruas, mas para produção de alimentos.

A organização prevê 18% para construção, 8% para vias, 13% para verde público, 2% para água e 59% para agricultura urbana.
A organização prevê 18% para construção, 8% para vias, 13% para verde público, 2% para água e 59% para agricultura urbana.

O número de 50% aparece ligado à exigência de plantio dentro da propriedade. Já os 59% indicam a parcela da área geral destinada à agricultura urbana. Os dois dados ajudam a entender a força da produção de comida no projeto.

Oosterwold não é um condomínio comum e nem uma chácara urbana brasileira

Oosterwold pode lembrar um condomínio de chácaras, mas a comparação precisa de cuidado. Em muitos condomínios, as vias internas, a infraestrutura e as regras de uso já chegam prontas para o comprador.

Em Oosterwold, o morador participa mais da criação do bairro. Isso muda a relação com o terreno, porque morar ali envolve decisões que passam pela casa própria e também pela estrutura coletiva.

A diferença está no peso da responsabilidade. O comprador não entra apenas como dono de uma área privada. Ele passa a fazer parte de um modelo em que o bairro depende da ação dos próprios moradores.

O que essa experiência perto de Amsterdã faz o Brasil pensar sobre cidades

O Brasil não precisa copiar Oosterwold para tirar lições do caso. A experiência ajuda a pensar em como ruas, drenagem, resíduos, áreas verdes e comida podem entrar no planejamento antes de o bairro crescer de forma desorganizada.

Em muitas cidades brasileiras, o problema aparece quando casas surgem antes da estrutura básica. Depois, moradores enfrentam ruas ruins, água parada, falta de áreas verdes e serviços distantes.

Oosterwold não é um condomínio comum e nem uma chácara urbana brasileira
Oosterwold não é um condomínio comum e nem uma chácara urbana brasileira

Oosterwold mostra uma discussão simples e importante: liberdade para construir pode funcionar melhor quando vem acompanhada de regras claras e participação de quem vai morar no lugar.

O caso de Oosterwold, em Almere, mostra uma forma incomum de unir casa própria, agricultura urbana e infraestrutura feita com participação dos moradores. A pessoa ganha liberdade para planejar a casa, mas assume uma parte maior da vida coletiva.

A experiência holandesa não é uma receita pronta para o Brasil. Ainda assim, ela provoca uma reflexão sobre bairros que poderiam nascer com mais cuidado com água, ruas, resíduos, áreas verdes e produção de alimentos.

Você moraria em um bairro onde teria liberdade para fazer sua casa, mas também precisaria ajudar a construir a estrutura ao redor e plantar comida no lote? Comente e compartilhe.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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