A geração de energia solar no Brasil atingiu um marco histórico em junho de 2026. Dados divulgados pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) mostram que a fonte alcançou 55 gigawatts (GW) de capacidade instalada operacional, consolidando-se como a segunda maior fonte da matriz elétrica nacional.
Com esse resultado, a energia solar passou a representar cerca de 22,2% de toda a capacidade instalada de geração elétrica do país, ficando atrás apenas das hidrelétricas. O avanço reforça o papel da tecnologia na diversificação da matriz energética brasileira e na expansão das fontes renováveis.
Além disso, o crescimento ocorre em um momento de aumento da demanda por soluções energéticas sustentáveis, tanto por consumidores residenciais quanto por empresas e produtores rurais.
Como os 55 GW estão distribuídos
A capacidade instalada de 55 GW reúne duas modalidades de geração solar.
-
Energia solar pode valorizar imóveis em até 10% e virar diferencial na hora da venda
-
Energia solar e eólica ultrapassam gás natural pela primeira vez no mundo e aceleram revolução energética
-
África tem cerca de 500 mil torres de celular e a maioria ainda queima diesel para funcionar, enquanto empresas correm para cobrir antenas com energia solar e evitar apagões no sinal
-
Agricultores trocaram diesel por painéis solares no Paquistão, ligaram bombas de irrigação quase sem custo, ampliaram lavouras de arroz e agora a água subterrânea virou alerta vermelho no campo
A primeira é a geração distribuída, formada principalmente por sistemas instalados em telhados de residências, comércios, propriedades rurais e pequenas empresas. Atualmente, essa modalidade responde por cerca de 37,4 GW da potência total.
Já a segunda modalidade corresponde às grandes usinas solares conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Essas estruturas somam aproximadamente 17,6 GW de capacidade operacional.
Dessa forma, a expansão da energia solar não depende apenas de grandes empreendimentos, mas também da adesão crescente de milhões de consumidores que produzem sua própria eletricidade.
Mais de 5 milhões de unidades consumidoras são beneficiadas
O crescimento da fonte solar também aparece no número de consumidores atendidos.
Segundo a ABSOLAR, mais de 5 milhões de unidades consumidoras já são beneficiadas pela geração distribuída em todo o país. Isso inclui residências, estabelecimentos comerciais, propriedades rurais, indústrias e órgãos públicos.
Além disso, a tecnologia está presente em mais de 5,5 mil municípios brasileiros, alcançando praticamente todas as regiões do território nacional.
Entre os consumidores da geração distribuída, as residências representam a maior parcela das instalações, seguidas pelos estabelecimentos comerciais e pelas propriedades rurais.

Investimentos superam R$ 251 bilhões
O avanço da energia solar também movimenta a economia brasileira.
Desde 2012, o setor atraiu mais de R$ 251 bilhões em investimentos privados, segundo levantamento da ABSOLAR. Além disso, a cadeia produtiva da energia fotovoltaica gerou mais de 1,6 milhão de empregos ao longo do período.
Os investimentos abrangem diversas etapas do mercado, incluindo fabricação de equipamentos, instalação de sistemas, manutenção, engenharia, desenvolvimento de projetos e operação de usinas.
Como resultado, a expansão da fonte solar passou a exercer influência direta no desenvolvimento econômico de diferentes regiões do país.
Fonte ajuda a reduzir emissões de carbono
Outro destaque envolve os benefícios ambientais.
De acordo com os cálculos da ABSOLAR, a geração de energia solar já evitou a emissão de aproximadamente 66,6 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na produção de eletricidade.
Além disso, a tecnologia contribui para reduzir a dependência de fontes fósseis, especialmente em períodos de maior demanda energética.
Por esse motivo, especialistas do setor apontam a energia solar como uma das principais ferramentas para apoiar a transição energética e os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil.
Crescimento continua acelerado
Os números mostram que a expansão ainda está longe de desacelerar.
Somente nos primeiros meses de 2025, consumidores brasileiros instalaram mais de 147 mil novos sistemas solares. Essas instalações passaram a abastecer cerca de 228 mil imóveis adicionais em todo o país.
Além disso, aproximadamente 1,6 GW foram adicionados à capacidade instalada nacional apenas no início daquele ano.
Esse ritmo demonstra que a procura por sistemas fotovoltaicos continua elevada, impulsionada pela busca por economia na conta de luz e pela maior conscientização sobre sustentabilidade.
Desafios ainda preocupam o setor
Apesar dos resultados positivos, o mercado enfrenta alguns obstáculos.
A ABSOLAR alerta que cancelamentos de projetos por distribuidoras de energia e dificuldades relacionadas ao ressarcimento de cortes na geração das grandes usinas podem limitar uma expansão ainda maior da fonte solar.
Além disso, representantes do setor defendem avanços regulatórios e investimentos em infraestrutura elétrica para acompanhar o crescimento da geração renovável.
Segundo a entidade, essas medidas podem garantir maior segurança jurídica e estimular novos investimentos privados.
Energia solar ganha protagonismo na matriz brasileira
O marco de 55 GW confirma a transformação da energia solar em uma das principais fontes de eletricidade do Brasil.
Há pouco mais de uma década, a participação da tecnologia na matriz elétrica nacional era considerada modesta. Hoje, a fonte ocupa a segunda posição entre todas as formas de geração instaladas no país.
Além disso, o avanço demonstra como a combinação entre inovação tecnológica, redução de custos dos equipamentos e interesse dos consumidores impulsionou a expansão do setor.
Com novos projetos em desenvolvimento e milhões de consumidores aderindo à geração própria, a expectativa é que a energia solar continue ampliando sua participação nos próximos anos.

