A decisão de Trump ocorre após o impacto do tarifaço elevar preços de alimentos nos EUA. A medida reduz impostos sobre carne bovina, tomate, café e banana e reacende negociações comerciais entre Washington e Brasília.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou medida que reduz o efeito do tarifaço sobre a importação de carne bovina, tomate, café e banana.
A decisão ocorre em um momento em que o governo busca controlar a inflação dos alimentos no país após o tarifaço.
O ato, divulgado nesta sexta, altera regras de tarifas recíprocas usadas como instrumento de segurança nacional dentro da estratégia de Trump para enfrentar déficits comerciais considerados grandes e persistentes pelos EUA.
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Segundo o documento da Casa Branca, a redução atende recomendações de autoridades encarregadas de monitorar o estado de emergência nacional declarado em abril.
A medida se aplica de forma retroativa a partir das 2h01 do dia 13, o que ajusta imediatamente os efeitos sobre centenas de itens listados pelo governo.
As negociações comerciais, a demanda doméstica e a capacidade produtiva americana aparecem como fatores decisivos para a revisão anunciada.
Trump afirmou no decreto que avaliou informações apresentadas por essas autoridades, o andamento das conversas com parceiros e a situação da produção local.
Ele declarou que, após essa análise, considerou necessário modificar o alcance das tarifas impostas anteriormente pela Ordem Executiva 14257.
O governo entende que o cenário atual permite flexibilizações específicas, especialmente em produtos que não têm oferta suficiente nos EUA ou que afetam diretamente os preços ao consumidor.
Impactos sobre exportadores e efeitos no mercado americano
A decisão afeta vários países exportadores de commodities e deve beneficiar especialmente o Brasil, que lidera a produção global de café e ocupa a segunda posição na produção de carne bovina, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA.
Em 2024, o Brasil exportou US$ 1,96 bilhão em café para o mercado americano, mantendo-se como principal fornecedor. Desde agosto, porém, as vendas despencaram após a tarifa total de 50%, com queda de 54,4% em outubro em comparação ao ano anterior.
Nos Estados Unidos, o café registra alta acumulada de cerca de 20% sobre os preços do último ano, segundo o índice oficial de inflação ao consumidor.
Esse cenário reforça o peso das tarifas na pressão inflacionária doméstica, ponto sensível para o governo que tenta equilibrar proteção econômica e custo de vida.
A redução anunciada representa recuo diante da defesa pública de Trump de que as tarifas globais não influenciavam a inflação.
Acordos regionais e limites da flexibilização tarifária
Apesar dos anúncios, a Casa Branca indicou que continuará aplicando tarifas gerais de 10% sobre produtos da Argentina, El Salvador e Guatemala, além de manter a tarifa de 15% para itens originários do Equador.
Ainda assim, o governo prevê reduzir taxas sobre parte desses bens. Os quatro países latino-americanos também assumiram compromisso de não impor impostos sobre serviços digitais de big techs, elemento que se tornou prioridade nas tratativas comerciais.
A Casa Branca destacou que tem mantido conversas consideradas produtivas com outros países da região.
O Brasil, no entanto, não aparece na lista de acordos recentes e segue alvo das sobretaxas de 50%. Esse ponto motivou novo movimento diplomático brasileiro.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para tratar do assunto e demonstrar expectativa por resposta à proposta do Brasil de suspender temporariamente as tarifas antes de negociar produtos específicos.
Vieira não detalhou a proposta brasileira. Ainda assim, explicou que o país tenta garantir um acordo provisório baseado na suspensão das sobretaxas de 40%, que somadas à tarifa global de 10% elevam a taxação total sobre os produtos nacionais a 50%.
O governo brasileiro defende que a retirada temporária dessas barreiras permitiria avançar na negociação por setores de forma mais equilibrada.
Principais motivos para Trump recuar nas tarifas
Veja abaixo tudo que Trump considerou para reduzir o impacto das tarifas.
Controle da inflação dos alimentos
A alta no custo de itens como café, carne bovina, tomate e banana pressionou a inflação e levou Trump a adotar medidas para ampliar o abastecimento.
Negociações com parceiros comerciais
O avanço em acordos com Argentina, Equador, El Salvador e Guatemala criou um ambiente favorável para revisar tarifas. A Casa Branca considerou que o momento era oportuno após anunciar novas parcerias comerciais.
Demanda doméstica elevada
Os Estados Unidos enfrentavam demanda interna forte por alimentos enquanto a capacidade produtiva não supria todo o consumo. A necessidade de garantir oferta adequada reforçou o alívio tarifário.
Queda nas importações após o tarifaço
A tarifa total de 50% derrubou as importações, como mostram os dados do café brasileiro, que recuou 54,4% em outubro. A redução das compras afetou o abastecimento e contribuiu para a decisão de flexibilizar as taxas.
Pressão real das tarifas nos preços
Apesar do discurso de que as tarifas não impactavam a inflação, o governo reconheceu que alguns itens elevavam custos internos. O compromisso de isentar produtos que não têm produção americana também pesou na revisão.
Diplomacia entre Trump e Lula e prioridades das negociações
Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontraram em outubro, durante evento da Asean em Kuala Lumpur.
O encontro ocorreu semanas depois de conversa por telefone entre os dois líderes e reforçou o ambiente de diálogo aberto.
Na ocasião, Trump afirmou que poderia negociar rapidamente as tarifas aplicadas ao Brasil. O governo brasileiro aposta nesse sinal para defender a suspensão imediata das sobretaxas enquanto as equipes tratam de pontos específicos.
Desde que Rubio assumiu a condução das negociações sobre o tarifaço, Vieira já realizou quatro reuniões com o secretário.
A primeira ocorreu logo após o telefonema entre Trump e Lula e foi classificada pelo ministro como um início auspicioso do processo. Nas semanas seguintes, negociadores brasileiros mantiveram conversas informais com responsáveis por temas comerciais nos EUA.
Durante essas conversas, os americanos destacaram duas prioridades: acesso ao mercado brasileiro de etanol e discussão sobre regulamentação de big techs, com foco em moderação de conteúdo.
Os EUA afirmam que a regulação das plataformas está diretamente relacionada à liberdade de expressão. Já o etanol representa queixa antiga de Washington, que critica a tarifa de 18% imposta pelo Brasil ao produto americano feito de milho. Nos EUA, a barreira para entrada do etanol brasileiro é de 2,5%.
O lado brasileiro relembra que os EUA nunca aceitaram vincular o tema do etanol à liberalização do mercado de açúcar, setor fortemente protegido pelo governo americano.
Enquanto isso, Trump sinalizou na terça que reduziria algumas tarifas sobre o café, gesto observado por exportadores brasileiros como indicativo de possível avanço.

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