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Um erro antigo no registro de imóveis pode obrigar morador a destruir cozinha e banheiro e ainda gastar para reconstruir tudo

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 04/04/2026 às 14:50
Atualizado em 04/04/2026 às 14:54
Erros no registro de imóveis na França fizeram moradores descobrir que não eram donos completos das casas onde vivem.
Erros no registro de imóveis na França fizeram moradores descobrir que não eram donos completos das casas onde vivem.
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Falhas no registro de imóveis em duas cidades da França levaram moradores a descobrir, anos depois da compra, que não eram donos integrais das casas onde vivem, em casos que envolvem galinheiro, demolição parcial e gastos adicionais de até 30 mil euros

Erros no registro de imóveis em duas cidades francesas colocaram moradores diante de uma descoberta inesperada e cara: embora vivessem há anos nos locais, eles constataram que não eram, de fato, donos completos de suas próprias casas.

Os casos vieram à tona em Calvados e Maine-et-Loire e expuseram prejuízos financeiros e impasses jurídicos.

Caso em Calvados expõe compra errada

Em Commes, no departamento de Calvados, o aposentado Dominique Laigre descobriu que a compra feita por ele não correspondia à casa onde mora. Segundo relatou à TF1, ele acreditava ter adquirido o imóvel, mas, na prática, comprou apenas o galinheiro ao lado.

A situação fez com que ele desembolsasse 65 mil euros por uma construção anexa e inacessível, enquanto a casa em que vive permaneceu fora da negociação formal. O problema só foi identificado quando o tabelião dos vizinhos analisou a área, no momento em que eles decidiram vender o próprio terreno.

Desde então, Dominique Laigre afirma que tenta “recuperar sua casa”. Para isso, precisou buscar apoio técnico e jurídico, acumulando novas despesas ao longo do processo.

Ele informou que contratou um advogado, com custo de 1.200 euros, e depois um agrimensor, por cerca de 2.400 euros. Agora, espera conseguir recomprar a casa por um valor simbólico de 1 euro para enfim se tornar o proprietário oficial do imóvel onde vive há anos.

Registro de imóveis também afeta morador em Maine-et-Loire

Em Trélazé, no departamento de Maine-et-Loire, Didier Gautier enfrenta um problema semelhante, mas com impacto direto na estrutura da própria residência. Ele mora em uma propriedade formada por dois edifícios ligados por uma estrutura e descobriu que essa ligação correspondia originalmente a uma passagem entre os dois imóveis.

Segundo ele, o erro ocorreu em 1990, quando comprou a primeira parte da propriedade. Didier Gautier afirmou que o agrimensor se esqueceu de incluir a pequena passagem e, por isso, ele não possui a escritura dessa área.

Na prática, a passagem pertence ao vizinho. Como consequência, ele terá de demolir essa parte da casa, uma área de 10 metros quadrados que inclui a cozinha e o banheiro.

Além da demolição, Didier Gautier terá de arcar com uma despesa de 30 mil euros para reconstruir parte da residência. O caso foi explicado por Jean-Baptiste Bullet, tabelião e porta-voz da Câmara de Notários de Paris.

Segundo ele, o Artigo 552 do Código Civil francês estabelece que a propriedade do terreno inclui também o que está acima e abaixo dele. Na prática, acrescentou, se um vizinho constrói sobre o terreno de outra pessoa, ainda que apenas alguns centímetros, o dono da área mantém o direito de exigir a retirada daquilo que foi erguido em sua propriedade.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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