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Cientistas decidem descobrir o que aconteceria se um avião de papel fosse lançado da Estação Espacial Internacional, a cerca de 400 quilômetros da Terra

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 25/06/2026 às 23:45
Descubra como um avião de papel reagiria ao ser lançado da Estação Espacial Internacional durante sua descida atmosférica.
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Estudo publicado na revista Acta Astronautica combinou cálculos de trajetória e testes realizados em Tóquio para descobrir o destino de um avião de papel lançado a cerca de 400 quilômetros da Terra, revelando uma descida inicialmente estável, seguida por rotação descontrolada, aquecimento, carbonização e possível uso científico como sonda atmosférica passiva.

Um avião de papel lançado da Estação Espacial Internacional permaneceria estável durante parte da descida, mas acabaria girando, aquecendo e se desintegrando na atmosfera. A conclusão vem de um estudo de Maximilien Berthet e Kojiro Suzuki, pesquisadores da Universidade de Tóquio.

O trabalho não envolveu um lançamento real em órbita. Os cientistas combinaram simulações de trajetória com testes em túnel de vento para investigar como uma pequena estrutura de origami reagiria ao deixar a ISS, localizada a aproximadamente 400 quilômetros da superfície terrestre.

Avião de papel iniciaria descida de vários dias

O modelo analisado pesava quatro gramas e era composto principalmente de celulose e caulinita. Também possuía uma cauda de alumínio, recurso que ajudava na estabilidade, mas não transformava o objeto em uma espaçonave convencional.

Sem motor, escudo térmico, rádio ou sistema de orientação, o avião começaria uma espiral descendente. Nas regiões superiores, onde o vácuo é quase absoluto, sua forma permitiria manter a ponta voltada para a corrente de ar.

As forças aerodinâmicas ainda seriam sutis, mas suficientes para conservar passivamente a orientação. Os cálculos indicaram que a reentrada a partir de uma órbita circular de 400 quilômetros ocorreria em poucos dias.

Durante aproximadamente quatro dias, o objeto perderia altitude rapidamente, porém sem apresentar inicialmente grandes instabilidades. Essa fase relativamente tranquila terminaria perto dos 120 quilômetros de altitude, quando o ar começaria a ficar mais denso.

Estabilidade terminaria perto dos 120 quilômetros

Ao alcançar essa região, o aumento do arrasto provocaria uma mudança brusca no comportamento. As equações usadas pelos pesquisadores acompanharam a mecânica orbital, a rotação e as forças aerodinâmicas durante toda a trajetória simulada.

O avião, antes orientado, começaria a girar descontroladamente. Com o atrito e o aquecimento aumentando durante a entrada atmosférica, o papel passaria por combustão ou pirólise, tornando impossível chegar intacto ao solo.

Para verificar os resultados, a equipe produziu uma versão reduzida do modelo. Ela foi colocada no Túnel de Vento Hipersônico e de Alta Entalpia de Kashiwa, em Tóquio.

O objeto enfrentou ventos de Mach 7, superiores a mil metros por segundo, durante sete segundos. Sob o impacto, o nariz dobrou para trás e formou uma saliência de três milímetros.

A ponta escureceu, enquanto as bordas das asas ficaram carbonizadas. Apesar de resistir durante o ensaio, o modelo apresentou sinais compatíveis com o destino previsto pelas simulações durante uma reentrada completa.

Experimento pode ajudar a estudar a atmosfera

A pesquisa não pretende demonstrar que futuras naves serão feitas de papel. O formato leve, porém, pode oferecer aplicações para componentes descartáveis e sondas passivas destinadas ao estudo das camadas superiores da atmosfera.

Por possuir pouca massa e grande área superficial, o avião de papel reage intensamente a pequenas mudanças na densidade do ar. Essa característica poderia ajudar a coletar informações entre 200 e 300 quilômetros de altitude.

Os autores destacaram que a forte sensibilidade ao arrasto aerodinâmico permite considerar o modelo como uma possível sonda para medir densidade atmosférica, especialmente em regiões onde os dados ainda são difíceis de obter.

O estudo também dialoga com o problema dos detritos espaciais. Até abril de 2026, cerca de 45.780 objetos haviam sido rastreados, enquanto os modelos estimavam mais de 1,2 milhão de fragmentos entre um e dez centímetros.

Embora pequenos, esses fragmentos podem danificar espaçonaves e nem sempre são acompanhados com precisão.

Publicado na revista Acta Astronautica, o trabalho mostra que uma ideia aparentemente simples pode produzir dados úteis sobre reentrada, materiais leves e atmosfera superior.

Você acredita que estruturas de papel poderiam ter aplicações reais no espaço? Compartilhe sua opinião e diga quais outros experimentos curiosos deveriam ser investigados pela ciência.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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