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O Brasil poupou US$ 32,4 bilhões em 2025 trocando fóssil por renovável e só perdeu para China e Estados Unidos no pódio mundial da IRENA

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 10/07/2026 às 16:13 Atualizado em 10/07/2026 às 16:16
O Brasil poupou US$ 32,4 bilhões em 2025 trocando fóssil por renovável e só perdeu para China e Estados Unidos no pódio
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O Brasil economizou US$ 32,4 bilhões em 2025 substituindo combustíveis fósseis por fontes renováveis, ficando em terceiro lugar no ranking mundial da IRENA e só perdendo para China e Estados Unidos, um número que, de tão grande, precisa ser desmembrado pra fazer sentido, porque explica boa parte do porquê a matriz brasileira segue sendo apontada como referência global.

O relatório foi divulgado no dia 3 de julho pela IRENA, a Agência Internacional de Energia Renovável, sediada em Abu Dhabi, e apareceu no radar do setor brasileiro na semana passada, quando o Canal Solar destrinchou a comparação por país. Na leitura da agência, o mundo inteiro poupou US$ 480 bilhões em 2025 evitando queimar carvão, gás natural e derivados de petróleo pra gerar eletricidade. Desse total, quase um terço ficou na China, US$ 177 bilhões, um valor que só faz sentido pra um país com a escala de renovável instalada que os chineses têm.

Os Estados Unidos aparecem em segundo, com US$ 35 bilhões economizados, empurrados pela leva de solar e eólica que entrou em operação no meio-oeste e no Texas desde a Inflation Reduction Act. O Brasil, com seus US$ 32,4 bilhões, praticamente encosta neles, algo que, considerando o tamanho da economia americana em relação à nossa, é bastante impressionante. Índia e Alemanha vêm empatadas em quarto, com US$ 18 bilhões cada. O Japão fecha o top-6 com US$ 15 bilhões.

Vista aérea de fazenda solar
O Brasil economizou US$ 32,4 bilhões em 2025 substituindo fósseis por renováveis, ficando em terceiro no ranking da IRENA. Foto: divulgação.

O que a IRENA está de fato medindo

A metodologia da agência é direta. Ela pega o volume de eletricidade gerada por solar, eólica, hidrelétrica, biomassa e nuclear em cada país, calcula quanto do combustível fóssil correspondente foi substituído, e multiplica isso pelo preço internacional daquele combustível durante o ano. Se um megawatt-hora de solar tira um megawatt-hora de gás natural do sistema, a economia é a diferença de custo entre os dois.

Como o Brasil tem uma matriz elétrica que ainda depende muito de hidrelétrica, algo em torno de 55% do consumo em 2025, o país entra na conta da IRENA com um baseline alto de fósseis evitados só pelo peso das grandes usinas do Norte e do Sudeste. Mas o pulo do gato do ano passado foi o avanço da solar centralizada, que já chegou a 22,51 gigawatts de capacidade instalada, e da solar distribuída, que passou dos 49,74 gigawatts, os painéis nos telhados de residências, comércios e agroindústria brasileira.

Por que a solar distribuída virou o motor silencioso

Confesso que os quase 50 gigawatts de solar distribuída sempre me impressionam. É mais capacidade instalada do que Angra 1 e 2 somadas, mais que o parque nuclear do México, mais do que boa parte dos países europeus tem em qualquer fonte renovável. E o crescimento acontece de forma pulverizada, não são cinco grandes usinas, são milhões de instalações espalhadas pelo país, cada uma decidindo por conta própria trocar a conta de luz por painel no telhado.

Turbina eólica em close-up
O relatório aponta a fonte renovável como ferramenta essencial de segurança energética, especialmente em cenários de instabilidade geopolítica. Foto: divulgação.

O Nordeste continua sendo o coração da eólica brasileira. Os parques instalados no Rio Grande do Norte, Bahia, Piauí e Ceará já respondem por praticamente toda a geração eólica do país, e várias das maiores fazendas solares centralizadas também ficam nessa região. É uma vantagem geográfica que combina radiação altíssima, ventos constantes e terrenos amplos com custo baixo de aquisição, algo que pouquíssimos países grandes do mundo têm.

A leitura de Francesco La Camera e o que ela diz

O diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera, aproveitou o lançamento do relatório pra reforçar um ponto que virou lugar-comum no debate energético global: as renováveis não são só ferramenta climática, elas viraram ferramenta de segurança energética. Depois da guerra na Ucrânia, do choque de preços do gás europeu e da instabilidade recorrente no Golfo, os países que dependem de importação de combustível ficaram muito mais vulneráveis a solavancos geopolíticos.

O Brasil escapa desse pesadelo justamente porque a matriz é doméstica. A gente não importa vento do Cazaquistão nem sol da Arábia Saudita. Cada painel solar instalado no telhado de uma padaria no interior de Goiás é energia que sai do balanço de importação e vai pro balanço de segurança. E é por isso que, quando o preço internacional do barril de petróleo dispara, o Brasil sofre menos que Europa e Japão.

O que os US$ 32,4 bilhões escondem

Uma parte grande da economia calculada pela IRENA vem de hidrelétrica, o que é meio óbvio, mas nem sempre lembrado. Nossa matriz não é limpa por causa da solar de ontem, é limpa porque, há 60 anos, uma geração de engenheiros brasileiros construiu Itaipu, Tucuruí, Sobradinho e mais três dezenas de grandes usinas que continuam produzindo até hoje. Sem essa herança, o Brasil estaria queimando gás como a Europa e economizaria uma fração do que economiza.

Parque eólico visto de cima
Solar e eólica se somam à hidrelétrica pra sustentar o pódio brasileiro na IRENA, atrás só de China e Estados Unidos. Foto: divulgação.

O relatório também não deixa claro o quanto do cálculo considera hidrelétrica versus fósseis num país como o nosso, em que grande parte do sistema já é limpa por padrão. É uma limitação metodológica que os próprios técnicos do setor reconhecem, o número é indicativo, não contábil. Ainda assim, o recado principal fica de pé: o Brasil se tornou um dos maiores substitutores de fóssil do planeta em 2025, e isso tem valor econômico mensurável em dezenas de bilhões de dólares por ano.

O que fica pra 2026 e além

Fico imaginando o número de 2026, com o calendário de leilões de reserva de capacidade da EPE e ONS já engatilhado e o parque solar distribuído continuando a crescer no ritmo dos últimos cinco anos. Se as projeções batem, o Brasil deve romper a marca dos 40 gigawatts em solar centralizada e distribuída somadas por ano em algum momento antes de 2028, o que colocaria o país num pódio ainda mais elevado no ranking da IRENA.

A gente sabe que ainda tem pedreira pela frente, armazenamento de energia, cortes na geração renovável durante horários de baixa demanda, integração de redes de transmissão. Mas o dado dos US$ 32,4 bilhões diz uma coisa importante: a decisão econômica de investir em solar e eólica no Brasil já está pagando fatura. Não é só ambiental, é dinheiro que fica no país.

US$ 32,4 bilhões é razão pra celebrar ou pra puxar ainda mais o pé no acelerador das renováveis brasileiras?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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