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Índia ganhou 2,1 milhões de hectares de floresta tropical seca em apenas 10 anos, mas cientistas fazem alerta importante: parte desse “verde” pode ser plantação comercial e não recuperação real da biodiversidade

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 28/06/2026 às 21:27 Atualizado em 28/06/2026 às 21:29
Saiba mais sobre a floresta tropical seca na Índia e seu crescimento recente, que supera o tamanho do País de Gales.
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A análise feita com imagens de satélite mostra que a Índia ampliou fortemente sua cobertura de florestas tropicais secas na última década, impulsionada por programas de restauração, reflorestamento e também por plantações comerciais. O estudo alerta que aumentar árvores no mapa não significa, sozinho, recuperar ecossistemas naturais.

A floresta tropical seca ganhou espaço na Índia na última década, mas o avanço da cobertura arbórea não significa, automaticamente, recuperação dos ecossistemas nativos. Uma análise por satélite identificou aumento expressivo entre 2014 e 2024, enquanto áreas naturais ainda diminuem.

O estudo aponta ganho de cerca de 2,1 milhões de hectares de floresta tropical seca no país, o equivalente a 5,2 milhões de acres. A área supera o tamanho do País de Gales e mostra a escala das ações recentes de plantio, reflorestamento e restauração.

O dado chama atenção porque as florestas secas estão entre os ecossistemas menos lembrados em comparação com as florestas tropicais úmidas. Mesmo assim, elas ocupam grandes áreas da Índia e têm papel ambiental, social e climático relevante.

Floresta seca avançou, mas o tipo de crescimento importa

A pesquisa, publicada em 30 de abril de 2026 na Environmental Research Letters, analisou padrões contrastantes de desmatamento e reflorestamento em florestas tropicais secas indianas. A equipe usou imagens de satélite para acompanhar mudanças.

O monitoramento permitiu observar onde a cobertura florestal cresceu, onde desapareceu e como os resultados variaram conforme o tipo de paisagem e de propriedade. A conclusão central é que os ganhos existem, mas não têm o mesmo valor ecológico.

Parte do crescimento aparece associada a grandes programas de restauração apoiados pelo governo. Entre eles estão a Missão Índia Verde, o Fundo de Reflorestamento Compensatório e o Programa Nacional de Reflorestamento.

Essas iniciativas deixaram marca visível na paisagem, especialmente em áreas florestais administradas pelo Estado. Nesses locais, os ganhos provavelmente refletem ações voltadas à ampliação da cobertura florestal e ao apoio a metas climáticas.

Plantações também entram na conta da cobertura arbórea

Fora das terras governamentais, o aumento identificado tem outra característica. Grande parte da expansão parece ligada a plantações comerciais de madeira e culturas arbóreas inseridas em paisagens agrícolas.

Essa diferença é importante porque cobertura arbórea não é o mesmo que floresta natural recuperada. Uma plantação pode ampliar a quantidade de árvores vista por satélite, mas não necessariamente reproduz a biodiversidade nem as funções ecológicas de áreas nativas.

Os pesquisadores alertam que olhar apenas para números nacionais pode esconder perdas locais relevantes. Durante o período analisado, algumas florestas secas nativas dentro de áreas protegidas ou administradas pelo governo continuaram a diminuir.

Por que a distinção afeta clima, fauna e comunidades

As florestas tropicais secas da Índia oferecem habitat para a vida selvagem, ajudam a armazenar carbono e sustentam os meios de vida de milhões de pessoas, em comunidades rurais mais pobres.

Saber que tipo de floresta está crescendo e onde esse crescimento ocorre é essencial. A resposta interfere na avaliação de políticas climáticas, na proteção da biodiversidade e nos benefícios para populações vizinhas.

As plantações podem ter valor econômico e algum benefício climático, mas não substituem florestas naturais estabelecidas há muito tempo. A análise reforça que restauração não deve ser medida apenas pela soma de árvores.

Satélites ajudam a enxergar perdas escondidas

A equipe reconstruiu as mudanças na cobertura florestal entre 2014 e 2024. O uso de imagens de satélite permitiu comparar tendências em regiões e separar padrões dentro e fora de terras governamentais.

O autor principal, Dhanapal Govindarajulu, afirmou que a Índia teve ganhos substanciais na cobertura de florestas secas na última década. Para ele, grande parte disso parece ligada a programas de restauração e reflorestamento em larga escala.

O pesquisador também destacou que nem todos os ganhos de floresta são iguais. Ao considerar somente os totais nacionais de cobertura arbórea, há risco de ignorar o que acontece com ecossistemas nativos no terreno.

A conclusão ganha peso em um momento em que muitos países assumem compromissos de plantio de árvores e restauração florestal para cumprir metas climáticas e de biodiversidade. O estudo mostra que os números divulgados precisam vir acompanhados de informações sobre qualidade ecológica.

Para os autores, avaliar restauração exige saber se a nova cobertura protege ecossistemas naturais, sustenta a vida selvagem e beneficia comunidades próximas.

E você, acha que programas de reflorestamento deveriam separar florestas nativas, áreas restauradas e plantações comerciais nos resultados oficiais? Deixe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre como medir a recuperação ambiental.

Estudo disponível em Environmental Research Letters.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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