Mesmo criticada por Donald Trump, a China lidera com folga a revolução das energias renováveis. Dados mostram uma expansão histórica em solar e eólica, queda nas emissões e impacto direto na geopolítica energética mundial.
Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, Donald Trump voltou a mirar na política climática chinesa. Em tom irônico, o presidente dos Estados Unidos afirmou que, apesar de fabricar turbinas eólicas, a China “não usa energia eólica”, sugerindo que o país apenas exporta equipamentos para “pessoas estúpidas que compram”.
Entretanto, a declaração rapidamente ganhou repercussão internacional. E, ao mesmo tempo, reacendeu uma discussão maior: qual é, de fato, o papel da China na transição energética global?
Enquanto Trump aposta em combustíveis fósseis e ataca acordos climáticos, os números mostram um cenário bem diferente do que foi descrito em Davos.
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Beijing responde e defende sua revolução verde
Poucas horas após as falas do presidente norte-americano, o Ministério das Relações Exteriores da China se manifestou. O porta-voz Guo Jiakun foi direto.
“Os esforços da China para enfrentar as mudanças climáticas e promover o desenvolvimento e a aplicação de energias renováveis em todo o mundo são óbvios para todos”, afirmou.
A resposta não ficou apenas no discurso. Logo em seguida, dados oficiais e estudos independentes passaram a circular na imprensa internacional, reforçando o tamanho da transformação energética chinesa.
Até o fim de 2025, a China ultrapassou 2,2 terawatts (TW) de capacidade instalada em energias renováveis. Isso representa mais da metade de toda a capacidade renovável do planeta.
Desse total, cerca de 1,16 TW vêm da energia solar, enquanto a energia eólica já se aproxima de 600 gigawatts (GW), considerando parques em terra e no mar.
Como resultado, as fontes renováveis superaram os combustíveis fósseis em capacidade instalada. Hoje, mais de 59% da matriz elétrica chinesa é renovável, e aproximadamente um terço da eletricidade consumida no país já vem de fontes limpas.
Renováveis sustentam o crescimento da demanda
Ao contrário do discurso de que a energia limpa seria apenas “vitrine”, solar e eólica passaram a sustentar o crescimento do consumo elétrico.
Em 2024, essas fontes responderam por 84% do aumento da demanda de eletricidade. No início de 2025, o índice chegou perto de 100% do crescimento.
Esse avanço também começou a refletir nas emissões. No primeiro semestre de 2025, a China registrou uma queda de 1% nas emissões de CO₂, com estabilidade ao longo de cerca de 18 meses — algo inédito para uma economia industrial desse porte.
Combustíveis fósseis ainda existem, mas estão perdendo espaço
É verdade que carvão e petróleo ainda fazem parte do sistema energético chinês. O Plano Quinquenal prevê, inclusive, aumentos pontuais, principalmente por questões de segurança energética.
No entanto, analistas apontam que se trata de um pico controlado. O consumo de carvão deve atingir o máximo por volta de 2027, enquanto o petróleo deve alcançar o pico ainda antes, em 2026.
Mesmo com novas usinas térmicas em construção, a taxa de uso do carvão está em queda. Isso acontece porque quase toda a nova demanda vem sendo atendida pelas energias renováveis.
A aposta fóssil de Trump e a mudança do eixo energético
As críticas feitas em Davos se somam a outras decisões, como a defesa do petróleo no Ártico e a saída de acordos climáticos. Para especialistas, essa postura mostra uma estratégia de curto prazo.
“A questão do petróleo é um voo curto. Não é uma estratégia. O Trump não tem estratégia, é o momento. No momento ele vai fazer isso e depois?”, afirma Reginaldo Nasser, professor da PUC-SP.
Enquanto isso, a China segue investindo pesado em tecnologias limpas, reduzindo custos e exportando equipamentos para dezenas de países.
Qual foi a intenção de Trump ao fazer afirmações tendenciosas contra as energias renováveis da China? Você acha que os EUA podem declarar uma guerra geopolítica para outro país?

