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Astrônomos flagraram um objeto invisível e desconhecido cruzando os arredores da Via Láctea em altíssima velocidade, num dos sinais mais rápidos e de menor massa já detectados na história da astronomia, num fenômeno que durou apenas cerca de uma hora e foi batizado de Phoebe

Publicado em 04/06/2026 às 16:40
Atualizado em 04/06/2026 às 16:48
Objeto invisível batizado de Phoebe cruzou a Via Láctea e pode ser um buraco negro primordial ou um planeta errante na Grande Nuvem de Magalhães.
Objeto invisível batizado de Phoebe cruzou a Via Láctea e pode ser um buraco negro primordial ou um planeta errante na Grande Nuvem de Magalhães.
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Um estudo recente detectou um objeto invisível passando perto da Via Láctea em um evento que durou cerca de uma hora, batizado de Phoebe. Ele pode ser um buraco negro primordial no halo da galáxia ou um planeta errante na vizinha Grande Nuvem de Magalhães.

Astrônomos flagraram algo invisível e desconhecido cruzando os arredores da Via Láctea em altíssima velocidade. O fenômeno, batizado de Phoebe, durou apenas cerca de uma hora e é descrito como um dos sinais mais rápidos e de menor massa já detectados na história da astronomia.

A detecção foi feita com uma câmera de alta resolução instalada no Chile, que captou o brilho de uma estrela aumentando de forma suave e simétrica por cerca de 60 minutos. O objeto é tão tênue que não pôde ser visto diretamente: os cientistas só perceberam sua passagem pelo efeito da gravidade dele sobre a luz, um fenômeno chamado microlente gravitacional. As hipóteses vão de um buraco negro primordial a um planeta errante.

Como Phoebe foi detectado perto da Via Láctea

Se estiver localizado na Grande Nuvem de Magalhães, Phoebe pode ser um planeta errante com massa muito superior à de Júpiter 
Se estiver localizado na Grande Nuvem de Magalhães, Phoebe pode ser um planeta errante com massa muito superior à de Júpiter 

O flagrante aconteceu em dezembro de 2019, quando uma equipe internacional usou a câmera DECam, instalada no telescópio Blanco, de quatro metros, no Observatório de Cerro Tololo, no Chile.

Durante cinco noites, os pesquisadores fotografaram cerca de 10 milhões de estrelas da Grande Nuvem de Magalhães a cada minuto, em busca de pequenos aumentos de brilho que denunciassem a passagem de um objeto invisível. Foi assim que, em uma única noite, encontraram Phoebe.

O evento foi rápido e não se repetiu. Segundo o estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society (MNRAS) e liderado pela pesquisadora Renee Key, trata-se de um dos sinais de microlente mais velozes e de menor massa já registrados, com duração característica de cerca de 60 minutos.

O nome Phoebe não é à toa: ele combina as siglas em inglês para “planeta flutuante livre” e “buraco negro primordial”, justamente as principais hipóteses sobre o que cruzou os arredores da Via Láctea.

Um buraco negro primordial no halo da Via Láctea?

A análise estatística dá uma pista forte. Segundo os autores, o objeto é cinco ordens de magnitude, ou cerca de 100 mil vezes, mais provável de pertencer ao halo de matéria escura da Via Láctea do que ao conteúdo de estrelas da nossa galáxia ou da vizinha.

Por isso, a hipótese principal é a de que Phoebe seja um buraco negro primordial, considerado pelos cientistas o melhor candidato já encontrado para esse tipo de objeto.

Um buraco negro primordial é um objeto hipotético que teria se formado nos primeiros instantes do Universo, logo após o Big Bang, e não a partir do colapso de uma estrela. Ele é um dos principais candidatos a explicar a misteriosa matéria escura.

Nesse cenário, Phoebe teria massa equivalente a cerca de três vezes a da nossa Lua, ou apenas 0,032 vez a massa da Terra, e estaria entre os objetos mais antigos já detectados, vagando pelo escuro há bilhões de anos.

Ou um planeta errante na Grande Nuvem de Magalhães?

Segundo informações do portal do NSC, há, porém, uma explicação alternativa. Se Phoebe estiver localizado na Grande Nuvem de Magalhães, galáxia vizinha situada a cerca de 163 mil anos-luz, sua massa seria bem maior, em torno de 0,1 vez a do nosso Sol.

Nesse caso, ele poderia ser um planeta errante, ou seja, um mundo que não orbita nenhuma estrela e vaga sozinho pelo espaço, ou um objeto de baixa massa.

Essa possibilidade também seria histórica. Caso se confirme como um planeta errante na Grande Nuvem de Magalhães, Phoebe seria o primeiro exoplaneta extragaláctico descoberto por esse método.

A pista decisiva está na duração do evento: quanto mais leve o objeto, mais rápido ele cruza a linha de visão e mais curto é o clarão, o que ajuda os cientistas a estimar de qual cenário ele se aproxima.

Por que é difícil confirmar e por que isso importa

O grande problema é que eventos de microlente como esse não se repetem, o que torna quase impossível confirmar com certeza a natureza de Phoebe.

Antes de chegar às hipóteses, a equipe precisou descartar falhas no equipamento, explosões estelares e contaminação de outras estrelas. Mesmo assim, ainda se trata de um único episódio, observado por cerca de uma hora, perto da Via Láctea.

Vale a cautela: os buraco negro primordial foram por muito tempo tratados como ideia marginal e voltaram à moda à medida que as buscas por matéria escura seguem sem resposta, mas provas concretas de sua existência ainda são escassas.

Por outro lado, uma equipe japonesa relatou recentemente 12 eventos parecidos na direção da galáxia de Andrômeda, alguns possivelmente causados por objetos semelhantes no halo da Via Láctea.

Se confirmado, Phoebe poderia ajudar a entender do que é feita a matéria escura, seja como um planeta errante, seja como um antigo buraco negro primordial.

Um objeto invisível atravessando a Via Láctea, que pode ser tanto um buraco negro do início dos tempos quanto um planeta errante, é o tipo de mistério que mostra o quanto ainda há para descobrir no Universo.

Conte nos comentários qual hipótese sobre Phoebe você acha mais provável e o que mais gostaria de entender sobre a matéria escura.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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