A Hychor, derivada da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido, criou um sistema de eletrólise que gera hidrogênio verde diretamente da água do mar, sem dessalinização nem aditivos. A promessa é baratear o combustível, dispensar a água doce e devolver a água tratada ao oceano com segurança.
Produzir energia limpa usando a água do mar, sem gastar água doce nem poluir o oceano: é o que promete a Hychor, uma empresa derivada da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido. A companhia desenvolveu uma tecnologia de baixo custo que gera hidrogênio verde diretamente da água do mar, sem a etapa cara de dessalinização.
A novidade ataca um gargalo importante da transição energética. A produção de hidrogênio por eletrólise tradicional é cara e consome muita água doce: gerar apenas dois quilos do combustível exige mais de 32 litros de água potável. Usar a água do mar de forma direta, portanto, poderia destravar o uso do hidrogênio em larga escala.
Por que o hidrogênio verde ainda é um desafio

O hidrogênio é um combustível e tanto: leve, com densidade energética superior à dos combustíveis fósseis e que, ao ser queimado, libera apenas água como subproduto.
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O problema é que ele não existe livre na natureza e precisa ser produzido. As baterias dão conta de eletrodomésticos e carros elétricos, mas não de fazer um avião cruzar continentes ou tocar processos industriais de altíssima temperatura, justamente onde o hidrogênio verde entraria como alternativa.
Acontece que produzi-lo de forma limpa é caro. Uma rota barata, a desidrogenação do metano, emite carbono e anula o propósito.
A outra, a eletrólise, separa a água em hidrogênio e oxigênio usando eletricidade e fica limpa quando alimentada por energia solar ou eólica, mas pressiona as reservas de água doce.
Para se ter uma ideia, a meta da Escócia de produzir 25 gigawatts em hidrogênio chegaria a consumir cerca de 13% de toda a água doce do país, um volume insustentável que torna a água do mar uma alternativa atraente.
Como a Hychor produz hidrogênio a partir da água do mar
O grande obstáculo de usar a água do mar sempre foi o cloro. Durante a eletrólise, esse gás altamente corrosivo é gerado e destrói o eletrolisador, e evitá-lo costuma encarecer o processo.
Em vez de tentar resolver o problema trocando materiais, o fundador e CEO da Hychor, o doutor Jani Shibuya, decidiu repensar todo o sistema de eletrólise.
A virada de chave foi deixar de combater os sais da água do mar e passar a usá-los a favor, aproveitando-os para facilitar a condutividade.
Formado pela Universidade de Aberdeen, onde pesquisou eletrocatalisadores, baterias de fluxo e dessalinização no doutorado, Shibuya batizou a tecnologia de HySET.
Os detalhes exatos do eletrolisador estão sendo mantidos em segredo, já que o pedido de patente ainda tramita, mas a empresa garante que o sistema não precisa de aditivos nem gera subprodutos desnecessários. É essa abordagem que sustenta a promessa de um hidrogênio verde mais barato.
Menos água doce e um oceano mais protegido
Além do custo, há um ganho ambiental importante. Outras tentativas de gerar hidrogênio com água do mar dependem de dessalinização, que produz uma salmoura poluente e precisa ser descartada com cuidado.
Segundo a Hychor, o seu processo aumenta a concentração da água do mar em menos de 1%, o que torna seguro devolver a água tratada diretamente à fonte, sem agredir o ambiente marinho.
O sistema também foi pensado para funcionar no local e fora da rede elétrica, combinando a eletrólise com uma bateria de fluxo de água do mar embutida, capaz de estabilizar a geração intermitente de fontes renováveis.
Para Shibuya, a tecnologia ataca dois dos maiores desafios do planeta ao mesmo tempo, a segurança energética e a escassez de água, ao dispensar um recurso cada vez mais disputado, a água doce.
Quando chega e o que ainda falta provar
A empresa avança rápido, mas ainda há caminho pela frente. Depois de uma rodada de investimento, a Hychor oficializou o spin-out e abriu um centro de pesquisa e desenvolvimento em Aberdeen no início de maio de 2026.
Fundada em 2024 por Shibuya, hoje conta com o cofundador e COO Alex Colledge e uma pequena equipe, com planos de iniciar projetos-piloto industriais em 2027, voltados a comunidades costeiras e indústrias fora da rede elétrica.
Vale a cautela de sempre. A eletrólise direta de água do mar é um campo notoriamente difícil, marcado por corrosão, incrustação e o tal problema do cloro, e boa parte das vantagens anunciadas são promessas da própria Hychor, ainda em transição do laboratório para a escala-piloto.
Se a tecnologia da Universidade de Aberdeen cumprir o que diz, pode tornar o hidrogênio verde mais acessível e poupar água potável. Mas, como toda inovação recente, só a operação real vai dizer se ela se sustenta fora do papel.
Transformar a água do mar em combustível limpo, sem gastar água doce, parece resolver dois problemas de uma vez só, se sair do laboratório.
Conte nos comentários se você acredita que o hidrogênio verde feito da água do mar vai decolar ou se ainda aposta em outras fontes de energia limpa.

Acredito que seja possível conseguir esse energia limpa, porém tem alguns detalhes que eles não passaram… Será necessário estudar microscó**** mente os degetos que saem da máquina, pois pode produzir doenças incuráveis e alastrar ao mundo inteiro.