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Um dilúvio escondido sob o gelo: 90 bilhões de litros explodem debaixo da Groenlândia e racham quase 100 metros da camada congelada

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 30/01/2026 às 02:16
Inundação subglacial na Groenlândia liberou 90 bilhões de litros de água em 2014 e rompeu até 91 metros de gelo, segundo estudo científico.
Inundação subglacial na Groenlândia liberou 90 bilhões de litros de água em 2014 e rompeu até 91 metros de gelo, segundo estudo científico.
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Identificada a partir de dados de múltiplos satélites, a inundação subglacial ocorrida em 2014 liberou cerca de 90 bilhões de litros de água de degelo, rompeu até 91 metros de gelo sólido e revelou falhas relevantes nos modelos que descrevem o funcionamento hidrológico interno da camada de gelo da Groenlândia

Cientistas documentaram uma inundação subglacial sem precedentes ocorrida em 2014 na Groenlândia, quando 90 bilhões de litros de água de degelo romperam até 91 metros de gelo, abrindo uma cratera de 2 km² e oferecendo novos dados sobre a dinâmica interna da camada de gelo.

Evento inesperado sob a camada de gelo da Groenlândia

Pesquisadores identificaram uma inundação até então desconhecida sob a camada de gelo da Groenlândia, registrada em 2014, que liberou um volume estimado em 90 bilhões de litros de água de degelo. A força do fluxo foi suficiente para fraturar quase 91 metros de gelo sólido a partir da base.

O evento teve origem em um lago subglacial, corpo de água líquida aprisionado sob o gelo, e foi observado pela primeira vez no norte da Groenlândia.

Trata-se do primeiro registro documentado de uma drenagem desse tipo no país, segundo os cientistas responsáveis pelo estudo.

A descoberta ocorreu durante análises retrospectivas de dados de satélite. Inicialmente, os pesquisadores consideraram a possibilidade de erro nos dados, devido à dimensão inesperada da inundação e às alterações súbitas detectadas na superfície do gelo.

Dados de satélite e reconstrução tridimensional do fenômeno

Para compreender o ocorrido, a equipe analisou informações coletadas por múltiplos satélites, incluindo ICESat, ICESat-2 e Landsat-8, da NASA, além de Sentinel-1, Sentinel-2 e CryoSat-2, da Agência Espacial Europeia. Esses dados permitiram reconstruir em três dimensões a dinâmica da inundação subglacial.

Os modelos revelaram que, ao longo de cerca de 10 dias, entre julho e agosto de 2014, formou-se uma cratera com aproximadamente 2 quilômetros quadrados de área e 85 metros de profundidade. O colapso foi causado pela drenagem repentina de um lago de água de degelo localizado nas encostas da camada de gelo.

O volume liberado é equivalente a aproximadamente nove horas do pico de vazão das Cataratas do Niágara.

A escala do evento surpreendeu os cientistas e indicou uma capacidade de transporte de água muito superior à prevista anteriormente para sistemas subglaciais na Groenlândia.

Impactos físicos na estrutura do gelo

Mais abaixo do ponto de drenagem, os pesquisadores identificaram sinais de destruição extensa na superfície do gelo.

A onda de inundação fraturou uma grande área, arrancando blocos de gelo com até 25 metros de altura e esculpindo uma superfície deformada com cerca do dobro da área do Central Park, em Nova York.

Essas evidências indicam que a água não apenas escoou sob o gelo, mas exerceu pressão suficiente para modificar significativamente sua estrutura interna e superficial.

O fenômeno demonstrou que o gelo pode responder de forma abrupta a grandes aportes de água de degelo.

As observações contradizem a ideia de que a base da camada de gelo da Groenlândia permanece amplamente congelada e estável.

Também colocam em xeque modelos que descreviam um fluxo mais gradual e previsível da água desde a superfície até o oceano.

Revisão do papel dos lagos subglaciais

Até recentemente, o papel da água de degelo na dinâmica da camada de gelo era pouco compreendido. A visão predominante sugeria que a água fluía da superfície para a base e, em seguida, escoava de forma relativamente direta para o oceano.

O novo estudo concentrou-se nos lagos subglaciais, que são alimentados por água de degelo e permanecem ocultos sob o gelo.

Os pesquisadores sugerem que esses lagos podem armazenar grandes volumes de água e liberá-los de forma súbita por meio de eventos de drenagem extrema.

Como a existência desses lagos sob a Groenlândia foi reconhecida apenas nos últimos anos, ainda há lacunas significativas sobre sua evolução, frequência de drenagens e impacto no sistema hidrológico da camada de gelo. Esse desconhecimeto limita a precisão das projeções atuais.

Implicações científicas das descobertas

As conclusões do estudo indicam que a hidrologia subglacial da Groenlândia é mais complexa do que se supunha. Eventos extremos, como o registrado em 2014, demonstram que grandes volumes de água podem se acumular e ser liberados de maneira rápida e destrutiva.

Segundo os autores, compreender esses processos é essencial para avaliar como a camada de gelo responde a aportes intensos de água de degelo superficial. As descobertas também destacam a necessidade de aprimorar modelos que representem o comportamento interno das calotas polares.

A camada de gelo da Groenlândia cobre cerca de 1,7 milhão de quilômetros quadrados e perde aproximadamente 33 milhões de toneladas de gelo por hora. Embora esses números já sejam conhecidos, o papel específico da água de degelo nesse sistema continua sendo um dos aspectos menos compreendidos.

Novas perguntas sobre o futuro das calotas polares

Os cientistas afirmam que os resultados obtidos oferecem informações vitais sobre processos que ocorrem fora do campo de visão direto. A drenagem subglacial documentada em 2014 mostra que a camada de gelo pode reagir de forma rápida a condições extremas, com efeitos estruturais significativos.

O estudo enfatiza a importância de monitoramento contínuo por satélite e de análises detalhadas para detectar eventos semelhantes no futuro. Também ressalta que o sistema hidrológico das calotas polares precisa ser melhor compreendido tanto no presente quanto em cenários futuros.

Ao revelar um fenômeno até então desconhecido, a pesquisa amplia o entendimento científico sobre a Groenlândia e reforça a necessidade de revisar modelos existentes. Os dados obtidos em 2014 passam a integrar um conjunto crítico de evidências sobre o comportamento interno do gelo em resposta ao derretimeno acelerado.

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Anita Friesen
Anita Friesen
30/01/2026 07:58

Volcanic activity worldwide, rising Greenland coast (away from water), water rising elsewhere, it would seem Greenland is growing. This melt water may be an indication of volcanic activity underneath, it is after all, an island in the middle of a ocean and probably came into being with an earlier eruption.

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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