Em Annobón, a disputa entre obra, dinamite e internet cortada atingiu banco, hospital, lavouras, água e comunicação dos moradores
Uma ilha africana isolada no Atlântico reclamou de explosões de dinamite em uma obra e acabou vivendo quase um ano sem internet. O caso ocorreu em Annobón, território da Guiné Equatorial com cerca de 5.000 moradores.
A informação foi publicada por AP News, portal da agência Associated Press. Moradores escreveram ao governo em Malabo, capital do país, em julho de 2024, para reclamar das detonações feitas por uma empresa de construção marroquina.
A partir daí, o problema deixou de envolver apenas obra e pedreira. A falta de internet atingiu serviços bancários, prejudicou atendimentos de emergência em hospital e dificultou a comunicação com quem estava fora da ilha.
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Moradores reclamaram de explosões de dinamite e temeram danos à água e às lavouras
Annobón fica no Oceano Atlântico, a cerca de 507 quilômetros da costa da Guiné Equatorial. A distância ajuda a explicar por que qualquer falha de comunicação pesa tanto na vida dos moradores.
A reclamação enviada ao governo citava explosões de dinamite feitas pela Somagec, empresa de construção marroquina. Dinamite é um explosivo usado para quebrar rochas em obras, pedreiras e áreas de retirada de material.

Moradores e ativistas relataram que as detonações em pedreiras abertas e as atividades de construção estavam afetando terras agrícolas e abastecimento de água. Esse ponto tornou a disputa mais sensível, porque envolve comida, plantio e consumo diário.
A obra da Somagec colocou uma pedreira no centro da tensão em Annobón
A Somagec tem ligação com obras de portos e sistemas de transmissão de eletricidade na África Ocidental e Central. Na ilha de Annobón, a empresa também construiu um aeroporto aberto em 2013.
A presença da empresa na ilha se conecta à formação natural de Annobón. A área tem origem vulcânica e é rica em rochas, o que torna o local atrativo para retirada de material usado em construção.
Para os moradores, porém, a discussão ganhou outro peso. Uma pedreira não mexe apenas com pedra e máquina. Quando há explosão perto de lavouras e fontes de água, o medo passa a envolver saúde, alimento e sobrevivência.
Quase um ano sem internet travou banco, hospital e contato com familiares
A falta de internet em Annobón atingiu partes essenciais da rotina. Serviços bancários deixaram de funcionar, atendimentos hospitalares de emergência foram afetados e moradores passaram a depender de ligações de celular.
AP News, portal da agência Associated Press, registrou que moradores deixaram a ilha por medo e pela dificuldade de viver sem internet. As ligações por celular viraram a principal forma de comunicação e geraram contas difíceis de pagar.

O caso mostra que internet não é apenas entretenimento. Em uma ilha distante, ela ajuda no banco, na saúde, no trabalho, na escola, no contato com parentes e até em pedidos de ajuda.
Sem conexão, a ilha ficou mais fechada. O isolamento geográfico, que já era grande por causa da distância do continente, ficou ainda maior com o bloqueio digital.
Empresa negou participação no corte e defendeu o uso da dinamite
A Somagec confirmou a falta de internet, mas negou participação no corte. Roger Sahyoun, diretor executivo da empresa, declarou que a companhia também precisou usar satélite privado para conseguir conexão.
Ele defendeu as detonações de dinamite como parte importante dos projetos de construção. A empresa também afirmou que estudos geotécnicos e ambientais indicaram o local da pedreira como o mais adequado.
Geotécnico é o estudo do solo e das rochas. Ambiental é o estudo dos efeitos sobre a natureza. Para o leitor comum, isso significa avaliar se o terreno e o entorno suportam determinada obra.
Mesmo com essa defesa da empresa, os moradores continuaram relatando impacto no dia a dia. A internet privada usada pela companhia não ficou disponível para a população da ilha.
O corte de internet transformou uma reclamação sobre obra em crise de infraestrutura
A reclamação de julho de 2024 começou com explosões de dinamite, lavouras e água. Depois, o tema passou a envolver prisão de moradores, falta de internet e serviços básicos travados.
Dezenas de signatários e moradores ficaram presos por quase um ano. Signatário é quem assina um documento, como uma carta coletiva ou uma reclamação enviada ao governo.
O governo da Guiné Equatorial não respondeu ao pedido de informação sobre a condição da ilha e o acesso à internet. Por isso, o ponto seguro é que moradores e grupos de direitos relataram a continuidade do corte e os impactos na rotina.
A obra continuou na ilha. Já os moradores permaneceram no centro de uma crise que misturou infraestrutura física, como pedreira e construção, com infraestrutura digital, como acesso à internet.
Annobón virou exemplo de como uma ilha pode parar quando conexão e serviços básicos falham
O caso de Annobón chama atenção porque uma reclamação sobre dinamite em obra terminou em quase um ano de isolamento digital. Em uma ilha com cerca de 5.000 moradores, a falta de internet atingiu banco, hospital, comunicação e vida familiar.
A história também mostra que uma obra não pode ser vista apenas como concreto, pedra e máquina. Quando ela ocorre perto de lavouras e água, o impacto pode chegar diretamente à mesa, à saúde e à segurança de uma comunidade.
Annobón ficou marcada por uma sequência difícil: explosões de dinamite, medo sobre água e lavouras, corte de internet e serviços básicos prejudicados. Quando uma obra em área isolada afeta comunicação, saúde e sustento, quem deve garantir que a população não fique sem voz?

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