Imóvel no bairro Promorar mobilizou equipes municipais após anos de reclamações, acúmulo de resíduos sobre o telhado e necessidade de acompanhamento social, enquanto engenheiros ainda deverão avaliar possíveis danos estruturais na residência e nas construções localizadas ao redor.
Uma casa tomada por resíduos no bairro Promorar, na Zona Sul de Teresina, foi isolada pela prefeitura e começou a passar por limpeza na quinta-feira (09), após vistorias constatarem que a situação exigia uma operação de maior porte.
Com previsão de dois dias de trabalho, o serviço inclui a retirada dos materiais acumulados dentro da residência e nas proximidades do telhado, além da preparação do imóvel para uma posterior avaliação das condições estruturais.
Imagens registradas pela TV Clube em 03 de julho mostraram o morador caminhando entre objetos e resíduos espalhados sobre a cobertura, situação que ampliou a repercussão das reclamações apresentadas por pessoas que vivem nas casas próximas.
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Há mais de cinco anos, segundo o relato de um vizinho, moradores enfrentam a presença de insetos, infiltrações e outros transtornos associados ao acúmulo, embora a origem dos danos ainda dependa de uma análise técnica realizada por profissionais.
Antes do início da operação, a Superintendência de Desenvolvimento Urbano Sul informou que a denúncia havia chegado à Ouvidoria municipal em 10 de junho, cerca de um mês antes da mobilização das equipes responsáveis pela limpeza.
Após receber uma notificação e um prazo para retirar os resíduos, o proprietário não conseguiu realizar o serviço dentro do período estabelecido, levando a fiscalização a concluir que apenas medidas administrativas não seriam suficientes para solucionar o caso.
Limpeza mobiliza caminhão e equipes da SDU Sul
Para dar andamento à remoção, um caminhão de coleta e trabalhadores especializados foram enviados ao endereço, enquanto o entorno da residência permaneceu isolado para reduzir riscos durante a circulação de pessoas, equipamentos e veículos utilizados na operação.
A estimativa divulgada pela SDU Sul aponta que aproximadamente 300 metros cúbicos de resíduos deverão ser retirados do imóvel, volume que ajuda a explicar a complexidade do serviço e a previsão de dois dias para sua conclusão.
Durante os trabalhos, o próprio morador passou a colaborar com as equipes e ajudou a separar objetos que pretende reaproveitar, permitindo que a remoção avançasse sem eliminar materiais considerados úteis por ele em sua atividade ligada à reciclagem.
Embora parte do conteúdo acumulado tivesse relação com esse trabalho, a quantidade mantida na casa ultrapassou a capacidade de organização do espaço e passou a provocar impactos que, conforme os relatos dos vizinhos, alcançaram também as residências próximas.
Assistência social acompanha morador durante operação
Diante da complexidade identificada nas primeiras vistorias, a prefeitura decidiu envolver serviços de assistência social e atendimento psicossocial, buscando combinar a retirada dos resíduos com medidas de acompanhamento voltadas ao proprietário do imóvel.
Passaram a participar da ação a Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social e o Centro de Atenção Psicossocial, responsáveis pelo suporte oferecido ao morador.
Segundo o superintendente da SDU Sul, Isaac Meneses, a administração municipal avaliou que notificações, multas ou outras providências semelhantes não resolveriam o problema, razão pela qual foi necessário adotar uma abordagem integrada entre diferentes órgãos públicos.
Ao mesmo tempo, a prefeitura procurou reduzir os riscos relatados pela vizinhança sem interromper o atendimento ao proprietário, cuja situação passou a ser acompanhada desde a preparação da operação até a retirada dos materiais armazenados na residência.
Engenheiros avaliarão casa e imóveis vizinhos
Concluída a limpeza, engenheiros deverão examinar a estrutura da casa para identificar possíveis danos provocados pelo peso e pela permanência prolongada dos resíduos, etapa considerada necessária antes de qualquer decisão sobre a ocupação futura do imóvel.
Além da residência isolada, a vistoria deverá alcançar construções próximas, especialmente porque moradores atribuíram infiltrações e outros problemas às condições do local, embora essa relação ainda não tenha sido confirmada por uma avaliação técnica oficial.
Isaac Meneses explicou que os profissionais produzirão um laudo cautelar destinado a verificar a existência de riscos para a vizinhança, mas o resultado dependerá da liberação das áreas que permaneciam cobertas pelos objetos acumulados.
Até que o documento seja concluído, não há confirmação oficial sobre comprometimento estrutural da casa ou das construções ao redor, nem definição sobre eventuais reparos, interdições adicionais ou outras medidas de segurança que poderão ser adotadas.
Vizinhos relatam transtornos há mais de cinco anos
Sem se identificar, um vizinho afirmou que a família convivia havia mais de cinco anos com insetos e infiltrações, além de outros problemas que ele relaciona ao acúmulo mantido no imóvel localizado ao lado de sua residência.
“Nós estamos muito felizes com essa limpeza. Está com mais de cinco anos que estamos sofrendo os impactos”, declarou o morador, ao comentar a chegada das equipes e a expectativa de redução dos transtornos registrados durante esse período.
Apesar do relato, a origem das infiltrações ainda precisará ser analisada pelos engenheiros, que deverão verificar se os danos possuem relação direta com os resíduos acumulados ou se decorrem de outras condições estruturais existentes nos imóveis.
Somente depois da conclusão dessa etapa será possível definir se haverá necessidade de reparos na casa isolada, intervenções nas construções vizinhas ou medidas adicionais para impedir que a situação volte a provocar riscos na região.
Morador pediu oportunidade de trabalho
Enquanto recebia acompanhamento, o proprietário solicitou uma oportunidade de emprego à superintendência e à empresa encarregada da retirada dos resíduos, pedido que passou a ser discutido como parte das medidas de reinserção social consideradas pela prefeitura.
Conforme Isaac Meneses, a prestadora responsável pelo serviço informou que pretende viabilizar uma vaga relacionada à limpeza urbana, embora ainda não tenham sido divulgados detalhes sobre função, jornada de trabalho, remuneração ou possível data de início.
A possibilidade permanece apresentada como encaminhamento, e não como contratação formal concluída, enquanto os órgãos envolvidos mantêm o acompanhamento psicossocial iniciado durante a preparação da operação realizada no bairro Promorar.
Com o imóvel ainda isolado, a definição sobre sua ocupação dependerá da retirada completa dos resíduos e do laudo elaborado pelos engenheiros, que também deverá orientar as providências relacionadas às reclamações apresentadas pelos moradores das casas vizinhas.
Após mais de cinco anos de queixas e uma operação que mobilizou diferentes órgãos públicos, quais medidas devem ser mantidas para impedir que situações semelhantes voltem a colocar moradores e vizinhos em risco?
