Com foco em expansão global, Uma fábrica de fornos do interior de Minas segue para a bolsa de Madri e atrai investidores europeus.
A Prática, uma fábrica de fornos do interior de Minas a caminho da bolsa de Madri, iniciou oficialmente o processo para ingressar no mercado acionário da Espanha.
A empresa, fundada em Pouso Alegre e especializada em equipamentos para cozinhas industriais e panificação.
O objetivo é financiar novos investimentos, ampliar operações e abrir espaço para futuras aquisições, enquanto busca condições financeiras mais competitivas fora do Brasil.
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IPO em Madri: por que a Prática escolheu a BME Growth
A decisão de abrir capital no exterior surge em um momento em que diversas empresas brasileiras avaliam alternativas internacionais para fugir da baixa liquidez doméstica.
Enquanto algumas companhias miram bolsas como Nyse e Nasdaq, a Prática optou por estrear no BME Growth, segmento voltado a negócios de pequeno e médio porte em expansão.
Segundo o CEO André Rezende, a listagem na Espanha atende tanto a uma necessidade estratégica quanto financeira.
Ele destaca que o custo de capital no Brasil acaba sendo um entrave para empresas industriais.
“O nosso grande competidor de capital no Brasil é o próprio governo, que paga 15% ao ano, e leva o custo a quase 20% para nós”, afirma.
Além disso, a escolha por Madri não foi casual.
Um convênio entre a BME e a B3 permite uma dupla listagem, garantindo que investidores brasileiros possam negociar ações emitidas em euros.
A Prática será a primeira empresa da América Latina a acessar diretamente o BME Growth dentro desse formato.
Uma fábrica de fornos do interior de Minas a caminho da bolsa de Madri e o salto internacional
Fundada em 1991 por André Rezende e seu irmão, Luiz Eduardo, em Pouso Alegre, a Prática cresceu silenciosamente até se tornar referência global no setor.
Hoje, vende para mais de 50 países, responsáveis por 20% da receita prevista de R$ 470 milhões em 2025 e projetada em R$ 540 milhões para 2026.
O valuation atual da fabricante gira em torno de 100 milhões de euros, e a expectativa é contratar um banco nas próximas semanas para intensificar a aproximação com investidores europeus e fortalecer o roadshow da oferta.
Governança, dupla listagem e os próximos passos
Embora a companhia já possua capital aberto no Brasil listada sob o ticker PTCA3 suas ações não possuem liquidez.
Mesmo assim, a empresa sempre manteve disciplina de publicação de balanços, prática exigida durante a década em que teve o BNDESPar como acionista.
No BME Growth, também não há expectativa de liquidez imediata. Rezende é claro ao definir a prioridade:
“Não é nosso objetivo ter negociação forte em mercado agora.
Esperamos atrair investidores que possam apoiar o investimento com smart money, para crescer.
O executivo afirma ainda que o foco inicial será fortalecer governança, manter margens e sustentar o histórico de crescimento contínuo.
“Nossa meta é manter o track record de crescimento consistente com preservação de margens. Não é o tamanho da companhia, é o valor da companhia.”
Rumo a um valuation de 300 milhões de euros
Para alcançar uma posição sólida no mercado contínuo, a empresa estima que precisa atingir um valuation de 300 milhões de euros um marco que Rezende acredita ser possível em até quatro anos após o IPO.
A migração pode ocorrer tanto para o segmento principal da Bolsa de Madri quanto em uma eventual dupla listagem na B3.
O CEO reforça que abrir capital é um passo decisivo para a longevidade dos negócios:
“Para uma empresa como a Prática se tornar perene, precisa abrir capital”, diz ele, citando como inspiração grupos familiares como Weg, Marcopolo e Gerdau.
Os irmãos, porém, não pretendem ceder o comando.
“Um dos objetivos do IPO é ter envergadura para manter independência.”
