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Uma empresa derivada de uma universidade britânica desenvolve um novo método pioneiro para produzir hidrogênio verde a partir da água do mar. A geração de dois quilos de hidrogênio por meio da eletrólise requer mais de oito galões de água doce, o que representa uma séria pressão sobre sua disponibilidade

Publicado em 04/06/2026 às 17:30
Atualizado em 04/06/2026 às 17:32
A Hychor, da Universidade de Aberdeen, criou uma eletrólise que faz hidrogênio verde direto da água do mar, sem dessalinização nem gasto de água doce.
A Hychor, da Universidade de Aberdeen, criou uma eletrólise que faz hidrogênio verde direto da água do mar, sem dessalinização nem gasto de água doce.
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A Hychor, derivada da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido, criou um sistema de eletrólise que gera hidrogênio verde diretamente da água do mar, sem dessalinização nem aditivos. A promessa é baratear o combustível, dispensar a água doce e devolver a água tratada ao oceano com segurança.

Produzir energia limpa usando a água do mar, sem gastar água doce nem poluir o oceano: é o que promete a Hychor, uma empresa derivada da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido. A companhia desenvolveu uma tecnologia de baixo custo que gera hidrogênio verde diretamente da água do mar, sem a etapa cara de dessalinização.

A novidade ataca um gargalo importante da transição energética. A produção de hidrogênio por eletrólise tradicional é cara e consome muita água doce: gerar apenas dois quilos do combustível exige mais de 32 litros de água potável. Usar a água do mar de forma direta, portanto, poderia destravar o uso do hidrogênio em larga escala.

Por que o hidrogênio verde ainda é um desafio

imagem ilustrativa/explicativa
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O hidrogênio é um combustível e tanto: leve, com densidade energética superior à dos combustíveis fósseis e que, ao ser queimado, libera apenas água como subproduto.

O problema é que ele não existe livre na natureza e precisa ser produzido. As baterias dão conta de eletrodomésticos e carros elétricos, mas não de fazer um avião cruzar continentes ou tocar processos industriais de altíssima temperatura, justamente onde o hidrogênio verde entraria como alternativa.

Acontece que produzi-lo de forma limpa é caro. Uma rota barata, a desidrogenação do metano, emite carbono e anula o propósito.

A outra, a eletrólise, separa a água em hidrogênio e oxigênio usando eletricidade e fica limpa quando alimentada por energia solar ou eólica, mas pressiona as reservas de água doce.

Para se ter uma ideia, a meta da Escócia de produzir 25 gigawatts em hidrogênio chegaria a consumir cerca de 13% de toda a água doce do país, um volume insustentável que torna a água do mar uma alternativa atraente.

Como a Hychor produz hidrogênio a partir da água do mar

O grande obstáculo de usar a água do mar sempre foi o cloro. Durante a eletrólise, esse gás altamente corrosivo é gerado e destrói o eletrolisador, e evitá-lo costuma encarecer o processo.

Em vez de tentar resolver o problema trocando materiais, o fundador e CEO da Hychor, o doutor Jani Shibuya, decidiu repensar todo o sistema de eletrólise.

A virada de chave foi deixar de combater os sais da água do mar e passar a usá-los a favor, aproveitando-os para facilitar a condutividade.

Formado pela Universidade de Aberdeen, onde pesquisou eletrocatalisadores, baterias de fluxo e dessalinização no doutorado, Shibuya batizou a tecnologia de HySET.

Os detalhes exatos do eletrolisador estão sendo mantidos em segredo, já que o pedido de patente ainda tramita, mas a empresa garante que o sistema não precisa de aditivos nem gera subprodutos desnecessários. É essa abordagem que sustenta a promessa de um hidrogênio verde mais barato.

Menos água doce e um oceano mais protegido

Além do custo, há um ganho ambiental importante. Outras tentativas de gerar hidrogênio com água do mar dependem de dessalinização, que produz uma salmoura poluente e precisa ser descartada com cuidado.

Segundo a Hychor, o seu processo aumenta a concentração da água do mar em menos de 1%, o que torna seguro devolver a água tratada diretamente à fonte, sem agredir o ambiente marinho.

O sistema também foi pensado para funcionar no local e fora da rede elétrica, combinando a eletrólise com uma bateria de fluxo de água do mar embutida, capaz de estabilizar a geração intermitente de fontes renováveis.

Para Shibuya, a tecnologia ataca dois dos maiores desafios do planeta ao mesmo tempo, a segurança energética e a escassez de água, ao dispensar um recurso cada vez mais disputado, a água doce.

Quando chega e o que ainda falta provar

A empresa avança rápido, mas ainda há caminho pela frente. Depois de uma rodada de investimento, a Hychor oficializou o spin-out e abriu um centro de pesquisa e desenvolvimento em Aberdeen no início de maio de 2026.

Fundada em 2024 por Shibuya, hoje conta com o cofundador e COO Alex Colledge e uma pequena equipe, com planos de iniciar projetos-piloto industriais em 2027, voltados a comunidades costeiras e indústrias fora da rede elétrica.

Vale a cautela de sempre. A eletrólise direta de água do mar é um campo notoriamente difícil, marcado por corrosão, incrustação e o tal problema do cloro, e boa parte das vantagens anunciadas são promessas da própria Hychor, ainda em transição do laboratório para a escala-piloto.

Se a tecnologia da Universidade de Aberdeen cumprir o que diz, pode tornar o hidrogênio verde mais acessível e poupar água potável. Mas, como toda inovação recente, só a operação real vai dizer se ela se sustenta fora do papel.

Transformar a água do mar em combustível limpo, sem gastar água doce, parece resolver dois problemas de uma vez só, se sair do laboratório.

Conte nos comentários se você acredita que o hidrogênio verde feito da água do mar vai decolar ou se ainda aposta em outras fontes de energia limpa.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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