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Portugal “esconde” reservas de ouro de 382 toneladas avaliadas em 47 bilhões de euros num prédio blindado, e a história envolve o ouro do Brasil colonial, a Alemanha nazista e uma fortuna que já foi de 866 toneladas

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 10/07/2026 às 15:54 Atualizado em 10/07/2026 às 15:56
Assista o vídeoO tesouro que ninguém vê: as reservas de ouro de Portugal chegam a 47 bilhões de euros e nasceram em grande parte do volfrâmio vendido à Alemanha nazista, enquanto o Brasil aparece entre os países que mais compraram ouro no mundo
O tesouro que ninguém vê: as reservas de ouro de Portugal chegam a 47 bilhões de euros e nasceram em grande parte do volfrâmio vendido à Alemanha nazista, enquanto o Brasil aparece entre os países que mais compraram ouro no mundo
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As reservas de ouro de Portugal são a 14ª maior do mundo e a 7ª da Europa Ocidental, e o Brasil aparece na mesma reportagem entre os países que mais compraram ouro no período mais recente

Num mundo de pagamentos digitais, por que um país guarda toneladas de metal precioso em cofres blindados? A resposta da Euronews é direta: quando tudo se torna incerto, o ouro é a única garantia, e é por isso que as reservas de ouro de Portugal seguem intocáveis, segundo a Euronews, em reportagem publicada em 21 de janeiro de 2026.

Portugal possui 382,66 toneladas de ouro, com as reservas do Banco de Portugal avaliadas em 47 bilhões de euros, segundo a Euronews, que cita os dados mais recentes do World Gold Council, a entidade que registra as reservas dos países. Cerca de metade desse tesouro está guardada num edifício de alta segurança no Carregado, propriedade do Banco de Portugal, a poucos quilômetros ao norte de Lisboa, e a outra metade está depositada em Londres, registra a fonte. É o Banco de Portugal, portanto, quem vigia dia e noite o cofre mais valioso do país.

O ouro em disparada: recorde atrás de recorde

O momento não poderia ser mais valioso para quem tem cofre cheio. Em dezembro de 2025, a cotação do metal precioso atingiu o máximo histórico de 4.400 dólares por onça, o equivalente a 3.756 euros, impulsionada pelas tensões geopolíticas, e o valor já foi superado nos primeiros dias de janeiro de 2026, com a onça cotada a 4.151 euros na semana da reportagem, segundo a Euronews.

A procura por ativos seguros, as expectativas de corte nos juros e as compras sistemáticas dos bancos centrais também ajudaram a elevar o preço, com o valor das reservas globais de ouro subindo para cerca de 4 trilhões de euros, registra a fonte. Para Portugal, que continua a confiar nesse bem, foram boas notícias.

Por que as reservas de ouro não são vendidas

A Euronews explica a lógica em três camadas. A primeira é credibilidade: quando investidores avaliam o risco de um país, seja para conceder crédito, julgar a solidez da moeda ou antecipar riscos políticos, o volume de ouro detido pelo Estado é um fator relevante, segundo a Euronews. Com a 14ª maior reserva do mundo e a 7ª da Europa Ocidental, atrás apenas de Alemanha, Itália, França, Suíça, Países Baixos e Polônia, Portugal carrega um ativo estratégico de peso.

Num mundo de pagamentos digitais, por que um país guarda toneladas de metal precioso em cofres blindados? A resposta da Euronews é direta: quando tudo se torna incerto, o ouro é a única garantia, e é por isso que as reservas de ouro de Portugal seguem intocáveis, segundo a Euronews, em reportagem publicada em 21 de janeiro de 2026.
O “mealheiro” de ouro do Estado português em vídeo do Jornal Económico. Imagem: Reprodução/YouTube Jornal Económico.

A segunda camada é proteção em crise: se o euro sofresse um colapso ou o acesso à liquidez internacional fosse interrompido, os bancos centrais poderiam converter ouro em moeda forte ou usá-lo como garantia de financiamento, e o próprio Portugal recorreu a soluções do tipo nas três intervenções do FMI, em 1977, 1983 e 2011, segundo a Euronews. A terceira é contábil: o valor do ouro integra o balanço do banco central e contribui para a sua solvência, reforçando a confiança no sistema financeiro.

