A Petrobras bateu um novo recorde de produção no pré-sal, com 2,66 milhões de barris de óleo equivalente por dia extraídos da camada que fica sob uma espessa faixa de sal no fundo do mar. Somando todas as operações, a produção total operada pela companhia chegou a 4,65 milhões de barris por dia, também recorde, segundo o balanço mais recente da estatal. A produção própria cresceu cerca de 16% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Os números confirmam o pré-sal como a galinha dos ovos de ouro da Petrobras. A camada, descoberta há menos de vinte anos, responde hoje pela maior parte de tudo o que o Brasil extrai de petróleo, e segue crescendo à medida que novas plataformas entram em operação.
O que é o pré-sal
O pré-sal é uma camada de reservatórios de petróleo localizada a grandes profundidades no fundo do oceano, abaixo de uma espessa parede de sal que pode ter quilômetros de espessura. Chegar lá é uma das proezas mais complexas da engenharia: é preciso furar a lâmina d’água, depois rochas e, por fim, atravessar o sal até alcançar o óleo, a milhares de metros da superfície.
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Apesar da dificuldade, o petróleo do pré-sal é de excelente qualidade e está concentrado em grandes volumes, o que torna a sua extração altamente rentável. As principais reservas ficam nas bacias de Santos e Campos, no litoral do Sudeste, onde se concentra o esforço da companhia.
O recorde não veio por acaso.
Novas plataformas puxam a alta
O crescimento da produção é resultado direto da entrada de novas plataformas no pré-sal. A Petrobras vem instalando uma série de unidades de produção, do tipo FPSO, que são gigantescos navios-plataforma capazes de extrair, processar e armazenar o petróleo no próprio mar antes de transferi-lo para navios de transporte.
O campo de Búzios, na Bacia de Santos, é o grande destaque. Considerado um dos maiores campos de petróleo em águas profundas do mundo, ele vem recebendo plataformas sucessivas que elevam a produção a cada nova unidade conectada. Cada FPSO que entra em operação adiciona dezenas ou centenas de milhares de barris por dia ao total da companhia.

Por que o recorde importa
A produção recorde tem impacto direto nas contas do país. A Petrobras é uma das maiores empresas do Brasil e uma das maiores pagadoras de impostos e dividendos, e boa parte da sua receita vem justamente do pré-sal. Mais barris extraídos significam mais arrecadação para a União, os estados e os municípios produtores, via royalties e participações.
O desempenho também reforça a posição do Brasil entre os grandes produtores mundiais de petróleo, num momento em que o país disputa espaço com nações do Oriente Médio e com os Estados Unidos. O pré-sal deu ao Brasil autossuficiência e até excedente para exportar óleo bruto.

O futuro da produção
A companhia projeta manter a curva de crescimento nos próximos anos, com mais plataformas previstas para entrar em operação no pré-sal. Ao mesmo tempo, a Petrobras busca novas fronteiras, como a Margem Equatorial no norte do país, para garantir que a produção não caia quando os campos atuais começarem a envelhecer.
Esse equilíbrio entre extrair o máximo do pré-sal hoje e descobrir as reservas de amanhã é o centro da estratégia da empresa. Por ora, o recorde mostra que a aposta no pré-sal segue rendendo.

Com a produção em alta e novos projetos a caminho, a Petrobras chega a um dos seus melhores momentos operacionais. Segundo a Agência Petrobras e a Agência Brasil, os recordes do pré-sal devem se repetir conforme as plataformas em construção forem entrando em operação ao longo dos próximos anos.
