Segundo análise do NSC Total, o câmbio manual, o motor aspirado simples e os modelos sem qualquer eletrificação devem perder espaço no mercado brasileiro. Não é uma lei que proíbe o carro a combustão, e sim normas, custos e híbridos empurrando os modelos de entrada a mudar até 2030.
O carro de entrada que a maioria dos brasileiros compra hoje, com motor 1.0 aspirado e câmbio manual, pode se tornar cada vez mais raro nas concessionárias até 2030, não por uma proibição direta, mas por uma transformação mais ampla da indústria automotiva. A análise é do portal NSC Total, que mapeou as tendências que devem pressionar justamente os modelos mais básicos do país.
O movimento não significa o fim de todo carro a combustão. De acordo com o NSC Total, até 2030 normas ambientais mais rígidas, metas de eficiência, o avanço dos híbridos e novas tecnologias devem empurrar para escanteio as versões manuais, os motores aspirados simples e os modelos sem qualquer nível de eletrificação. A mudança, ressalva o portal, não viria de uma lei que bane o câmbio manual ou o motor 1.0, e sim de uma reorganização do mercado que torna esse tipo de veículo cada vez menos viável.
O fim pode começar pelo câmbio manual

A primeira peça sob pressão é o câmbio manual. Ele já deixou de ser padrão em boa parte do mercado brasileiro, e, em hatches e sedãs mais caros, SUVs e modelos familiares, a transmissão automática virou quase obrigação. O pedal da embreagem resiste hoje principalmente nos carros de entrada, nas versões de trabalho e em alguns esportivos de nicho.
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A conta das montadoras também joga contra o manual. Muitos consumidores aceitam pagar mais por conforto, e as fabricantes perceberam que o câmbio manual ajuda pouco quando o carro precisa parecer moderno, enquanto manter duas opções de transmissão encarece produção, logística e estoque. Até 2030, o manual não deve sumir por completo, já que picapes de trabalho e versões mais básicas podem manter o câmbio manual por um tempo, mas, em carros de passeio, sobretudo hatches, sedãs e SUVs, a tendência é que fique cada vez mais restrito.
Quais carros estão na zona de risco

Alguns modelos vendidos hoje ajudam a entender quais formatos estão mais pressionados, embora a lista não deva ser lida como uma sentença para um carro específico. Entram nesse grupo exemplos como Fiat Mobi, Renault Kwid, Volkswagen Polo Track, Fiat Argo 1.0 e Citroën C3 1.0, todos populares entre quem busca um zero quilômetro mais acessível.
O ponto em comum não é um defeito de produto, e sim a receita mecânica. São carros compactos ou subcompactos, com motor flex aspirado, câmbio manual e sem eletrificação, combinação que ainda faz sentido para um modelo barato, mas que tende a ficar mais difícil de sustentar conforme avançam as exigências de eficiência, emissões, segurança e tecnologia. O mais provável não é que esses carros saiam de linha até 2030, e sim que mudem, ganhando câmbio automático, motor turbo, pacote híbrido leve ou dando lugar a uma geração mais eficiente.
Os compactos aspirados sob pressão
Outra espécie ameaçada é o compacto com motor aspirado simples, em especial o 1.0 sem turbo. Esse tipo de carro ainda faz sentido para quem busca preço menor, manutenção mais barata e consumo razoável, só que as novas exigências de emissões e eficiência tornam esse equilíbrio mais difícil de manter.
A saída passa por mais tecnologia sob o capô. Os motores aspirados podem continuar existindo, mas devem precisar de calibração mais sofisticada, sistemas que desligam o motor nas paradas, novos catalisadores, comandos variáveis, melhorias na injeção e até algum grau de eletrificação leve. O problema é que tudo isso custa dinheiro, e, quando o carro é de entrada, qualquer aumento pesa muito no preço final.
O carro sem eletrificação deve envelhecer
A eletrificação não significa apenas o carro 100% elétrico. No Brasil, a transição deve passar por híbridos convencionais, híbridos recarregáveis na tomada, híbridos flex e até híbridos leves, que usam uma pequena ajuda elétrica para reduzir consumo e emissões. O detalhe é que o motorista pode nem perceber a mudança de cara.
A diferença está na engenharia, não na rotina de uso. O carro continuará tendo motor a combustão, tanque de combustível e abastecimento normal, com uma bateria pequena, um motor elétrico auxiliar ou um sistema de 12V ou 48V aliviando o esforço nas arrancadas e retomadas. É por isso que um carro sem nenhuma eletrificação pode ganhar cara de produto antigo até 2030, virando desvantagem comercial nas faixas de preço mais altas, enquanto o desafio nas faixas mais baixas será embarcar essa tecnologia sem estourar o preço.
O carro barato vai acabar? O peso do etanol
O que pode acabar é a ideia de carro barato como sinônimo de carro simples demais. As montadoras terão de encontrar uma nova forma de vender os modelos de entrada, seja com motores flex mais eficientes, eletrificação leve, pacotes de segurança obrigatórios ou plataformas mais modernas.
E o Brasil tem uma carta na manga que muda o jogo. O etanol é uma particularidade nacional, e por isso a transição brasileira não deve copiar exatamente a europeia ou a chinesa, com a tendência sendo uma mistura de caminhos, em que híbridos flex, elétricos urbanos, motores turbo menores e biocombustíveis dividem espaço. Esse arranjo pode manter o carro acessível vivo, ainda que bem diferente do atual.
Mesmo com todas as ressalvas, a análise do NSC Total indica que o carro de entrada como se conhece hoje deve mudar bastante até 2030, não por uma proibição ao câmbio manual ou ao motor 1.0 aspirado, mas pela soma de normas mais rígidas, metas de eficiência, custos e do avanço dos híbridos. Comprar um zero quilômetro manual, aspirado e sem qualquer tecnologia elétrica pode se tornar tão incomum quanto encontrar hoje um carro novo sem direção elétrica, sem controle de estabilidade ou sem central multimídia.
Os modelos citados podem simplesmente evoluir em vez de desaparecer, e o etanol tende a moldar um caminho brasileiro próprio, com híbridos flex, turbos menores e biocombustíveis.
E você, o que acha dessa transformação no carro de entrada do brasileiro? Vai sentir falta do câmbio manual e do motor 1.0 simples, ou prefere a chegada dos automáticos e dos híbridos? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre o futuro dos carros, com respeito às diferentes opiniões.

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