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Você não vai acreditar nisso: cinzas da cana-de-açúcar viram insumo para painéis solares com tecnologia brasileira

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Escrito por Rannyson Moura Publicado em 19/01/2026 às 13:32 Atualizado em 19/01/2026 às 18:41
Assista o vídeoTecnologia desenvolvida na UFPB utiliza cinzas do bagaço da cana-de-açúcar em aplicações para energia solar, conquista patente do INPI e abre espaço para novos negócios em energias renováveis no Brasil.
Tecnologia desenvolvida na UFPB utiliza cinzas do bagaço da cana-de-açúcar em aplicações para energia solar, conquista patente do INPI e abre espaço para novos negócios em energias renováveis no Brasil.
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Tecnologia desenvolvida na UFPB utiliza cinzas do bagaço da cana-de-açúcar em aplicações para energia solar, conquista patente do INPI e abre espaço para novos negócios em energias renováveis no Brasil.

O avanço da energia solar no Brasil passa, cada vez mais, pela inovação científica e pelo uso inteligente de recursos disponíveis no país. Nesse contexto, pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) desenvolveram uma tecnologia capaz de transformar as cinzas do bagaço da cana-de-açúcar em um material de alto valor agregado para aplicações no setor de energias renováveis. 

A iniciativa representa um passo relevante para a integração entre sustentabilidade ambiental, pesquisa acadêmica e desenvolvimento econômico.

O estudo foi conduzido no Centro de Energias Alternativas e Renováveis (Cear) da UFPB e resultou em uma patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Com isso, a tecnologia passa a ter potencial não apenas científico, mas também comercial, criando oportunidades para novos negócios ligados à cadeia da energia solar.

Pesquisa da UFPB une inovação, sustentabilidade e transição energética

A coordenação do projeto ficou a cargo da professora Kelly Gomes, do Cear/UFPB, em parceria com a doutoranda em Engenharia Mecânica Ithyara Dheylle Machado. O grupo também contou com a participação dos estudantes de Engenharia de Energias Renováveis Gabriela Oliveira Galvão, João Victor Furtado e Saraswati Visnu Andrade, além do professor José Félix, que integra o mesmo centro de pesquisa.

Desde o início, o objetivo foi buscar soluções tecnológicas capazes de reaproveitar resíduos da agroindústria de forma eficiente. O bagaço da cana-de-açúcar, amplamente utilizado como fonte de energia em usinas, gera grandes volumes de cinzas após a queima. Tradicionalmente, esse material possui uso limitado, o que amplia desafios ambientais e logísticos.

Volume de resíduos reforça importância da solução para a energia solar

Dados do Inventário de Resíduos Sólidos Industriais da Paraíba, elaborado pela Sudema, indicam que o bagaço da cana-de-açúcar é o maior resíduo sólido agroindustrial do estado. A geração estimada chega a 1,3 milhão de toneladas. Diante desse cenário, o aproveitamento das cinzas surge como alternativa estratégica para reduzir impactos ambientais e ampliar a circularidade dos recursos.

Ao transformar esse resíduo em matéria-prima para aplicações em energia solar, a tecnologia desenvolvida na UFPB contribui para um modelo mais sustentável de produção energética. Além disso, fortalece a conexão entre o setor sucroenergético e o mercado de energias renováveis.

Processo técnico amplia eficiência da absorção solar

O método criado pelos pesquisadores envolve o processamento das cinzas por meio de ajustes específicos nos parâmetros de moagem. Esse controle resulta na obtenção de partículas com características adequadas para aumentar a eficiência da absorção da radiação solar. O material pode ser empregado em tecnologias solares seletivas, responsáveis pela conversão da radiação em energia térmica.

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Essa aplicação amplia o leque de soluções disponíveis para sistemas solares térmicos, que desempenham papel relevante na matriz energética limpa. Assim, a inovação não apenas reutiliza resíduos, como também contribui para o desempenho técnico das tecnologias solares existentes.

Patente do INPI fortalece mercado de energias renováveis

A concessão da patente pelo INPI representa um marco importante para o projeto. Com a proteção intelectual, a tecnologia passa a ter condições de ser transferida para o setor produtivo, estimulando parcerias com empresas e investidores interessados em soluções sustentáveis.

“O trabalho mostra o potencial de unir sustentabilidade e ciência, ao transformar um resíduo da agroindústria em insumo tecnológico para o setor de energias renováveis”, explica a professora Kelly Gomes.

Segundo a pesquisadora, além do impacto ambiental positivo, a inovação pode gerar benefícios econômicos e sociais. Ao mesmo tempo, contribui para consolidar o Brasil como referência internacional em energia solar, transição energética e desenvolvimento de mercados sustentáveis ligados a tecnologias verdes.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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