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Escondida num laboratório secreto em Tóquio há mais de 25 anos, uma lente impossível feita de 2.500 microlentes que enxergavam como olhos de inseto prometia explodir a cabeça de quem assistia TV

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 19/06/2026 às 22:19
Atualizado em 19/06/2026 às 22:22
Assista o vídeoHá mais de 25 anos, engenheiros japoneses esconderam num laboratório de Tóquio uma lente impossível que imitava o olho de um inseto e prometia transformar qualquer tela em televisão 3D sem precisar de óculos
Há mais de 25 anos, engenheiros japoneses esconderam num laboratório de Tóquio uma lente impossível que imitava o olho de um inseto e prometia transformar qualquer tela em televisão 3D sem precisar de óculos
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Em janeiro de 2000, o programa Tomorrow’s World, da BBC, mostrou uma lente impossível desenvolvida pela NHK em Tóquio. Composta por 2.500 microlentes, ela permitia ver televisão em 3D sem óculos. A tecnologia era experimental e, na época, não tinha previsão de venda antes de 2010.

A lente impossível que prometia revolucionar a televisão estava escondida em um laboratório de pesquisa em Tóquio e veio a público em janeiro de 2000. Apresentada pelo programa Tomorrow’s World, da BBC One, ela era a aposta dos engenheiros da NHK para transformar a experiência de assistir TV. O segredo daquela tecnologia estava em uma única peça que parecia comum, mas que, na verdade, reunia 2.500 microlentes minúsculas, cada uma enxergando uma imagem diferente, como funcionam os olhos de um inseto.

A promessa era ousada para a época e mira um problema antigo da TV em três dimensões. Ao contrário dos sistemas 3D tradicionais, que exigiam óculos especiais, aquela lente permitia ver as imagens saltando aos olhos sem nenhum acessório no rosto. A reportagem foi conduzida pela jornalista Philippa Forrester, que visitou os laboratórios japoneses e conversou com os pesquisadores responsáveis. As informações são baseadas em um trecho do arquivo da BBC, originalmente transmitido em 19 de janeiro de 2000.

Por que a TV 3D sempre foi um sonho distante

Para entender a importância daquela lente impossível, é preciso lembrar como a televisão funcionava. Apesar de toda a evolução, das primeiras imagens tremidas em preto e branco até as telas coloridas de alta definição, a TV seguia sendo uma experiência bidimensional, uma imagem em movimento em uma superfície plana. Fazer as imagens realmente saltarem aos olhos era, até então, um sonho inatingível.

O desafio estava em reproduzir a forma como enxergamos o mundo. O cérebro humano usa pistas visuais, como o tamanho dos objetos, para entender a distância e a posição de cada coisa em relação às outras. Desde os primórdios da fotografia, os sistemas 3D tentavam recriar essa noção de profundidade, separando o primeiro plano do fundo para dar a sensação de tridimensionalidade que falta a uma tela comum.

Como funcionava o 3D tradicional com óculos

Antes da inovação japonesa, os melhores sistemas 3D já tentavam imitar o funcionamento do olho humano, mas de uma forma mais limitada. Como nossos olhos são separados, cada um capta uma perspectiva ligeiramente diferente da mesma cena, e o cérebro recombina essas imagens para criar a noção de profundidade. A tecnologia da época tentava copiar exatamente esse processo.

O método, porém, tinha limitações claras. Duas câmeras posicionadas em ângulos diferentes tiravam duas fotos da mesma cena, que depois eram recombinadas pelos olhos do espectador com a ajuda dos óculos 3D. O resultado dava uma sensação de profundidade, mas ainda parecia artificial, como uma série de camadas sobrepostas, comparada na reportagem a um teatro de recortes de papelão. E, claro, ninguém escapava de ter que usar os óculos.

A lente impossível com 2.500 microlentes

A grande virada proposta pela NHK partia de uma pergunta simples: se duas fotos de ângulos diferentes dão profundidade, o que aconteceria se fossem tiradas muitas imagens ao mesmo tempo? Era exatamente isso que os engenheiros do laboratório em Tóquio buscavam. A resposta estava em uma lente que parecia única, mas escondia uma estrutura espantosa.

O segredo era a quantidade de pequenas lentes embutidas naquela peça. A lente impossível reunia 2.500 microlentes minúsculas, cada uma captando uma imagem diferente, exatamente como os olhos compostos de um inseto enxergam o mundo. Essas microlentes dividiam a cena em milhares de pequenas imagens, o que significava que a câmera filmava a partir de centenas de ângulos diferentes ao mesmo tempo, gerando uma riqueza de informação visual impossível de alcançar com apenas duas câmeras.

Adeus aos óculos: a imagem que parecia um holograma

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A maior vantagem do sistema aparecia na hora de assistir. Para transformar todas aquelas imagens minúsculas em uma grande imagem tridimensional, elas eram reproduzidas em uma tela especial repleta de microlentes, revertendo o processo de captura. Em vez de os óculos recombinarem a imagem, a própria tela fazia esse trabalho para o espectador.

O efeito descrito pela reportagem era impressionante para a época. A imagem parecia mais arredondada, cheia e tridimensional, como olhar para um holograma, e o espectador podia mover a cabeça sem destruir a ilusão. Na verdade, o movimento até intensificava o efeito 3D, permitindo enxergar a cena de ângulos diferentes. Era possível olhar a imagem de lado, de cima ou de baixo, algo que os óculos tradicionais jamais conseguiram oferecer.

A promessa de um futuro que mudaria as salas de estar

O potencial daquele sistema ia muito além de uma tela pequena. Como permitia visualizar as imagens de qualquer ângulo, o espectador não precisava mais ficar diretamente de frente para a televisão, podendo até assistir deitado no sofá. Essa liberdade era apresentada como uma possível revolução na forma de consumir conteúdo audiovisual.

As ambições para o futuro eram grandiosas. Os pesquisadores imaginavam que, com o avanço da tecnologia, as microlentes encolheriam até virar pontos minúsculos, produzindo imagens de altíssima definição em telas enormes capazes de cobrir paredes inteiras ou as laterais de prédios. Ainda assim, a própria reportagem fazia um alerta: tudo aquilo estava em fase experimental, com resolução rudimentar, e não havia expectativa de chegar ao mercado antes de 2010, no mínimo.

E você, imaginava que uma tecnologia tão ousada de TV 3D sem óculos já existia em um laboratório há mais de 25 anos? Conta aqui nos comentários se você ainda acredita na televisão tridimensional ou se acha que essa lente impossível ficou mesmo no passado.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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