Donald Trump anuncia que os Estados Unidos vão manter sob controle navios-tanque e cargas de petróleo apreendidos próximos à Venezuela, ampliando a pressão econômica e militar sobre o governo de Nicolás Maduro.
A escalada da tensão entre Estados Unidos e Venezuela ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (22), após o presidente Donald Trump afirmar que o governo americano decidiu manter sob sua posse os navios-tanque e o petróleo bruto apreendidos nas proximidades da costa venezuelana.
A medida reforça o bloqueio imposto a embarcações sancionadas e amplia a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro.
A declaração foi feita em Palm Beach, na Flórida, durante conversa com jornalistas. Ao comentar o destino das cargas e das embarcações, Trump foi direto. “Nós vamos ficar com isso”, afirmou.
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Em seguida, detalhou as possibilidades avaliadas pela Casa Branca. “Talvez a gente venda, talvez fique com isso, talvez use na reserva estratégica. Os navios também vão ficar com a gente”.
Bloqueio naval faz parte de estratégia de pressão econômica
A ofensiva americana ocorre após a ordem presidencial para intensificar o bloqueio a navios-tanque sancionados que entram e saem da Venezuela. Segundo Trump, a operação já resultou na apreensão de um petroleiro, na interceptação de um segundo e no monitoramento de uma terceira embarcação.
De acordo com a consultoria de energia Kpler, um dos navios apreendidos no dia 10 de dezembro transportava mais de 1 milhão de barris de petróleo bruto venezuelano. O presidente confirmou que as autoridades seguem acompanhando outro navio. “Está andando. Vamos acabar pegando. Saiu da Venezuela e estava sob sanção”, disse.
Assim, a política de cerco se intensifica não apenas no campo diplomático, mas também no plano operacional, com ações diretas no mar do Caribe.
Petróleo venezuelano no centro da disputa internacional
A Venezuela é membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos, o país segue exportando volumes significativos.
Segundo dados da Kpler, a produção venezuelana resulta em exportações de cerca de 749 mil barris por dia. Mais da metade desse volume tem a China como principal destino, o que reforça o peso geopolítico do petróleo venezuelano no cenário global.
Enquanto isso, Washington busca restringir essas operações, alegando que os recursos obtidos com a venda do petróleo sustentam o governo de Nicolás Maduro.
Pressão política e declarações sobre mudança de regime
Questionado sobre o objetivo final da ofensiva, Trump deixou clara sua posição. Ao ser perguntado se a estratégia visa a saída de Maduro do poder, respondeu que “seria inteligente” o presidente venezuelano renunciar.
A declaração reforça a leitura de que o bloqueio aos navios de petróleo faz parte de um esforço mais amplo para desgastar a economia venezuelana e enfraquecer politicamente o governo em Caracas.
Presença militar dos EUA cresce no Caribe
Paralelamente às ações contra o setor de petróleo, os Estados Unidos ampliaram de forma significativa sua presença militar no Caribe. O governo americano também realizou ataques contra embarcações que, segundo Washington, estariam envolvidas no tráfico de drogas.
No entanto, a legalidade dessas operações tem sido questionada. Parlamentares americanos levantaram dúvidas no Congresso sobre a base jurídica das ações, especialmente quando realizadas em águas internacionais ou próximas à costa venezuelana.
Possível expansão das operações para terra firme
Além das ações no mar, Trump indicou que pretende estender a ofensiva para o território venezuelano. Em tom de ameaça, afirmou: “Vamos começar o mesmo programa em terra. Se quiserem vir por terra, vão acabar tendo um grande problema”.
A fala sinaliza que o cerco ao petróleo venezuelano pode ganhar novas dimensões, ampliando ainda mais a tensão regional e internacional em torno das sanções, da segurança no Caribe e do controle de recursos energéticos estratégicos.


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