Apresentada como vitrine verde da Visão 2030, a megacidade de vidro na Arábia Saudita, conhecida como The Line dentro da NEOM, é descrita na análise como projeto reduzido e caro, marcado por remoções forçadas, abusos contra migrantes, demanda por aço, riscos ecológicos e vigilância por dados em escala bilionária global.
Em 2024, um relatório da Human Rights Watch citado na análise aponta abusos em obras na Arábia Saudita, incluindo a NEOM, enquanto a promessa oficial de uma cidade sustentável ligada à Visão 2030 passa a ser confrontada por acusações sobre a megacidade de vidro na Arábia Saudita e seu modelo de controle social.
Ainda segundo a análise, The Line perdeu tração porque o plano dependia de investimento estrangeiro direto para se viabilizar e, com a desconfiança de investidores, a megacidade de vidro na Arábia Saudita teria passado por cortes profundos no escopo, ao mesmo tempo em que cresce o debate sobre custos, direitos humanos e vigilância.
Promessa verde, Visão 2030 e a acusação de greenwashing

A narrativa apresentada para The Line, como parte da Visão 2030 e do pacote NEOM, foi descrita como uma ruptura histórica: uma cidade zero carbono, totalmente sustentável e desenhada para humanos.
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A análise contesta essa promessa e afirma que a megacidade de vidro na Arábia Saudita funcionaria como vitrine de soluções climáticas consideradas falsas, associadas a hidrogênio verde e captura e armazenamento de carbono.
O argumento central é que essas tecnologias seriam usadas para prolongar a demanda por combustíveis fósseis, não para substituí-los.
A análise também descreve a contratação de consultorias e relações públicas para sustentar a imagem de The Line, reduzindo o espaço público para críticas e aumentando a dependência de narrativas de marketing.
Terras, remoções e o conflito com comunidades locais

