Movimento no varejo supermercadista testa nova jornada de trabalho com dois dias de folga semanais, benefícios ampliados e foco na atração de funcionários em meio à dificuldade de contratação no setor, enquanto debate nacional pressiona mudanças na escala tradicional.
O Grupo Koch abriu 140 vagas para a nova unidade do Komprão em São Bento do Sul, no Norte de Santa Catarina, e decidiu usar a operação como teste de uma escala 5×2, com dois dias de folga por semana e jornada de 44 horas semanais.
A iniciativa aparece no momento em que o debate sobre o fim da escala 6×1 voltou ao centro da agenda nacional, depois de o governo federal enviar ao Congresso um projeto para reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas e ampliar o descanso semanal remunerado.
Abertura de vagas e novo modelo de jornada no supermercado
A seleção para compor a equipe da nova loja foi anunciada para atender diferentes áreas da unidade, com oportunidades tanto em funções operacionais quanto em cargos de liderança.
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Também há vagas destinadas a pessoas com deficiência.
Na prática, a rede tenta preencher postos em uma fase de expansão enquanto acompanha, dentro da própria operação, como a escala 5×2 funciona no varejo alimentar, um setor historicamente ligado a jornadas mais distribuídas ao longo da semana.
Segundo o gerente de RH do Grupo Koch, Alisson Santos, a empresa trata a medida como um projeto piloto para observar a funcionalidade do modelo e seus efeitos sobre a rotina dos trabalhadores.
A fala indica que o objetivo não é apenas abrir a nova loja com um formato diferente de jornada, mas medir, no dia a dia, como a mudança interfere na organização da operação e na vida dos colaboradores.
Escala 5×2 ganha força na disputa por trabalhadores
A decisão do grupo ocorre num ambiente em que empresas do comércio enfrentam mais dificuldade para contratar e reter funcionários em atividades com alta rotatividade.
Embora o anúncio da rede catarinense esteja diretamente ligado à abertura da unidade de São Bento do Sul, o movimento ganha peso porque parte de uma companhia que hoje ocupa a 10ª posição entre as maiores redes supermercadistas do Brasil e lidera o setor em Santa Catarina.
Esse porte ajuda a explicar por que a experiência chama atenção.
O Grupo Koch informou em seu site de carreiras que encerrou 2025 com 94 lojas no segmento alimentício em Santa Catarina, em expansão acelerada.
Já dados do setor indicam que a companhia havia alcançado 80 unidades em 2024, consolidando-se como a principal rede supermercadista catarinense.
Os números mostram crescimento recente e sustentam a leitura de que mudanças no regime de trabalho, quando adotadas por empresas desse tamanho, tendem a ser observadas de perto pelo mercado.
Como participar do processo seletivo em São Bento do Sul
O processo seletivo foi marcado para atendimento por ordem de chegada, com candidatos munidos de documento de identificação com foto.
A seleção ocorreu na Igreja Matriz São José, na rua Otto Eduardo Lepper, 336, no bairro Serra Alta, em São Bento do Sul.
Além do comparecimento presencial, a empresa informou a possibilidade de antecipar a candidatura por meio de cadastro virtual, como forma de agilizar o atendimento.
As vagas foram abertas para diferentes perfis dentro da estrutura da loja.
Entram nessa lista posições de gerência, subgerência, coordenação e supervisão, além de funções operacionais ligadas ao funcionamento diário do atacarejo.
O telefone divulgado para mais informações sobre a seleção foi (48) 99942-0368.
No pacote oferecido aos futuros contratados, a empresa informou benefícios como plano de saúde, assistência odontológica, telemedicina, apoio psicológico, vale-transporte e auxílio-creche.
Além disso, há um vale-compras mensal de até R$ 500, condicionado ao desempenho dos colaboradores.
Num momento em que redes varejistas disputam mão de obra em várias regiões, a combinação entre escala 5×2 e pacote amplo de benefícios passa a funcionar também como argumento de atração.
Proposta do governo pressiona mudanças na escala 6×1
A experiência do Grupo Koch foi anunciada logo após o governo federal formalizar, em 14 de abril de 2026, o envio ao Congresso Nacional de um projeto de lei com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1.
Pela proposta, o limite semanal cairia de 44 para 40 horas, com manutenção dos salários e garantia de dois dias de descanso remunerado.
O texto ainda prevê a consolidação do modelo de cinco dias de trabalho para dois de descanso, embora a definição concreta das escalas possa passar por negociação coletiva conforme a atividade econômica.
Esse contexto ajuda a explicar por que o anúncio da rede catarinense ultrapassa o campo restrito de um processo seletivo local.
No comércio alimentar, onde a operação exige funcionamento contínuo, inclusive em fins de semana e feriados, qualquer mudança na distribuição das folgas mexe com escalas, custos, cobertura de turnos e planejamento de equipes.
Ao lançar o teste em uma unidade nova, a empresa reduz parte da necessidade de adaptação de um quadro já consolidado e observa o desempenho do formato desde a abertura da loja.
Essa relação entre expansão e reorganização da jornada aparece como um dos pontos mais relevantes da iniciativa.
Ainda assim, o caso de São Bento do Sul não equivale, por si só, a uma mudança generalizada em toda a rede.
O próprio Grupo Koch enquadrou a medida como piloto, o que indica acompanhamento interno antes de qualquer decisão mais ampla.
Mesmo com essa ressalva, a escolha por testar a escala 5×2 em um setor marcado por dificuldade de contratação, alta exigência operacional e disputa por profissionais transforma a abertura das 140 vagas em um sinal concreto de que parte do varejo já começou a reagir ao novo ambiente de discussão sobre jornada de trabalho no Brasil.
