Energia eólica no mar virou disputa em Taiwan, onde pescadores relatam perda de rotas antigas, queda na pesca e medo de renda menor na costa
Pescadores de Taiwan aceitaram turbinas eólicas no mar em nome da energia limpa, mas agora afirmam que rotas antigas ficaram mais difíceis, o peixe diminuiu e a renda virou incerteza na costa.
A informação foi publicada por Reuters, agência de notícias com cobertura internacional, em 4 de junho de 2025. O caso envolve pescadores de Yunlin e Changhua, duas áreas costeiras de Taiwan afetadas pela expansão dos projetos de energia renovável.
Taiwan quer que pelo menos 60% da geração total de energia venha de fontes renováveis até 2050. O problema é que parte das comunidades pesqueiras diz que a transição energética chegou ao mar sem resolver impactos simples da vida diária, como passagem de barcos, acesso às áreas de pesca e previsibilidade de renda.
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Energia limpa avançou no mar, mas pescadores dizem que a rotina mudou
As turbinas eólicas instaladas no mar fazem parte da aposta de Taiwan em energia renovável. Elas usam a força do vento para gerar eletricidade e ajudam a reduzir a dependência de fontes mais poluentes.
Para os pescadores, porém, a mudança também trouxe obstáculos. Em Yunlin, trabalhadores do mar afirmam que ficou mais difícil chegar a áreas tradicionais de pesca no Estreito de Taiwan.

Na prática, uma rota bloqueada pode significar mais tempo no mar, mais deslocamento e menos segurança sobre o resultado do dia. Para quem depende da pesca, menos peixe na costa pode virar perda direta de renda.
Pescador de 52 anos apoiou energia verde, mas não esperava perder acesso a áreas antigas
Lee Ping Shun, pescador de 52 anos, trabalha na costa de Yunlin há duas décadas. Ele disse que apoia energia limpa, principalmente porque a poluição do ar afeta a qualidade de vida local.
A fala dele mostra que a crítica não é contra a ideia de energia renovável. O incômodo está no efeito prático das turbinas eólicas no mar sobre quem já usava aquelas águas para trabalhar.
Lee Ping Shun afirmou que Yunlin precisa de energia verde, mas pescadores não esperavam que a chegada dos projetos mudasse tanto a rotina no mar.
Taiwan quer 60% de energia renovável até 2050 e colocou parques eólicos no centro desse plano
Taiwan tem poucos recursos naturais e usou carvão por muito tempo para gerar eletricidade. Por isso, a energia renovável virou parte importante da estratégia da ilha.
A meta de pelo menos 60% da geração total de energia por fontes renováveis até 2050 ajuda a explicar a pressa em ampliar projetos como parques eólicos no mar.
O conflito aparece quando essa meta entra em áreas onde pescadores já trabalhavam havia muitos anos. Para o governo e empresas, as turbinas representam energia limpa. Para parte das comunidades, elas também representam rotas antigas bloqueadas e mais incerteza no trabalho.
Em Changhua, produtores costeiros também relataram impactos perto das turbinas
Reuters, agência de notícias com cobertura internacional, detalhou que o incômodo não ficou restrito aos barcos de pesca. Em Changhua, produtores ligados à criação de moluscos também relataram problemas perto de turbinas.
Hung Chin Tun, produtor de moluscos de 43 anos, afirmou que óleo vazou para seus tanques a partir de uma turbina perto de sua área de trabalho.
Ele também afirmou que quando a produção depende da água e do ambiente costeiro, qualquer alteração perto das áreas de trabalho pode gerar medo de prejuízo.

Governo fala em diálogo e compensação para perda de renda pesqueira
A Administração de Energia do Ministério da Economia de Taiwan afirmou que a comunicação é parte importante do desenvolvimento dos projetos eólicos no mar.
O governo também citou um mecanismo de compensação para casos como perda de renda pesqueira. Compensação significa uma tentativa de reparar financeiramente quem foi afetado por mudanças ligadas aos projetos.
Mesmo assim, a disputa mostra que dinheiro não resolve tudo. Pescadores falam de rotas antigas, redução de peixe e perda de controle sobre uma rotina que dependia do conhecimento do mar.
O conflito em Taiwan mostra que energia renovável também precisa olhar para quem vive da água
A expansão da energia eólica no mar em Taiwan mostra uma questão importante para qualquer país que busca energia limpa. A transição energética pode reduzir poluição, mas também precisa considerar comunidades que já dependem do território para trabalhar.
Os pescadores de Yunlin e Changhua não aparecem como inimigos da energia renovável. O ponto central é outro: eles querem que turbinas eólicas no mar não tornem a pesca mais difícil, mais cara e menos previsível.
A meta de 60% de energia renovável até 2050 coloca Taiwan em uma rota ambiciosa. Mas a reação dos pescadores mostra que a energia limpa precisa avançar sem deixar para trás quem tira o sustento do mar.
Você acredita que turbinas eólicas no mar podem crescer sem prejudicar pescadores tradicionais, ou a transição energética ainda precisa ouvir melhor quem vive da pesca? Comente e compartilhe.

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