Identificada perto da Messier 94, a nuvem Cloud-9 confirma pela primeira vez um RELHIC, estrutura gasosa prevista teoricamente, sem estrelas, dominada por matéria escura, ampliando observações cosmológicas
Astrônomos que operam o Telescópio Espacial Hubble anunciaram a identificação do Cloud-9, uma nuvem cósmica dominada por matéria escura, sem estrelas, situada a 14 milhões de anos-luz, descoberta que amplia a compreensão sobre estruturas invisíveis do Universo.
Um objeto previsto, mas nunca confirmado
Localizado nas proximidades da galáxia espiral Messier 94, o Cloud-9 representa a primeira confirmação observacional de um objeto classificado como RELHIC, até então apenas teórico.
RELHICs são nuvens de hidrogênio neutro que não conseguiram formar estrelas por falta de massa ou densidade, apesar da presença significativa de matéria escura.
-
O que antes era descartado agora ganha valor: pesquisadora da UFPI cria suplemento alimentar proteico a partir de resíduos da tilápia, unindo inovação, sustentabilidade e aproveitamento integral do pescado em uma solução com potencial impacto econômico
-
Mulheres estão sendo rastreadas sem perceber em São Paulo: tags menores que uma moeda, escondidas em carros, bolsas e até objetos de crianças, revelam uma nova forma silenciosa de perseguição que pode terminar em crime de stalking
-
A 300 metros de um data center de inteligência artificial de US$ 750 milhões, a torneira de dona Beverly, secou: o poço encheu de sedimento, ela já gastou US$ 5 mil e não tem os US$ 25 mil para trocá-lo
-
Holanda registra primeiro caso de eutanásia em criança desde ampliação das regras para menores
A confirmação desse tipo de estrutura resolve uma lacuna antiga entre previsões cosmológicas e observações diretas, aproximando modelos teóricos da realidade observável do cosmos.
Observações detalhadas com o Hubble
O Telescópio Espacial Hubble utilizou a Advanced Camera for Surveys para investigar se existiam estrelas ocultas dentro do Cloud-9.
A alta sensibilidade do instrumento permitiu descartar a hipótese de uma galáxia anã extremamente tênue, cenário comum em observações menos precisas.
Com base nos dados obtidos, os cientistas afirmam que não há qualquer evidência de brilho estelar, tornando o objeto singular entre estruturas conhecidas.
Essa ausência absoluta de estrelas diferencia o Cloud-9 de galáxias convencionais e confirma sua natureza puramente gasosa e dominada por matéria escura.
Massa invisível e hidrogênio silencioso
Embora não emita luz visível, o Cloud-9 contém hidrogênio neutro com massa equivalente a cerca de um milhão de vezes a massa do Sol.
Ao redor dessa nuvem repousa um halo de matéria escura estimado em aproximadamente cinco bilhões de massas solares, proporção incomum entre gás e matéria invisível.
Essa configuração transforma o objeto em um chamado fantasma cósmico, grande em escala, mas ausente dos sinais tradicionais usados para mapear galáxias.
Impactos para a cosmologia
Pesquisadores indicam que estudar objetos como o Cloud-9 pode revelar pistas fundamentais sobre a formação de galáxias e a matéria escura.
A maior parte das observações astronômicas históricas priorizou estruturas luminosas, deixando componentes silenciosos do Universo fora do foco científico.
O Cloud-9 demonstra que porções relevantes da massa cósmica permanecem ocultas, influenciando a evolução galáctica sem produzir luz detectável.
Como antecedente, modelos de reionização já sugeriam a existência dessas nuvens, agora confirmadas, ampliando o inventário de estruturas que moldam o Universo.
Com informações de Aventuras na História.

