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Por trás das canetas emagrecedoras: SUS inicia pesquisa para entender se a semaglutida pode mudar a obesidade no Brasil.

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 26/06/2026 às 19:37 Atualizado em 26/06/2026 às 19:40
Pessoa utilizando uma caneta de aplicação de medicamento para representar o tratamento com semaglutida e as pesquisas do SUS sobre canetas emagrecedoras para obesidade.
Imagem ilustrativa mostra a aplicação de uma caneta medicamentosa associada aos tratamentos com semaglutida, tema do estudo iniciado pelo SUS para avaliar novas estratégias contra a obesidade grave no Brasil.
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Projeto-piloto do Ministério da Saúde avalia segurança, eficácia, custos e possíveis impactos do tratamento com medicamentos à base de GLP-1 no Sistema Único de Saúde

O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou, nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026, os testes com canetas emagrecedoras à base de semaglutida em pacientes com obesidade grave atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Além disso, o estudo será realizado com 250 pacientes e terá acompanhamento do Ministério da Saúde, da equipe técnica do hospital e da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS).

Primeira aplicação marca o início do estudo com canetas emagrecedoras no SUS

Inicialmente, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou do início do protocolo nesta sexta-feira. Na ocasião, o paciente Guilherme Henrique Streppel Panichi, de 39 anos, recebeu a primeira aplicação do medicamento.

Segundo o Ministério da Saúde, o protocolo utiliza medicamentos à base de semaglutida, substância presente em terapias conhecidas como canetas emagrecedoras, como Ozempic e Wegovy.

Dessa forma, o estudo pretende analisar a eficácia, segurança, impacto clínico e custos do tratamento da obesidade no sistema público de saúde.

Pesquisa acompanha pacientes com obesidade grave e indicação para cirurgia bariátrica

Além disso, os participantes selecionados possuem obesidade grave ou obesidade associada a outras condições de saúde, como problemas cardíacos, e apresentam indicação para cirurgia bariátrica.

Para participar, os pacientes precisam ter diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses.

Também é necessário comprovar que houve falha no tratamento clínico convencional por, no mínimo, dois meses, incluindo dietas estruturadas e prática regular de atividades físicas.

Ainda assim, os participantes precisam realizar a própria aplicação da medicação ou contar com auxílio de um cuidador.

Estudo do SUS avaliará resultados durante dois anos

Durante o período de acompanhamento, serão analisados diferentes indicadores relacionados ao tratamento com canetas emagrecedoras.

Entre os principais pontos avaliados estão:

  • percentual de perda de peso;
  • evolução da qualidade de vida;
  • resultados de exames clínicos;
  • condições após possíveis cirurgias;
  • custos do tratamento.

Além disso, a expectativa do Ministério da Saúde é que os resultados contribuam para criar evidências nacionais sobre o uso dessas terapias no atendimento de pacientes com obesidade grave.

Como funcionam as canetas emagrecedoras de semaglutida

As canetas emagrecedoras funcionam imitando a ação do hormônio GLP-1 no organismo.

No pâncreas, esses medicamentos estimulam a produção de insulina, motivo pelo qual também são utilizados no tratamento do diabetes tipo 2.

Além disso, no estômago, eles diminuem a velocidade da digestão dos alimentos.

Consequentemente, no cérebro, aumentam a sensação de saciedade, o que pode auxiliar na redução da ingestão alimentar.

Entretanto, o Ministério da Saúde reforça que os medicamentos não representam uma solução única para a obesidade.

Pesquisa pode ajudar na redução da fila por cirurgia bariátrica

Segundo Alexandre Padilha, a avaliação busca entender como essa tecnologia poderá ser utilizada dentro do Sistema Único de Saúde.

Além disso, existe a expectativa de que o tratamento possa gerar impactos econômicos positivos, como a possível redução da fila para cirurgias bariátricas.

Da mesma forma, o estudo também pretende analisar possíveis efeitos na prevenção de complicações associadas à obesidade e ao diabetes.

Contudo, a inclusão definitiva das canetas emagrecedoras no SUS ainda dependerá dos resultados da pesquisa.

Ozivy amplia mercado de semaglutida no Brasil após aprovação da Anvisa

Paralelamente ao estudo do SUS, a farmacêutica EMS iniciou a venda do medicamento Ozivy no Brasil.

O produto recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratamento de diabetes tipo 2.

Além disso, outras empresas também apresentaram pedidos para registro de medicamentos semelhantes, que ainda passam por análise da agência reguladora.

Segundo a EMS, o primeiro lote comercial teve previsão de 500 mil canetas, com expectativa de produção anual de até 40 milhões de unidades.

Ministério acompanha avanços tecnológicos e busca ampliar acesso

Por fim, o ministro Alexandre Padilha afirmou que o Brasil busca desenvolver capacidade própria na produção de tecnologias relacionadas aos chamados peptídeos.

Assim, o objetivo é ampliar a concorrência, estimular a produção nacional e avaliar caminhos para reduzir custos dos tratamentos.

Portanto, o estudo iniciado no Rio Grande do Sul será uma etapa importante para compreender o papel das canetas emagrecedoras de semaglutida no tratamento da obesidade grave dentro do SUS.

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Caio Aviz

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