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Tirar CNH na Uber? Empresa propõe parceria para oferecer aulas práticas aos futuros motoristas

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 11/08/2025 às 10:25 Atualizado em 11/08/2025 às 12:46
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Projeto federal que pode tornar autoescolas facultativas gera debate sobre custos, fiscalização e papel de aplicativos como intermediadores, enquanto governo, setor e especialistas discutem impacto na formação e segurança dos futuros condutores.

Na sexta-feira (08), o Secretário Nacional de Trânsito, Adrualdo de Lima Catão, afirmou que a Uber manifestou interesse em apoiar o projeto federal que tornaria as autoescolas facultativas e facilitaria as aulas práticas com instrutores autônomos credenciados.

A empresa, porém, nega ter apresentado proposta formal, dizendo que apenas discutiu “formas de usar tecnologia para facilitar o acesso à habilitação” em reunião técnica realizada em 5 de agosto.

A medida, defendida pelo Ministério dos Transportes, prevê fim da obrigatoriedade de curso teórico e de carga mínima de aulas práticas para as categorias A e B, mantendo os exames dos Detrans.

O governo afirma que o novo modelo pode reduzir o custo da CNH em até 80% e aguarda análise da Casa Civil.

O que propõe o governo

O projeto do Ministério dos Transportes estabelece que o candidato estude como preferir e comprove a aprendizagem nos exames teórico e prático.

As aulas em Centro de Formação de Condutores (CFC) passariam a ser opcionais.

A mudança, segundo a pasta, pretende democratizar o acesso e reduzir custos sem eliminar a avaliação final feita pelos Detrans.

A implementação dependeria de resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) após o aval da Casa Civil.

Como seria a participação da Uber

De acordo com Adrualdo Catão, a Uber teria se colocado à disposição para intermediar o contato entre alunos e instrutores autônomos.

O secretário afirmou que a proposta visaria “modernizar, baratear e desburocratizar” o processo de habilitação.

O sistema permitiria verificar, no aplicativo, nome e certificação do instrutor, facilitando a contratação.

A Uber, no entanto, declarou que não apresentou proposta de parceria e que a reunião serviu apenas para discutir ideias de uso de tecnologia.

Como funcionaria para o candidato

O candidato poderia:

  • Estudar por conta própria ou acessar curso teórico gratuito oferecido pela Senatran.
  • Contratar aulas práticas com autoescolas ou instrutores autônomos credenciados, sem carga mínima obrigatória.
  • Usar veículo próprio, do instrutor ou de autoescola.

Os exames médico, teórico e prático continuariam obrigatórios.

Questionamentos sobre segurança e fiscalização

Representantes de autoescolas e especialistas manifestam preocupação sobre risco de segurança viária no modelo com instrutores autônomos intermediados por aplicativos.

Ygor Valença, presidente da Federação Nacional das Autoescolas (Feneauto), questiona quem faria a fiscalização e alerta para a possibilidade de veículos sem adaptação de freio auxiliar.

A especialista em educação no trânsito, Roberta Torres, também alerta para dificuldade de controle da qualidade e aumento de riscos.

Possíveis impactos para os instrutores

Entidades do setor afirmam que o modelo pode precarizar o trabalho dos instrutores, já que nas autoescolas há contratação formal e benefícios trabalhistas.

O presidente da Feneauto relata que algumas escolas já registraram queda nas matrículas e demissões após o anúncio da proposta.

Custos e exigências para os CFCs

Para funcionar, os CFCs precisam cumprir exigências legais, como:

  • Salas padronizadas com mobiliário e equipamentos.
  • Carros adaptados com duplo comando.
  • Pistas próprias para treinamento.
  • Estrutura mínima de funcionários, incluindo diretores de ensino e geral.

Segundo entidades, esses requisitos elevam os custos, que podem chegar a milhões em investimentos para centros maiores.

Próximos passos e outras iniciativas

O projeto ainda aguarda análise da Casa Civil e, se aprovado, seguirá para regulamentação do Contran.

Paralelamente, entra em vigor em 12 de agosto de 2025 a Lei 15.153/2025, que permite usar recursos de multas para custear a CNH de pessoas de baixa renda inscritas no Cadastro Único, em um programa conhecido como CNH Social.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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