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A “flor espacial” gigante da NASA que abriria pétalas no escuro para apagar estrelas: estrutura colossal bloquearia o brilho de sóis distantes, revelaria planetas parecidos com a Terra e tentaria responder se estamos sozinhos no Universo

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 26/06/2026 às 19:24
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Starshade da NASA usa uma estrutura em forma de flor para bloquear a luz estelar e tentar captar imagens diretas de exoplanetas como a Terra.
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Starshade da NASA usa uma estrutura em forma de flor para bloquear a luz estelar e tentar captar imagens diretas de exoplanetas como a Terra.

Detectar exoplanetas já deixou de ser novidade para a astronomia moderna, mas fotografá-los diretamente ainda é um dos maiores desafios da área. O problema é brutal: a luz da estrela hospedeira costuma ser tão intensa que apaga quase completamente o brilho do planeta, sobretudo quando se trata de mundos pequenos, rochosos e potencialmente habitáveis. Para enfrentar esse limite, a NASA desenvolve o Starshade, um conceito de ocultador externo em formato de flor que voaria separado do telescópio para bloquear a luz estelar antes que ela chegasse aos espelhos do observatório.

A proposta é permitir imagens diretas de exoplanetas e, no futuro, ampliar a capacidade de estudar atmosferas e sinais de habitabilidade em mundos semelhantes à Terra.

O que é o Starshade da NASA e como a flor espacial bloqueia a luz das estrelas

O Starshade é descrito pela NASA como uma estrutura externa de supressão de luz estelar. Em vez de ficar dentro do telescópio, como ocorre com um coronógrafo interno, ele atuaria como uma segunda espaçonave posicionada entre o observatório e a estrela-alvo para criar um eclipse artificial no espaço.

É justamente essa arquitetura que torna o conceito tão incomum. A estrela continua emitindo sua luz normalmente, mas o Starshade tenta impedir que esse brilho invada o campo do telescópio, deixando passar a luz muito mais fraca do planeta em órbita.

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A NASA afirma que essa tecnologia pode ampliar a capacidade de detectar e caracterizar planetas pequenos e rochosos em zonas habitáveis, regiões em que pode existir água líquida na superfície. Isso explica por que o conceito é tratado como uma das apostas mais ambiciosas da busca por exoplanetas potencialmente parecidos com a Terra.

Pétalas do Starshade não são decorativas e existem para controlar a difração da luz

O formato de flor não é um detalhe visual pensado para tornar o projeto mais chamativo. A própria NASA explica que as pétalas foram desenhadas para criar uma borda mais suave e reduzir o desvio das ondas de luz ao redor da estrutura, o que ajuda a produzir uma sombra muito mais escura para o telescópio trabalhar.

Sem esse desenho recortado, a difração da luz estelar continuaria invadindo o sistema óptico e reduziria bastante a eficiência do bloqueio. Em outras palavras, o formato floral é parte central da física do conceito, e não um acabamento estético.

Starshade da NASA
NASA/Reprodução

A Jet Propulsion Laboratory, a JPL, também destaca que as pétalas foram projetadas para difratar a luz intensa das estrelas para longe do telescópio. Em um protótipo exibido pelo laboratório, a agência informa ainda que essas pétalas foram redesenhadas para poderem ser enroladas e acomodadas para o lançamento.

Sistema de duas espaçonaves exige alinhamento extremo entre telescópio e ocultador

Uma das características mais importantes do Starshade é que ele faz parte de um sistema de duas espaçonaves. A NASA afirma que, diferentemente de muitos instrumentos embarcados, o conceito funciona em conjunto com um telescópio espacial separado, enquanto o Starshade se move com propulsores para bloquear diferentes estrelas.

Essa operação exige uma coreografia orbital extremamente delicada. Em material técnico oficial da NASA, o conceito de referência aparece com um Starshade de 34 metros, separado do telescópio por 30 mil a 50 mil quilômetros, com controle lateral na faixa de ±1 metro para manter a sombra no ponto correto.

Isso ajuda a dimensionar o tamanho real do desafio. Mesmo a dezenas de milhares de quilômetros de distância, a estrutura precisa permanecer alinhada com precisão altíssima para esconder a estrela sem encobrir a luz do planeta que está ao redor dela.

Exoplanetas semelhantes à Terra são o principal alvo científico do Starshade

Hoje, muitos exoplanetas são encontrados por métodos indiretos, como trânsitos e oscilações gravitacionais. O Starshade foi pensado para atacar outra fronteira: a imagem direta de exoplanetas, separando visualmente a luz do planeta da luz esmagadora da estrela hospedeira.

A “flor espacial” gigante da NASA que abriria pétalas no escuro para apagar estrelas: estrutura colossal bloquearia o brilho de sóis distantes
Starshade da NASA e como a flor espacial bloqueia a luz das estrelas – NASA/Reprodução

Segundo a NASA, observar diretamente a luz de um exoplaneta ajuda a medir propriedades como tamanho, órbita, albedo e espectros de solo e atmosfera. Esses dados podem oferecer pistas sobre habitabilidade e até sobre possíveis assinaturas associadas à presença de vida.

É por isso que o conceito costuma ser associado à busca por mundos comparáveis à Terra. O foco não é apenas descobrir que eles existem, mas obter informação física e química suficiente para entender como esses planetas são e se possuem condições favoráveis à vida como conhecemos.

Desdobramento das pétalas no espaço é um dos maiores desafios de engenharia

Além do problema óptico, o Starshade enfrenta uma barreira mecânica enorme. A NASA afirma que uma das tarefas centrais do projeto é descobrir como abrir a estrutura no espaço para que todas as pétalas terminem exatamente no lugar certo, com precisão milimétrica.

A JPL já apresentou protótipos em escala parcial e descreve sistemas em que as pétalas podem ser enroladas para o lançamento e depois desdobradas em órbita. No material técnico do programa, a agência trata precisão de implantação e estabilidade de forma como dois dos pontos críticos para tornar a tecnologia viável.

A “flor espacial” gigante da NASA que abriria pétalas no escuro para apagar estrelas: estrutura colossal bloquearia o brilho de sóis distantes
Starshade da NASA – Reprodução/NASA

A NASA também enquadra o desenvolvimento do Starshade em uma atividade focada de maturação tecnológica chamada S5, aprovada para levar o conceito a níveis mais altos de prontidão. Entre as três áreas críticas listadas oficialmente estão supressão de luz estelar, sensoriamento e controle de formação e precisão de implantação com estabilidade estrutural.

Projeto Starshade segue em desenvolvimento e ainda representa uma missão conceitual

O Starshade não aparece hoje como uma missão operacional pronta para voo. A página oficial da NASA o descreve como parte de um esforço de desenvolvimento tecnológico, com testes, relatórios de maturidade, simulações de formação em voo e animações de um possível conceito de missão de rendezvous com telescópio espacial.

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Isso significa que o projeto já avançou muito em modelagem, protótipos e validação de componentes, mas ainda depende de decisões futuras sobre arquitetura de missão e integração com telescópios espaciais.

A própria NASA apresenta o Starshade como uma tecnologia capaz de servir a observatórios do futuro, e não como um sistema já aprovado para lançamento imediato.

Mesmo assim, o conceito continua entre as ideias mais ousadas da astronomia moderna. Se chegar ao espaço, a estrutura poderá esconder o brilho de estrelas inteiras para revelar diretamente mundos que hoje permanecem praticamente invisíveis, abrindo uma nova fase na observação de exoplanetas semelhantes à Terra

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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