1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Uma expedição perfurou o fundo do Atlântico Norte a quase 400 metros de profundidade e encontrou água doce escondida sob o oceano salgado, o aquífero gigante se estende de Nova Jersey ao Maine
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Uma expedição perfurou o fundo do Atlântico Norte a quase 400 metros de profundidade e encontrou água doce escondida sob o oceano salgado, o aquífero gigante se estende de Nova Jersey ao Maine

Publicado em 08/05/2026 às 02:42
Atualizado em 08/05/2026 às 10:50
Expedição perfurou o Atlântico a 400 m e achou água doce sob o oceano. Aquífero gigante pode abastecer NY por 800 anos, dizem cientistas.
Expedição perfurou o Atlântico a 400 m e achou água doce sob o oceano. Aquífero gigante pode abastecer NY por 800 anos, dizem cientistas.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
53 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Segundo informações do portal apnews, a Expedição 501, colaboração científica de US$ 25 milhões envolvendo mais de uma dúzia de países, perfurou o fundo do Atlântico Norte a quase 400 metros de profundidade e encontrou água doce sob o oceano salgado. O aquífero, que se estende de Nova Jersey ao norte do Maine, pode ser grande o suficiente para abastecer uma metrópole do tamanho de Nova York por 800 anos, segundo os cientistas. As amostras registraram salinidade de até 1 parte por mil, nível compatível com corpos de água doce em terra firme, e quase 50 mil litros foram coletados para análise em laboratórios ao redor do mundo.

Uma expedição científica inédita perfurou o fundo do Atlântico Norte a quase 400 metros de profundidade e encontrou água doce escondida sob o oceano salgado, descoberta que pode mudar a forma como o planeta lida com a crise hídrica nos próximos anos. O aquífero gigante, que se estende de Nova Jersey ao Maine ao longo da costa leste dos Estados Unidos, foi confirmado pela Expedição 501, projeto de US$ 25 milhões apoiado pela Fundação Nacional de Ciência dos EUA e pelo Consórcio Europeu para Perfuração e Pesquisa Oceânica.

Os cientistas iniciaram o projeto acreditando que o aquífero poderia abastecer uma cidade do tamanho de Nova York por 800 anos, e o que encontraram superou as expectativas. Brandon Dugan, co-chefe científico da expedição e geofísico da Escola de Minas do Colorado, declarou que as equipes procuraram “em um dos últimos lugares onde provavelmente se esperaria encontrar água doce na Terra” e a encontraram. As amostras registraram salinidade de até 1 parte por mil — nível compatível com água doce de lagos e rios — em profundidades maiores e menores do que o previsto, sugerindo um suprimento ainda maior do que o estimado.

O que a Expedição 501 fez e o que encontrou no fundo do mar

A Expedição 501 operou durante três meses a partir do Liftboat Robert, uma plataforma oceânica que normalmente presta serviços a plataformas de petróleo e parques eólicos. O navio baixou três pilares até o fundo do mar e permaneceu fixo acima das ondas enquanto as equipes perfuravam o sedimento submarino em três locais diferentes, a uma distância de 30 a 50 quilômetros da costa, entre maio e julho de 2025.

A perfuração penetrou a Terra abaixo do nível do mar em até 393 metros (1.289 pés), e as amostras de sedimento encharcado revelaram concentrações de sal progressivamente menores à medida que as equipes avançavam. Logo no primeiro local, a salinidade registrou 4 partes por mil, muito abaixo das 35 partes por mil típicas do oceano, dado que Dugan descreveu como “momento de revelação” porque indicava que a água devia ter estado conectada a um sistema terrestre. Nos locais seguintes, a concentração caiu para 1 parte por mil ou menos.

De onde vem a água doce que está debaixo do oceano

Água residual jorra da plataforma de perfuração Expedition 501 durante uma operação a bordo do navio de apoio aéreo Liftboat Robert, no Atlântico Norte, domingo, 20 de julho de 2025. (Foto AP/Carolyn Kaster/apnews)

A origem do aquífero é o mistério central que os cientistas da Expedição 501 vão investigar nos próximos meses. A hipótese principal é que a água foi aprisionada quando geleiras derreteram e o nível do mar subiu há milhares de anos, inundando uma paisagem que antes era terra firme. A alternativa é que o aquífero ainda está conectado a sistemas de água subterrânea em terra e sendo reabastecido lentamente.

