A proposta apoiada pela administração Trump permitiria impor tarifas elevadas aos países que continuam comprando petróleo e gás natural da Rússia, com China e Índia entre os principais alvos, enquanto senadores republicanos e democratas tentam ampliar a pressão econômica sobre Moscou e fortalecer a posição da Ucrânia nas negociações.
O governo Trump apoiará um projeto bipartidário que prevê tarifas elevadas contra países compradores de petróleo russo. A iniciativa busca ampliar a pressão econômica sobre Moscou e criar condições para negociações para encerrar a guerra contra a Ucrânia.
De acordo com o cbsnews, os senadores Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul, e Richard Blumenthal, democrata de Connecticut, afirmaram que a Casa Branca aprovou a versão mais recente da proposta. Porta-vozes do governo, porém, não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
Graham informou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, sobre o apoio em um encontro em Kiev. Depois da reunião, Zelenskyy publicou que havia recebido detalhes sobre o trabalho em andamento no Congresso envolvendo o projeto de sanções.
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Tarifas sobre petróleo russo atingiriam países compradores
A proposta permitiria aos Estados Unidos impor altas tarifas aos países que continuarem comprando petróleo e gás natural da Rússia. Índia e China aparecem como os dois maiores compradores do petróleo russo e estão no centro da medida discutida.
O objetivo dos parlamentares é reduzir a receita ligada às exportações russas de energia. Para Graham e Blumenthal, aumentar o custo econômico dessas compras pode fortalecer a pressão sobre o presidente Vladimir Putin e levá-lo à mesa de negociações.
Ainda não está definido quando as tarifas começariam a valer caso o texto seja aprovado pelo Congresso e sancionado. O líder da maioria no Senado, John Thune, havia informado aos senadores que colocaria a proposta em votação quando houvesse apoio suficiente.
O Senado retorna a Washington na segunda-feira. Blumenthal disse não possuir ainda uma contagem dos votos, mas demonstrou confiança na adesão dos democratas ao projeto, elaborado por integrantes dos dois partidos.
Momento do mercado favorece avanço da proposta
Blumenthal relacionou o avanço político ao comportamento recente dos preços do petróleo. Para ele, a queda registrada após o arrefecimento da guerra com o Irã tornou a aplicação das novas medidas mais aceitável agora.
Os senadores afirmam que os resultados da Ucrânia no campo de batalha também influenciaram a posição da Casa Branca. Graham indicou que os ataques russos e o desempenho ucraniano foram fatores considerados por Trump na análise do texto.
Além das sanções, Blumenthal destacou decisões relacionadas à cooperação militar entre Washington e Kiev. Ele afirmou que Zelenskyy conseguiu autorização para produzir interceptores Patriot e convenceu Trump a aprovar a compra de drones ucranianos destinados ao uso americano.
Senadores prometem apresentar legislação em breve
Graham, Blumenthal, Jeanne Shaheen e Roger Wicker elogiaram o entendimento alcançado e disseram esperar apresentar a legislação muito em breve. O grupo reúne parlamentares republicanos e democratas envolvidos na formulação da resposta econômica contra Moscou.
Em declaração conjunta, eles defenderam a atuação coordenada entre os poderes Legislativo e Executivo. O argumento é que compradores de petróleo e gás russos ajudam a sustentar financeiramente a guerra, enquanto a Rússia amplia ataques contra civis ucranianos.
Com a aprovação da versão atual pela Casa Branca, o projeto ganhou impulso político. Entretanto, a entrada em vigor das tarifas depende da votação no Congresso, da sanção e da definição das regras de aplicação.
Como as tarifas ampliariam a pressão sobre a Rússia
Tarifas aplicadas a países compradores funcionam como uma forma indireta de pressão econômica. Em vez de atingir apenas empresas russas, a medida busca elevar o custo comercial para governos que mantêm compras de energia da Rússia.
A lógica é reduzir a atratividade dessas transações e, com isso, limitar receitas associadas às exportações de petróleo e gás. Como Índia e China aparecem entre os principais compradores, qualquer aplicação ampla poderia envolver grandes fluxos comerciais.
Entretanto, o efeito concreto dependerá do texto final, das regras adotadas, do momento de entrada em vigor e da reação dos países atingidos.
