O IPCA-15 de abril subiu 0,89%, praticamente o dobro dos 0,44% registrados em março, segundo dados do IBGE divulgados nesta terça-feira (28). A alimentação liderou a alta com avanço de 1,46%, mas gasolina, diesel, remédios e energia elétrica também subiram no mesmo mês. Em 12 meses, a inflação acumulada chega a 4,37%, acima dos 3,90% anteriores. O cenário pressiona o Banco Central e pode dificultar cortes na taxa de juros.
A inflação de abril atingiu o consumidor brasileiro por todos os lados ao mesmo tempo. O IPCA-15, que funciona como prévia oficial do índice de preços ao consumidor, registrou alta de 0,89% no mês, com alimentação subindo 1,46%, gasolina disparando 6,23% e diesel avançando 16%. Na farmácia, produtos farmacêuticos subiram 1,16% por causa do reajuste anual autorizado. Na conta de luz, a energia elétrica residencial teve alta de 0,68%. O resultado é que o custo de vida ficou mais pesado em praticamente todas as frentes que compõem o orçamento das famílias.
O acumulado de 12 meses saltou de 3,90% para 4,37%, um patamar que acende o alerta no Banco Central. A meta de inflação para 2026 é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima, o que significa que o teto é 4,5%. Com o índice a 4,37%, o Brasil opera perigosamente perto desse limite, e qualquer pressão adicional nos próximos meses pode empurrar a inflação para fora da banda. Para o consumidor, o efeito é direto: menos poder de compra e maior sensação de aperto no orçamento.
A alimentação que subiu quase 1,5% em um único mês

Segundo informações divulgadas pelo portal ndmais, o grupo Alimentação e bebidas teve a maior alta entre todos os setores analisados: 1,46%, com impacto de 0,31 ponto percentual no índice geral. A alimentação dentro de casa acelerou de 1,10% em março para 1,77% em abril, indicando que o supermercado se tornou a maior fonte de pressão sobre o orçamento das famílias.
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Os vilões são itens básicos do dia a dia. A cenoura subiu 25,43%, a cebola avançou 16,54%, o leite longa vida disparou 16,33% e o tomate encareceu 13,76%. As carnes, que pesam mais no orçamento por conta do volume de consumo, tiveram alta de 1,14%. Do lado positivo, poucos itens aliviaram a conta: a maçã caiu 4,76% e o café moído recuou 1,58%. Até comer fora ficou mais caro, com lanches subindo 0,87% e refeições avançando 0,65%.
A gasolina que virou o maior impacto individual do IPCA-15
Se a alimentação pesou no carrinho, os combustíveis pesaram no transporte e em toda a cadeia econômica. O grupo Transportes subiu 1,34% e foi o segundo maior responsável pela inflação do mês, com impacto de 0,27 ponto percentual. A gasolina teve alta de 6,23% e se tornou o item com maior impacto individual de todo o índice, sozinha respondendo por 0,32 ponto percentual da inflação de abril.
O diesel disparou 16%, movimento que vai muito além do que o motorista comum percebe na bomba. O diesel é o combustível que move caminhões, ônibus e máquinas agrícolas, e quando seu preço sobe, o efeito cascata atinge frete, logística e transporte de alimentos, encarecendo praticamente toda a economia. A alta dos combustíveis está ligada ao aumento do barril de petróleo no mercado internacional, pressionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã que elevou a tensão no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial.
Remédios e conta de luz que completam o cerco ao orçamento
Além de supermercado e posto de combustível, farmácia e conta de luz também ficaram mais caros em abril. O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 0,93%, com produtos farmacêuticos avançando 1,16% por conta do reajuste autorizado nos medicamentos a partir de abril. Produtos de higiene pessoal também contribuíram para a alta do setor.
Na Habitação, a energia elétrica residencial subiu 0,68% e água e esgoto tiveram reajustes em algumas capitais. O cenário em que alimentação, combustíveis, remédios e contas básicas sobem simultaneamente é o mais difícil para famílias de renda baixa e média, que destinam a maior parte do orçamento a esses itens e não têm margem para absorver aumentos em múltiplas frentes ao mesmo tempo.
O que o IPCA-15 de 4,37% em 12 meses significa para os juros
O IPCA-15 funciona como termômetro antecipado da inflação oficial e é acompanhado de perto pelo mercado financeiro e pelo Banco Central. Quando o índice sobe forte, cresce a expectativa de que a Selic pode ser mantida elevada por mais tempo ou que eventuais cortes de juros sejam adiados, porque o BC precisa manter a política monetária restritiva para conter a alta dos preços.
Com a inflação acumulada em 4,37% e acelerando, a margem para redução da Selic fica cada vez mais estreita. Uma inflação resistente dificulta cortes de juros e mantém o crédito mais caro, o que afeta financiamentos, consignados e investimentos produtivos. Para quem paga prestação de imóvel, carro ou cartão de crédito, a consequência é direta: o custo do dinheiro permanece alto enquanto os preços dos produtos essenciais continuam subindo.
O que esperar da inflação nos próximos meses
Os dados de abril sugerem que a inflação não vai ceder facilmente. A pressão dos combustíveis depende da evolução do conflito geopolítico no Oriente Médio, e a alta dos alimentos reflete tanto fatores climáticos internos quanto o aumento do diesel que encarece o transporte da produção agrícola até o consumidor final. Enquanto esses dois vetores permanecerem ativos, a tendência é de preços pressionados.
Para o consumidor, o efeito prático é mais simplificado: menos poder de compra e maior dificuldade para fechar as contas do mês. Os cortes de juros ficam cada vez mais distantes enquanto alimentação, gasolina, farmácia e conta de luz sobem ao mesmo tempo, e o salário que entrou na conta no início do mês compra menos do que comprava em março.
Você sentiu no bolso o aumento do supermercado, da gasolina e da farmácia neste mês, ou a inflação ainda não chegou com força na sua cidade? Conte nos comentários qual item pesou mais no seu orçamento em abril e se acha que o governo deveria agir para conter os preços.

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