A resposta importa porque determina se o recurso é renovável ou finito. Os pesquisadores vão datar a água em laboratório: se for “jovem”, significa que era uma gota de chuva há 100 ou 200 anos e o aquífero se recarrega, disse Dugan. Se for primordial, é recurso aprisionado que não se renova. Quase 50 mil litros de amostras foram coletados e serão analisados em laboratórios de mais de uma dúzia de países, com reunião prevista na Alemanha para consolidar resultados iniciais.

Por que o mundo precisa de água doce escondida sob o oceano

A descoberta não é curiosidade acadêmica: é resposta potencial a uma crise que a ONU projeta como iminente. Em apenas cinco anos, a demanda global por água doce ultrapassará a oferta em 40%, segundo as Nações Unidas. A elevação do nível do mar contamina fontes costeiras de água doce com sal, e os centros de dados que alimentam inteligência artificial e computação em nuvem consomem água a ritmo que pressiona o abastecimento em regiões inteiras.

A escala do problema é concreta. A Cidade do Cabo, na África do Sul, esteve perto de ficar sem água potável para 5 milhões de habitantes em 2018. Jacarta, Ilha do Príncipe Eduardo (Canadá) e Havaí enfrentam abastecimento comprometido que coexiste com potenciais aquíferos submarinos. Só na Virgínia, nos EUA, um quarto de toda a energia produzida é destinada a centros de dados, e cada unidade de médio porte consome tanta água quanto mil residências.

Os obstáculos entre a descoberta e o copo d’água

Cientistas em busca de água doce encontraram reservatórios gigantescos escondidos no último lugar da Terra onde as pessoas procurariam água potável: no fundo do mar, perto de Cape Cod. (Vídeo da AP filmado e produzido por Rodrique Ngowi.)

Encontrar água doce sob o oceano é uma coisa; extraí-la é outra completamente diferente. Os cientistas alertam que levará anos para trazer essa água para a costa em escala útil, se isso for viável. As questões são técnicas (como perfurar e bombear sem contaminar o aquífero com água salgada), ambientais (a água subterrânea que aflora no fundo do mar fornece nutrientes a ecossistemas marinhos) e jurídicas (a quem pertence a água sob águas internacionais ou federais).

Rob Evans, geofísico de Woods Hole cuja pesquisa de 2015 ajudou a mapear os contornos do aquífero, vê sinais de alerta. “Se começássemos a bombear essas águas, quase certamente haveria consequências imprevistas”, afirmou. A exploração pode desviar água de reservas em terra, afetar ecossistemas que dependem da descarga submarina e criar disputas regulatórias entre estados costeiros que reivindicariam acesso ao recurso. Mesmo assim, Evans reconhece que “há muita empolgação por finalmente terem conseguido amostras“.

O que vem pela frente e por que a descoberta importa para o Brasil

A Expedição 501 não é o fim: é o começo de uma investigação que pode durar décadas. Após seis meses de análises laboratoriais, todas as equipes científicas se reunirão na Alemanha para um mês de pesquisa colaborativa, buscando resultados iniciais sobre a idade, origem e qualidade da água. A datação determinará se o recurso é renovável ou fóssil, e a análise microbiológica dirá se é seguro para consumo.

Para o Brasil, que tem costa de mais de 8.500 quilômetros e enfrenta crise hídrica recorrente no Nordeste e no Sudeste, a descoberta levanta uma pergunta que ainda não está no radar dos formuladores de políticas: existem aquíferos de água doce sob a plataforma continental brasileira? A geologia da costa brasileira, com bacias sedimentares extensas formadas ao longo de milhões de anos, é teoricamente compatível com a presença de água doce aprisionada sob o mar. Nenhuma expedição de perfuração com esse objetivo foi realizada no Brasil até agora.

Você sabia que existe água doce escondida debaixo do oceano e que pode ser suficiente para abastecer Nova York por 800 anos? Conte nos comentários se acha que o Brasil deveria investigar se há aquíferos sob o litoral brasileiro e o que pensa sobre perfurar o fundo do mar em busca de água potável.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x