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Telescópio Euclid revela 26 milhões de galáxias em apenas uma semana, encontra objetos a 10,5 bilhões de anos-luz e inicia mapa gigante de 1,5 bilhão de galáxias para decifrar o Universo escuro

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Escrito por Ana Alice Publicado em 22/05/2026 às 23:59
Euclid revela 26 milhões de galáxias e inicia mapa 3D para investigar matéria escura, energia escura e expansão do Universo com novos dados. (Imagem: Ilustrativa)
Euclid revela 26 milhões de galáxias e inicia mapa 3D para investigar matéria escura, energia escura e expansão do Universo com novos dados. (Imagem: Ilustrativa)
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A missão Euclid reúne imagens profundas do céu para investigar estruturas invisíveis do cosmos, combinando tecnologia espacial, milhões de galáxias observadas e dados que ajudarão cientistas a estudar a expansão do Universo.

O telescópio espacial Euclid, missão liderada pela Agência Espacial Europeia com participação da Nasa, voltou ao centro das atenções da astronomia à medida que a comunidade científica se prepara para novas etapas do mapeamento do chamado Universo escuro.

A primeira amostra pública desse levantamento, divulgada pela ESA em 19 de março de 2025, identificou 26 milhões de galáxias em apenas uma semana de observações de três regiões profundas do céu.

O conjunto de dados integra a fase inicial de uma missão planejada para formar um amplo mapa tridimensional do Universo, com informações sobre galáxias, matéria escura e energia escura em diferentes períodos da história cósmica.

A missão foi criada para investigar dois temas centrais da cosmologia moderna: a matéria escura e a energia escura.

A primeira não emite nem reflete luz, mas exerce influência gravitacional sobre galáxias e aglomerados.

A segunda é o nome usado por astrônomos para se referir à causa ainda desconhecida da expansão acelerada do Universo.

Segundo a ESA, o Euclid busca medir esses efeitos por meio da observação de bilhões de galáxias em diferentes distâncias.

Como a luz leva tempo para atravessar o espaço, cada objeto distante observado pelo telescópio mostra uma etapa anterior da história cósmica.

Os dados divulgados cobrem 63 graus quadrados do céu, área equivalente a mais de 300 luas cheias vistas da Terra.

Embora represente apenas uma parte do levantamento planejado, o material reúne galáxias, aglomerados, núcleos galácticos ativos e candidatas a lentes gravitacionais, fenômenos usados para estimar a distribuição de massa no cosmos.

Entre as galáxias registradas nessa primeira amostra, as mais distantes estão a até 10,5 bilhões de anos-luz.

Isso significa que a luz captada pelo Euclid partiu desses objetos quando o Universo era muito mais jovem.

Na prática, observar estruturas tão afastadas permite reconstruir diferentes fases da evolução cósmica.

Telescópio Euclid e o mapa 3D do Universo

O Euclid foi lançado em julho de 2023 e iniciou suas observações científicas de rotina em 14 de fevereiro de 2024.

O telescópio opera próximo ao ponto de Lagrange L2, a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, região usada por missões espaciais que precisam de estabilidade térmica e ampla visão do céu.

A missão nominal tem duração prevista de seis anos, com possibilidade de extensão.

Nesse período, a ESA espera observar mais de 1,5 bilhão de galáxias e cobrir cerca de um terço do céu, o equivalente a aproximadamente 14 mil graus quadrados.

O objetivo científico não se limita ao registro de imagens.

A missão foi planejada para produzir um mapa tridimensional da distribuição de galáxias e matéria no Universo.

A partir desse levantamento, pesquisadores pretendem medir como as grandes estruturas cósmicas se formaram e como a expansão do Universo variou ao longo do tempo.

Esse mapa usa a distância como uma forma de organizar o passado cósmico.

Galáxias mais próximas mostram períodos mais recentes, enquanto galáxias muito distantes revelam épocas anteriores.

A comparação entre essas camadas permite analisar mudanças na expansão do Universo e na formação de filamentos, aglomerados e vazios da chamada teia cósmica.

De acordo com a ESA, o Euclid foi desenvolvido para estudar o chamado “Universo escuro”.

A expressão reúne componentes que não podem ser observados diretamente com telescópios convencionais, mas deixam efeitos mensuráveis na luz, na gravidade e na distribuição das galáxias.

