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Um novo estudo derruba a ideia central que aprendemos sobre planetas e sugere que a Terra é a exceção e não a regra, a maioria dos mundos rochosos da galáxia pode não ter núcleo nem manto, apenas um fluido único e turbulento se estendendo até o centro

Publicado em 26/05/2026 às 00:52
Atualizado em 26/05/2026 às 00:56
Estudo sugere que planetas sub-Netunos não têm núcleo nem manto. Terra seria a exceção. Hidrogênio se mistura com ferro em fluido único.
Estudo sugere que planetas sub-Netunos não têm núcleo nem manto. Terra seria a exceção. Hidrogênio se mistura com ferro em fluido único.
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Um estudo submetido ao Astrophysical Journal propõe que a maioria dos planetas rochosos da galáxia não possui a estrutura de camadas que conhecemos na Terra, com núcleo metálico, manto de silicato e atmosfera. Nos chamados sub-Netunos, o tipo mais comum de exoplaneta já encontrado, as pressões e temperaturas extremas do interior fazem com que ferro, silicato e hidrogênio se misturem em um fluido único e homogêneo. Se o modelo estiver correto, a Terra com seu núcleo definido seria a exceção, não a regra entre os planetas rochosos.

A estrutura interna dos planetas que aprendemos na escola pode estar errada para a imensa maioria dos mundos que existem na galáxia. Um novo artigo científico disponível no arXiv e submetido ao Astrophysical Journal propõe que os sub-Netunos, a categoria mais comum de exoplaneta catalogada até hoje, não possuem núcleo metálico nem manto de silicato separados. Em vez da estrutura de camadas que caracteriza planetas como a Terra, esses mundos teriam um interior composto por um único fluido homogêneo de ferro, silicato fundido e hidrogênio, misturados em condições de temperatura acima de 4.000 graus Kelvin.

A descoberta, se confirmada, inverte o paradigma: a Terra deixa de ser o modelo padrão para planetas rochosos e passa a ser a exceção. Os sub-Netunos, que são maiores que a Terra mas menores que Netuno, representam o tipo mais abundante de planeta na Via Láctea, e a possibilidade de que seu interior seja radicalmente diferente do que os modelos clássicos previam tem implicações profundas para a astrofísica, a geologia planetária e a busca por mundos habitáveis.

Por que os planetas sub-Netunos não teriam núcleo

imagem ilustrativa
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A teoria clássica de formação de planetas prevê que o ferro, mais denso, afunda para o centro e forma o núcleo, enquanto o silicato, mais leve, flutua e cria o manto. Na Terra, esse processo funcionou perfeitamente. Mas os autores do estudo apontam que nas pressões e temperaturas extremas do interior de planetas maiores, o hidrogênio, o silicato fundido e o ferro se tornam completamente miscíveis, ou seja, deixam de existir como fases separadas e se transformam em uma mistura única.

O limiar é surpreendentemente baixo: se um planeta acumular mais de cerca de 1% de sua massa em hidrogênio, todo o interior se torna essa mistura turbulenta e homogênea. Sem núcleo. Sem manto. Apenas um fluido único se estendendo por milhares de quilômetros até o centro do planeta. Para planetas com menos de 1% de hidrogênio, como a Terra, a separação em camadas ocorre normalmente.

O que o modelo explica que os anteriores não conseguiam

A proposta dos pesquisadores resolve dois problemas que os modelos tradicionais de estrutura interna de planetas não explicavam bem. O primeiro é a chamada “lacuna de raio”, a escassez de planetas com tamanhos intermediários entre super-Terras e sub-Netunos que os telescópios Kepler e James Webb mapearam. Pelo modelo clássico de camadas, deveria haver uma distribuição contínua de tamanhos, mas na prática existe um vazio.

O segundo problema é a relação entre o raio dos planetas e seu período orbital. Os modelos tradicionais não reproduziam com precisão a forma como o tamanho dos sub-Netunos varia em função da distância à estrela. O modelo de interior miscível, com hidrogênio borbulhando lentamente para fora da rocha à medida que o planeta esfria ao longo de centenas de milhões de anos, explica por que planetas jovens parecem mais inchados do que o previsto.

O hidrogênio que borbulha de dentro dos planetas

No modelo proposto, os planetas sub-Netunos jovens armazenam uma fração substancial de hidrogênio em seu interior miscível. À medida que o planeta esfria ao longo de centenas de milhões de anos, o hidrogênio “borbulha” lentamente para fora da mistura de ferro e silicato, liberando-se para a atmosfera em um processo que altera gradualmente o tamanho e a densidade do planeta.

Esse mecanismo produz uma assinatura observacional que agora pode ser testada com o Telescópio James Webb e com futuros levantamentos de trânsito em estrelas muito jovens. Se planetas com dezenas de milhões de anos forem encontrados com raios maiores do que o previsto pelos modelos de camadas, será uma evidência forte de que o interior miscível é real e de que a maioria dos planetas rochosos da galáxia funciona de forma radicalmente diferente da Terra.

O que ainda falta provar sobre esses planetas

Os próprios autores reconhecem limitações importantes. O modelo se baseia em extrapolações teóricas sobre o comportamento do hidrogênio, silicato e ferro em condições que ainda não podem ser reproduzidas em laboratório, embora experimentos de alta pressão estejam se aproximando dessas condições extremas. Os balanços térmicos internos dos planetas são incertos, e a abordagem estatística do estudo parte da população observada de exoplanetas e retrocede à física, em vez de prever de antemão como os planetas deveriam ser.

A afirmação central, no entanto, é ousada e testável: o tipo mais comum de planeta na galáxia pode não se parecer em nada com a Terra por dentro. O conceito familiar de um núcleo metálico denso no centro de cada planeta rochoso pode ser a exceção em vez da regra. Se o estudo estiver correto, a Terra não é o modelo padrão dos planetas, mas sim o mundo estranho.

Você imaginava que a maioria dos planetas rochosos pode não ter núcleo nem manto? O que mais surpreende: a mistura de ferro com hidrogênio, a ideia de que a Terra é a exceção ou o fato de que a resposta pode vir do James Webb? Conta nos comentários.

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Lucas Henrique
Lucas Henrique
28/05/2026 19:26

Mais uma teoria que ajuda a explicar porquê a vida é tão rara no universo. A necessidade de uma enorme quantidade condições específicas para que um planeta possa abrigar vida e a coincidência delas existirem em um só planeta diminui em muito a quantidade de planetas com condições de abrigar vida no universo conhecido

Leonardo
Leonardo
Em resposta a  Lucas Henrique
01/06/2026 22:07

Não podemos levar o modelo de vida como nós conhecemos como o único modo de vida inteligente. Analisar por este modo é válido, mas não abarca nem de perto todas as possibilidades.

Rosane Scoss Nicolai
Rosane Scoss Nicolai
28/05/2026 18:52

No meu tempo de colegial, ensinaram que a Terra tinha um centro de **** de fogo, gases e minérios, com o exterior em rochas e águas, mares.

Fabrício
Fabrício
28/05/2026 15:40

Aceitem Jesus Cristo como o seu único e suficiente salvador indo até ele em oração e peçam o Espírito Santo de Deus e o aceitem , Amém .

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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