A análise afirma que a área de 26.500 km² destinada ao projeto não seria uma região desabitada e indica presença histórica de comunidades locais, citando a tribo Huwaitat.
Para viabilizar a geometria linear de The Line dentro da NEOM, o relato descreve remoções forçadas, intimidação e repressão contra resistência local.
Um episódio citado é o de um morador identificado como Abdul Rahim Ahmad Mahmoud al-Huwaiti, que, segundo a análise, publicou vídeos contra o despejo e teria sido morto a tiros por forças de segurança.
O texto analisado também afirma que líderes tribais teriam sido pagos para repudiar publicamente o morador, enquanto protestos foram tratados como terrorismo, com prisões e julgamentos em tribunais secretos.
Trabalhadores migrantes, sistema CAFALA e denúncias de abusos
Na etapa de construção, a análise descreve a entrada de uma força de trabalho migrante, considerada descartável, para erguer a megacidade de vidro na Arábia Saudita.
O texto cita o relatório de 2024 da Human Rights Watch, intitulado “Morra Primeiro ou te pago depois”, como base para alegações de abusos generalizados em canteiros do país, incluindo projetos ligados à NEOM.
Entre os problemas relatados estão roubo de salário, salários retidos por meses, taxas ilegais de recrutamento, endividamento prévio, calor extremo sem proteção adequada, alojamento precário e mortes classificadas como naturais ou inexplicadas sem investigação.
A análise liga esse quadro ao sistema CAFALA, descrito como mecanismo que dá ao empregador controle sobre o trabalhador, e menciona que organizações como a Anistia Internacional consideram que tais abusos podem equivaler a tráfico humano para fins de exploração do trabalho.
Carbono incorporado, aço, vidro e a escala de materiais
A análise sustenta que o discurso de sustentabilidade ignora o “carbono incorporado”, ou seja, emissões do processo de construção.
Um dado citado atribui ao professor Philip Oldfield, da Universidade de New South Wales, a estimativa de 1,8 bilhão de toneladas de dióxido de carbono associadas à construção, valor comparado a quatro vezes as emissões anuais do Reino Unido.
Segundo o mesmo relato, a altura projetada de 500 metros e a forma linear exigiriam volumes extremos de aço, vidro e concreto para suportar cargas de vento no deserto e evitar colapso estrutural.
A análise menciona ainda que o diretor de investimentos do projeto teria afirmado que The Line usa 20% do aço disponível no planeta e que o governo saudita determinou a construção de uma fábrica capaz de produzir até 20.000 m³ de concreto por dia.
Fachada espelhada, rota de aves e a crítica ecológica
Outro ponto descrito é a fachada espelhada de 170 km, apresentada como integração à natureza.
A análise afirma que, na prática, a megacidade de vidro na Arábia Saudita cortaria um ecossistema frágil e criaria uma barreira difícil de transpor para a vida selvagem terrestre.
O texto também afirma que o traçado de The Line ficaria em uma das principais rotas migratórias de aves do planeta e que a combinação de 500 metros de altura, continuidade e espelhamento pode produzir colisões em larga escala, com risco de matar dezenas de milhares de aves migratórias, segundo especialistas citados no relato.
Cidade de 5 minutos, distâncias reais e fragilidade do transporte
A análise critica a promessa de “cidade de 5 minutos” e afirma que a forma linear amplia distâncias médias internas.
Um cálculo citado indica que duas pessoas aleatórias em The Line estariam, em média, a 57 km de distância, enquanto em Joanesburgo, apontada como 50 vezes maior em área, a distância média seria de 33 km.
Ainda segundo a análise, apenas 1,2% da população ficaria a 1 km uma da outra, forçando 98,8% a depender de um único sistema de transporte.
O plano do trem de alta velocidade, descrito como capaz de cruzar 170 km em 20 minutos, é classificado como incompatível com a exigência de acessibilidade a pé: para isso, seriam necessárias ao menos 86 estações, o que elevaria o tempo médio de deslocamento para 60 minutos, com 47% da população viajando mais do que isso.
Custos, investimento estrangeiro e o corte de 98% no escopo
No eixo financeiro, a análise afirma que estimativas de custo teriam saltado de 500 bilhões de dólares para valores citados de até 9 trilhões, com projeções intermediárias entre 1 trilhão e 1,5 trilhão.
O texto atribui a fragilidade à falta de investimento estrangeiro direto e à percepção de planos irrealistas, além de acusações de violações de direitos humanos associadas ao ambiente de negócios.
Sem capital externo, o relato diz que o projeto dependeria do PIF, o Fundo de Investimento Público saudita, que por sua vez seria sustentado pela Aramco.
A análise acrescenta que receitas do petróleo abaixo do esperado pressionariam o caixa do PIF.
Como consequência, o texto afirma que The Line teria sido reduzida em 98%, de 170 km para um fragmento de 2,4 km, com a meta ajustada de 1,5 milhão para 300.000 pessoas até 2030.
Vigilância, dados pessoais e governança por IA
A análise afirma que a camada tecnológica de “cidade inteligente” expõe um objetivo de governança autocrática, com forte dependência de inteligência artificial.
Nesse modelo, a vigilância seria sustentada por câmeras de reconhecimento facial, smartphones e sensores domésticos, com coleta contínua de dados.
Um ponto descrito como particularmente sensível é a proposta de pagar moradores pelos próprios dados.
A análise afirma que esse arranjo transformaria privacidade em mercadoria e criaria vigilância desigual, em que pessoas pobres seriam pressionadas economicamente a aceitar monitoramento, enquanto grupos com mais renda poderiam recusar.
Acompanhe comunicados públicos do projeto, relatórios de direitos humanos e revisões de escopo para verificar se a megacidade de vidro na Arábia Saudita e The Line continuarão avançando dentro da NEOM sob a Visão 2030, ou se o corte financeiro se tornará definitivo.
Você moraria em uma megacidade de vidro na Arábia Saudita como The Line, sabendo que a proposta envolve vigilância e coleta de dados pessoais?


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