Matéria escura e lentes gravitacionais

A matéria escura não é observada diretamente porque não emite, absorve nem reflete luz de forma detectável pelos instrumentos atuais.

Sua presença, no entanto, pode ser inferida pela gravidade exercida sobre a matéria visível e sobre a trajetória da luz.

Uma das principais técnicas usadas nesse tipo de estudo é a lente gravitacional.

O fenômeno ocorre quando a massa curva o espaço ao redor de si e altera o caminho percorrido pela luz de objetos mais distantes.

Essa curvatura pode distorcer, ampliar ou multiplicar a imagem de uma galáxia ao fundo.

Em casos mais intensos, a lente gravitacional forma arcos luminosos ou anéis de Einstein.

Em situações mais frequentes, a deformação é discreta e não pode ser identificada apenas pela observação direta da imagem.

Por isso, cientistas usam softwares, medições estatísticas e grandes conjuntos de galáxias para detectar padrões de distorção.

O grande volume de dados do Euclid é uma parte importante desse método.

Ao comparar milhões e, depois, bilhões de galáxias, os pesquisadores podem mapear onde há concentração de massa, inclusive a massa que não emite luz.

Esse processo ajuda a estimar a distribuição da matéria escura em torno de galáxias, aglomerados e estruturas maiores.

A primeira leva de dados também inclui a classificação inicial de mais de 380 mil galáxias e cerca de 500 candidatas a lentes gravitacionais.

Segundo a ESA, esse trabalho combina inteligência artificial, participação de cientistas cidadãos e revisão especializada, com o objetivo de preparar ferramentas para análises futuras.

Campos profundos do Euclid mostram galáxias distantes

A amostra divulgada pela ESA se concentra em três campos profundos, regiões selecionadas para receber observações repetidas ao longo da missão.

A estratégia consiste em acumular mais luz dessas áreas, o que permite detectar objetos progressivamente mais fracos e mais distantes.

O princípio é semelhante ao de uma exposição longa em fotografia.

Quanto maior o tempo de coleta de luz, maior a quantidade de detalhes que pode aparecer em regiões muito tênues do céu.

No caso do Euclid, essa técnica será aplicada de forma planejada ao longo de vários anos.

Até o fim da missão nominal, cada uma dessas regiões deverá ser observada diversas vezes.

Segundo a agência europeia, os campos profundos servirão tanto para estudar galáxias distantes quanto para calibrar os dados do levantamento mais amplo do céu.

Esse tipo de observação tem antecedentes importantes na astronomia.

Em 1995, o Telescópio Espacial Hubble produziu seu primeiro campo profundo e revelou uma grande quantidade de galáxias em uma pequena região aparentemente vazia do céu.

O Euclid adota outra escala de observação, combinando áreas profundas com um mapeamento extenso.

A diferença principal está no desenho da missão.

Enquanto o Hubble teve papel relevante na observação detalhada de regiões específicas, o Euclid foi projetado para medir padrões estatísticos em grandes áreas do céu.

Essa abordagem permite investigar a distribuição da matéria e a expansão cósmica em escala ampla.

Missão Euclid tem participação da Nasa

O Euclid é uma missão europeia construída e operada pela ESA, com contribuições da Nasa.

O consórcio científico reúne mais de 2 mil pesquisadores de cerca de 300 instituições em 15 países europeus, além de Estados Unidos, Canadá e Japão.

A espaçonave possui um telescópio de 1,2 metro de diâmetro e dois instrumentos científicos principais.

O VIS observa o Universo em luz visível, enquanto o NISP atua no infravermelho próximo como câmera e espectrômetro.

A Nasa contribuiu com detectores para o NISP e participa por meio de equipes científicas ligadas a instituições dos Estados Unidos.

Centros associados ao Caltech e ao Laboratório de Propulsão a Jato também apoiam investigações científicas e o arquivamento dos dados da missão.

A próxima etapa pública do cronograma inclui novas liberações de dados.

O centro científico da Nasa para o Euclid informa que uma segunda divulgação rápida está prevista para 24 de junho de 2026, enquanto a primeira grande liberação de dados científicos, chamada DR1, está prevista para 21 de outubro de 2026.

Até lá, a primeira amostra do Euclid já permite dimensionar o volume de informações que a missão deverá produzir.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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