O Brasil na lista de quem mais comprou ouro

E o leitor brasileiro tem assento nessa mesa. Entre os países que mais acumularam ouro no período mais recente do levantamento citado pela Euronews, a Polônia liderou com 82,67 toneladas a mais, chegando a 530,9 toneladas em dezembro de 2025, seguida por Cazaquistão, com 40,97 toneladas, e pelo Brasil, que adicionou 31,48 toneladas às próprias reservas de ouro.

A Turquia somou 26,68 toneladas e a China, cujas reservas já valem cerca de 283,2 bilhões de euros, acrescentou mais 24,88 toneladas, num movimento que a fonte associa à redução da exposição dos bancos centrais à moeda norte-americana. Na ponta contrária, os maiores vendedores foram Singapura, com 15,24 toneladas, o Uzbequistão, com 11,82 toneladas, a Rússia, com 6,22 toneladas, e a Alemanha, com 1,28 tonelada, segundo a Euronews.

Do ouro do Brasil colonial ao volfrâmio da guerra

A origem do tesouro português é um romance histórico. A grande quantidade de ouro acumulada por Portugal se deve, em grande parte, à história da colonização portuguesa no Brasil e às trocas comerciais do período moderno, especialmente durante o Estado Novo, entre 1926 e 1974, segundo a Euronews. A fonte pondera, porém, que o ouro do Brasil do século XVIII, então principal produto de exportação da colônia, provavelmente não resistiu até os tempos do Estado Novo.

O capítulo mais pesado veio depois. Grande parte do ouro acumulado por António de Oliveira Salazar teve origem na Alemanha nazista: durante a Segunda Guerra Mundial, Portugal, neutro, tornou-se um dos principais fornecedores mundiais de volfrâmio, metal crucial para endurecer o aço de canhões e munições, e grande parte dos pagamentos alemães foi feita em ouro, por exigência de Salazar, segundo a Euronews. O resultado está nos números do Ministério das Finanças citados pela fonte: as reservas saltaram de 65 toneladas em 1939 para 306 toneladas em 1945.

Das 866 toneladas às reservas de ouro atuais: o encolhimento do tesouro

O pico veio com a revolução. Portugal atingiu o máximo de reservas em 1974, com 866 toneladas de ouro, e desde então a República foi se desfazendo de parte do metal, principalmente depois que o ouro perdeu o papel de referência para a emissão de moeda, em 1971, segundo a Euronews.

No início deste século, o país ainda tinha quase 600 toneladas, e o então governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, decidiu vender parte da reserva, numa época em que ninguém antecipava a crise financeira de 2008, a crise das dívidas soberanas, a pandemia e as convulsões geopolíticas atuais, registra a fonte. O Banco de Portugal segue, desde então, como guardião do que restou do tesouro. Fica a observação desta redação, devidamente sinalizada: com a onça de ouro batendo recorde atrás de recorde, cada tonelada vendida no passado vale hoje uma pequena fortuna que ficou pelo caminho, e é exatamente por isso que as reservas de ouro viraram assunto de novo.

O que a história do ouro português ensina

Em leitura final desta redação, devidamente sinalizada: a reportagem da Euronews mostra que reserva de ouro é menos sobre riqueza parada e mais sobre seguro de país, credibilidade para tomar crédito, colchão para crise e lastro de confiança do banco central. E mostra também que o Brasil, dono de parte da origem histórica desse tesouro, hoje está do outro lado do balcão, comprando toneladas para as próprias reservas de ouro. Conta pra gente nos comentários: você acha que guardar bilhões em barras num cofre é sabedoria ou dinheiro parado demais?

Assista: o “mealheiro” de ouro do Estado português

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O tema do tesouro guardado rende imagens raras. Em vídeo de 2022, o Jornal Económico, veículo de Portugal, mostrou o “mealheiro” de ouro do Estado português, um mergulho no mesmo cofre de curiosidades que a reportagem da Euronews agora atualiza com os números recordes das reservas de ouro.

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Bruno Teles

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